Albert Einstein 2018 - História e Geografia - dissertativas - com Resolução

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SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL
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“Parece propósito firme do governo violentar a população desta capital por todos os meios e modos. Como não bastasse [...] a vacinação obrigatória, entendeu provocar essas arruaças que, há dois dias já, trazem em sobressalto o povo. Desde ante-ontem que a polícia, numa ridícula exibição de força, provoca os transeuntes, ora os desafiando diretamente, ora agredindo-os, desde logo, com o chanfalho e com a pata de cavalo, ora, enfim, levantando proibições sobre determinadas pontos da cidade.”
Correio da Manhã, 12 de novembro de 1904. Disponível em: http://www1.uol.com.br/rionosjornais/rj10.htm
“Diante de antigas e novas emergências sanitárias, como febre amarela, dengue, zika e chikungunya, é inevitável se questionar por que o Brasil parece patinar no combate ao Aedes aegypti e a doenças por ele transmitidas, a despeito dos êxitos obtidos pelos seus cientistas no início do século passado e dos avanços científicos e tecnológicos que se sucederam desde então. Oswaldo Cruz morreu em 11 de fevereiro de 1917 sem testemunhar o surto [febre amarela] que se abateu sobre a cidade já em 1928. De lá para cá, a história tomou rumos que o sanitarista dificilmente suporia: cem anos após a sua morte, o Rio de Janeiro, já não mais sede do governo federal, vive novamente a apreensão de ter a febre amarela batendo a suas portas. Os paralelos com o passado indicam que o país parece ter ignorado algumas lições que poderia ter aprendido ao longo de sua história.”
(FIOCRUZ, Legado, https://portal.fi ocruz.br/pt-br/content/legado, acesso em 15/11/2017)

A partir dos textos e das imagens, situe os dois momentos e as respectivas políticas de saúde pública, tendo em vista a relação entre os poderes públicos e a população.

Resolução:
No início do século XX, o Rio de Janeiro, malgrado sua condição de capital do Brasil desde 1763, era uma cidade marcadamente colonial, com graves carências urbanas, inclusive de cunho sanitário. Doenças epidêmicas como a varíola, a peste bubônica e a febre amarela provocavam grande número de mortes, sobretudo durante o verão (época de proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da febre amarela).

Os primeiros governos republicanos brasileiros (Deodoro, Floriano e Prudente de Morais), pressionados por problemas mais urgentes, como a estabilização política e o reequilíbrio das finanças, pouco fizeram para tornar minimamente real a segunda parte do dístico “Ordem e Progresso”, inscrito na nova bandeira nacional.

Coube ao presidente Campos Sales (1898-1902) restabelecer a saúde das finanças nacionais por meio da política de “saneamento financeiro”, embasada no reordenamento de nossa dívida externa (funding loan) e em uma rigorosa contenção de gastos, além da elevação dos impostos. Essa política criteriosa permitiu que Rodrigues Alves (1902-06), sucessor de Campos Sales, encontrasse o Tesouro Nacional suficientemente provido para financiar as realizações do período que ficaria conhecido como “Quadriênio Progressista”.

A ação modernizadora de Rodrigues Alves desenvolveu-se em duas frentes, ambas direcionadas para fazer do Rio de Janeiro, ao menos em sua parte central, uma cidade moderna, inspirada nas grandes capitais da Europa. Essas frentes foram a urbanização do centro da capital e a implantação de uma política sanitária voltada para a erradicação das moléstias que afligiam a cidade.

A urbanização do centro do Rio, com a derrubada dos casarões transformados em cortiços, obrigou a população de baixa renda que neles residia a se deslocar para os morros e subúrbios, dificultando seu acesso aos locais de trabalho. Essa circunstância, somada à alta do custo de vida e à diminuição da oferta de emprego herdadas do governo anterior, criou um ambiente de intenso descontentamento popular contra Rodrigues Alves.

Para alcançar o almejado saneamento da capital federal, o presidente nomeou para a Diretoria de Saúde Pública o jovem sanitarista Osvaldo Cruz, que estagiara no Instituto Pasteur de Paris. Agindo com zelo notável, o novo diretor lançou uma intensa campanha de extermínio dos ratos (vetores da peste bubônica) e do mosquito transmissor da febre amarela. Com relação à varíola, Osvaldo Cruz convenceu Rodrigues Alves a decretar a obrigatoriedade da vacinação antivariólica.

Todavia, a insuficiência de esclarecimentos e a truculência de muitos agentes sanitários (a ação desses funcionários era apoiada pela polícia) elevaram as tensões a um nível explosivo, cujo resultado foi a Revolta da Vacina de 1904. Multidões de desordeiros pertencentes às camadas populares provocaram, nos bairros em que atuaram, grandes depredações.

Apesar do ambiente politicamente conturbado, o exército manteve-se fiel ao governo (somente a Escola de Cadetes se revoltou) e reprimiu as manifestações. Assim, ao cabo de seis dias de agitação, a ordem foi restabelecida na cidade. Desde então, a medicina brasileira, no tocante à saúde pública, passou a se orientar pelo binômio “prevenção e profilaxia”.

No entanto, a despeito do conhecimento acerca das moléstias de assolavam o País, em que pese sua população mais carente, do progresso da medicina, da ampliação da cobertura vacinal para inúmeras patologias, da distribuição de medicamentos, das campanhas preventivas, da ampliação da rede médico- hospitalar, da melhora no padrão sanitário e do nível de instrução da população, os problemas que ameaçavam a saúde do Brasil do início do século XX são praticamente os mesmos do início do século XXI.

Hoje, o Brasil urbanizado e industrializado, com uma economia moderna, ainda convive com endemias e frequentemente sucumbe a epidemias, mesmo com o investimento na área de saúde, que ainda está aquém da demanda real da população.

A permanência de uma situação de vulnerabilidade, apesar da evolução da medicina e da bioquímica e dos avanços tecnológicos no setor de saúde, deve-se à existência de uma política de saúde pública ineficiente, por não abranger toda a população e por não se mostrar perene com as sucessões de governos e de gestores.

A precariedade da política de saúde pública torna, especialmente, a população de baixa renda, que não tem acesso à infraestrutura mais elementar, mais vulnerável aos humores das epidemias. Não obstante, algumas das moléstias mencionadas são endêmicas nas áreas tropicais, as quais, portanto, demandam uma ação contínua do Estado no combate a seus agentes causadores ou a seus vetores de transmissão.

*Resolução Colégio Objetivo

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