Questões de Português do IME 2018 com Gabarito

Questões de Português do IME 2018 com Gabarito
(Instituto Militar de Engenharia)

PORTUGUÊS

Texto 1

A CONDIÇÃO HUMANA

A Vita Activa e a Condição Humana

Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra.

O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida. A condição humana do labor é a própria vida.

O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é compensada por este último. O trabalho produz um mundo “artificial” de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual, embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender todas as vidas individuais. A condição humana do trabalho é a mundanidade.

A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente a condição – não apenas a conditio sine qua non, mas a conditio per quam – de toda a vida política. Assim, o idioma dos romanos – talvez o povo mais político que conhecemos – empregava como sinônimas as expressões “viver” e “estar entre os homens” (inter homines esse), ou “morrer” e “deixar de estar entre os homens” (inter homines esse desinere). Mas, em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos que esta versão da criação do homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou o Homem (adam) – a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da multiplicação¹. A ação seria um luxo desnecessário, uma caprichosa interferência com as leis gerais do comportamento, se os homens não passassem de repetições interminavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir.

As três atividades e suas respectivas condições têm íntima relação com as condições mais gerais da existência humana: o nascimento e a morte, a natalidade e a mortalidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência do indivíduo, mas a vida da espécie. O trabalho e seu produto, o artefato humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida em que se empenha em fundar e preservar corpos políticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para a história. O labor e o trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar o mundo para o constante influxo de recémchegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta. Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de natalidade. Além disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico.

A condição humana compreende algo mais que as condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. O mundo no qual transcorre a vita activa consiste em coisas produzidas pelas atividades humanas; mas, constantemente, as coisas que devem sua existência exclusivamente aos homens também condicionam os seus autores humanos. Além das condições nas quais a vida é dada ao homem na Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens constantemente criam as suas próprias condições que, a despeito de sua variabilidade e sua origem humana, possuem a mesma força condicionante das coisas naturais. O que quer que toque a vida humana ou entre em duradoura relação com ela, assume imediatamente o caráter de condição da existência humana. É por isso que os homens, independentemente do que façam, são sempre seres condicionados. Tudo o que espontaneamente adentra o mundo humano, ou para ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da condição humana. O impacto da realidade do mundo sobre a existência humana é sentido e recebido como força condicionante. A objetividade do mundo – o seu caráter de coisa ou objeto – e a condição humana complementam-se uma à outra; por ser uma existência condicionada, a existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana.
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981. pp. 15-17 (texto adaptado).

¹ Quando se analisa o pensamento político pós-clássico, muito se pode aprender verificando-se qual das duas versões bíblicas da criação é citada. Assim, é típico da diferença entre os ensinamentos de Jesus de Nazareth e de Paulo o fato de que Jesus, discutindo a relação entre marido e mulher, refere-se a Gênesis 1:27 “Não tendes lido que quem criou o homem desde o princípio fê-los macho e fêmea” (Mateus 19:4), enquanto Paulo, em ocasião semelhante, insiste em que a mulher foi criada “do homem” e, portanto, “para o homem”, embora em seguida atenue um pouco a dependência: “nem o varão é sem mulher, nem a mulher sem o varão” (1 Cor.11:8-12). A diferença indica muito mais que uma atitude diferente em relação ao papel da mulher. Para Jesus, a fé era intimamente relacionada com a ação; para Paulo, a fé relacionava-se, antes de mais nada, com a salvação. Especialmente interessante a este respeito é Agostinho (De civitate Dei xii.21), que não só desconsidera inteiramente o que é dito em Gênesis 1:27, mas vê a diferença entre o homem e o animal no fato de ter sido o homem criado unum ac singulum, enquanto se ordenou aos animais que “passassem a existir vários de uma só vez” (plura simul iussit existere). Para Agostinho, a história da criação constitui boa oportunidade para salientar-se o caráter de espécie da vida animal, em oposição à singularidade da existência humana.

Texto 2

DAS VANTAGENS DE SER BOBO

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando.".

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos (i) espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

(ii) desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para (iii) compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?".

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais (iv) pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
LISPECTOR, Clarice. Das vantagens de ser bobo. Disponível em: http://www.revistapazes.com/das-vantagens-de-ser-bobo/. Acesso em 10 de maio de 2017. Originalmente publicado no Jornal do Brasil em 12 de setembro de 1970.

Texto 3

EXAUSTO

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes
PRADO, Adelia. Exausto. Disponível em:
<http://byluleoa-tecendopalavras.blogspot.com.br/>. Acesso em 31/07/17.

QUESTÃO 01
IME 2018: Leia atentamente os trechos do texto 1 que foram recortados abaixo:

I. A ação, única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo (linhas 15 a 17);

II. A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir (linhas 31 a 33);

III. Além disto, como a ação é a atividade política por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central do pensamento político, em contraposição ao pensamento metafísico (linhas 47 a 49).

Dentre as opções abaixo, uma está em desacordo com as ideias destacadas acima. Aponte-a.

(A) A marca da pluralidade entre os homens é anunciada como um dos alvos principais para o pensamento a ser desenvolvido pela filósofa Hannah Arendt na obra aqui destacada.

(B) A individualidade é garantida apesar da pluralidade.

(C) A expressão “atividade política” que aparece no texto 1 é uma referência direta à política partidária que reconhecemos nas sociedades ocidentais.

(D) Os três períodos destacados do texto 1 revelam preocupações com questões relacionadas à ação e à alteridade.

(E) O período destacado em III anuncia a predisposição da autora em discutir inquietações filosóficas dando ênfase ao nascimento e não à morte.

Resposta.

QUESTÃO 02
IME 2018: Marque a opção, dentre os trechos a seguir retirados do texto 1, em que o conectivo destacado em negrito é um recurso coesivo sequencial, ou seja, promove progressão argumentativa.

(A) O labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida (linhas 5 a 7).

(B) (…) Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual (linhas 12 e 13),

(C) (…) O labor e o trabalho, bem como a ação, têm também raízes na natalidade, na medida em que sua tarefa é produzir e preservar o mundo (linhas 40 e 41)

(D) para o constante influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em conta (linhas 41 a 43).

(E) Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a condição humana da natalidade (linhas 43 e 44);

Resposta.

QUESTÃO 03
IME 2018: Considere o trecho do texto 1 abaixo, leia as assertivas e marque a alternativa correta:

O trabalho e seu produto, o artefato humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao caráter efêmero do corpo humano (linhas 36 a 38).

I. ...“emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal” (linhas 37 e 38) é consequência positiva do trabalho humano, uma vez que confere sentido e significado à sua efêmera vida na Terra.

II. A autora afirma que a vida humana é fútil devido ao fato de o produto do trabalho humano ser efêmero.

III. A autora afirma que a efemeridade da vida humana na Terra é aliviada pela eterna e durável permanência do artefato humano, o qual traz sentido e solução a quaisquer dificuldades que os homens possam enfrentar em sua existência.

(A) Apenas a assertiva I é verdadeira.
(B) Apenas a assertiva III é verdadeira.
(C) São verdadeiras apenas as assertivas I e II.
(D) São verdadeiras apenas as assertivas II e III.
(E) Todas as assertivas são verdadeiras.

Resposta.

QUESTÃO 04
IME 2018: Observe o trecho do texto 1 abaixo destacado:

Não obstante, das três atividades, a ação é a mais intimamente relacionada com a
condição humana da natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento pode fazerse
sentir no mundo somente porque o recém-chegado possui a capacidade de iniciar algo
novo, isto é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades humanas possuem um
elemento de ação e, portanto, de natalidade (linhas 43 a 47).

A ênfase na “condição humana da natalidade” justifica-se

(A) porque a ação de nascer apenas pode ocorrer a partir de um corpo feminino.
(B) pelas embricadas relações entre o indivíduo e sua capacidade de agir, de iniciar algo, de trazer novidade ao mundo.
(C) pelo fato de ser uma escrita produzida a partir de um olhar feminino.
(D) por contradizer a questão metafísica relacionada à morte.
(E) por trazer junto dessa ênfase um apelo ao feminismo.

Resposta.

QUESTÃO 05
IME 2018: Leia atentamente o trecho abaixo destacado, retirado do texto 1.

Mas, em sua forma mais elementar, a condição humana da ação está implícita até mesmo em
Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos que esta versão da criação do
homem diverge, em princípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou o Homem
(adam) – a ele, e não a eles, de sorte que a pluralidade dos seres humanos vem a ser o
resultado da multiplicação (linhas 22 a 27).

Em (macho e fêmea Ele os criou) a forma pronominal os refere-se

(A) ao termo latino adam.
(B) ao elemento catafórico expresso pela palavra Deus.
(C) às palavras Homem e adam simultaneamente.
(D) à expressão “pluralidade dos seres humanos”.
(E) às palavras macho e fêmea.

Resposta.

QUESTÃO 06
IME 2018: Observe o trecho do texto 1 abaixo destacado:

(…) A ação seria um luxo desnecessário, uma caprichosa interferência com as leis gerais do
comportamento, se os homens não passassem de repetições interminavelmente
reproduzíveis do mesmo modelo, todas dotadas da mesma natureza e essência, tão
previsíveis quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. (linhas 27 a 30).

A forma verbal seria, destacada no trecho acima,

(A) expressa surpresa ou indignação.
(B) fala de algo incerto.
(C) indica um fato que está condicionado a uma outra ação.
(D) introduz um pedido ou desejo de forma mais educada.
(E) trata de um acontecimento futuro em relação a outro já ocorrido.

Resposta.

QUESTÃO 07
IME 2018: Considere as seguintes definições do “bobo” em comparação ao “esperto”, apontadas no texto 2:

I. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída (linha 4).

II. o bobo é um Dostoievski (linha 9).

III. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil (linhas 24 e 25).

IV. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida (linhas 26 e 27).

V. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie (linha 27).

Dentre os pares de adjetivos abaixo listados, qual está em acordo com as definições do “bobo” elencadas acima?

(A) Sagaz - atento.
(B) Rápido – vigilante.
(C) Perspicaz - astuto.
(D) Ágil - enérgico.
(E) Sábio - engenhoso.

Resposta.

QUESTÃO 08
IME 2018: Observe os conectivos destacados no trecho abaixo, retirado do texto 2. Assinale a opção em que a análise semântica está de acordo com a que foi estabelecida no texto.

(…) ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a
Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não
funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão
estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em
contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar
tranquilo, enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto
vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu (linhas 11 a 17).

(A) O conectivo porque estabelece uma relação de consequência.
(B) O advérbio sequer introduz uma ideia de exceção.
(C) A expressão tão... que estabelece uma relação de causa.
(D) O conectivo portanto estabelece uma ideia de finalidade.
(E) O conectivo enquanto estabelece ideia de comparação.

Resposta.

QUESTÃO 09
IME 2018: Marque a opção que completa corretamente os claros encontrados no texto 2, abaixo destacados:

Os espertos estão sempre tão atentos (i) espertezas alheias (linhas 6 e 7);

(ii) desvantagem, obviamente (linha 10);

confiou na palavra de um desconhecido para (iii) compra de um ar refrigerado de segunda mão (linhas 10 e 11);

Há lugares que facilitam mais (iv) pessoas serem bobas (linha 29).

(A) às – Há – a – às
(B) as – A – à – as
(C) às – Há – a – as
(D) às – A – a – às
(E) as – A – à – às

Resposta.

QUESTÃO 10
IME 2018: Considere o trecho abaixo, retirado do texto 2:

Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem (linhas 27 e 28).

A autora discorre sobre a posse de um saber. A respeito desse saber, podemos afirmar que

(A) os bobos que se fazem de bobos estão praticando, na verdade, a sabedoria que os espertos deveriam ter.

(B) os bobos que aparentemente se fazem de bobos estão praticando, na verdade, a sabedoria dos espertos.

(C) os bobos, por serem naturalmente criativos, comprovam possuir a sabedoria necessária para vencer.

(D) os bobos, por serem naturalmente criativos, não permitem que ninguém desconfie de sua dissimulada esperteza, que nada mais é do que produto de sua criatividade; assim definimos sua estratégia para vencer na vida.

(E) os bobos acabam por se tornar espertos e, por isso, ganham as lutas da vida, já que não se importam que “saibam que eles sabem”.

Resposta.

QUESTÃO 11
IME 2018: Sobre as considerações a respeito de ser esperto vs. ser bobo encontradas no texto 2, assinale o par de análises que destoa das considerações feitas pela autora.

(A) Os espertos pretendem conquistar o mundo pela sagacidade; o bobo ganha o mundo por sua espontaneidade.

(B) Os espertos muitas vezes atingem seus objetivos; os bobos podem ser facilmente ludibriados.

(C) O esperto preocupa-se todo o tempo em entender o mundo para tirar proveito desse entendimento; ser bobo é sentir o mundo e tomar parte nele.

(D) Os sentimentos do esperto são mais intensos que os do bobo; o coração do bobo é pouco acessível.

(E) O esperto é prevenido; o bobo muitas vezes precisa lidar com complicações em que se mete por ser bobo.

Resposta.

QUESTÃO 12
IME 2018: Na frase “só o bobo é capaz de excesso de amor” (texto 2, linhas 33 e 34), a semântica da palavra , nesse contexto,

(A) estabelece comparação entre bobos e espertos e funciona como adjetivo.

(B) evidencia a solidão dos que são bobos num mundo em que a quase totalidade das pessoas são espertas. Funciona como adjetivo.

(C) modifica o sentido do substantivo amor, sendo, por isso, um advérbio.

(D) incide sobre o adjetivo capaz, intensificando essa capacidade que apenas os bobos têm. Funciona, portanto, como advérbio.

(E) tem valor restritivo quanto ao mundo dos que são capazes de excesso de amor e funciona como um advérbio que se refere à palavra bobo.

Resposta.

QUESTÃO 13
IME 2018: A respeito da forma verbal quero (texto 3, versos 1 e 5), podemos afirmar que

(A) expressa a busca por um relacionamento do homem com o seu interior.

(B) revela a alegria do ser humano em ser um explorador de novas terras, novos ambientes.

(C) comprova um ciclo incessante de buscas por objetivos vazios por parte do ser humano, os quais só trazem cansaço e angústia.

(D) salienta o insaciável e sempre destrutivo relacionamento do homem com a natureza e os recursos que ela pode trazer à vida humana na Terra.

(E) reporta a atenção do leitor aos ciclos repetitivos do homem em busca do objetivo de ser feliz sem depender de ninguém, somente da natureza que o cerca.

Resposta.

QUESTÃO 14
IME 2018: O vocábulo raízes (texto 3, verso 9) se contrapõe a

(A) semente.
(B) palha de um pequeno sonho.
(C) horas a fio.
(D) licença.
(E) perdão.

Resposta.

QUESTÃO 15
IME 2018: Nas opções abaixo, encontram-se cinco afirmações sobre o texto 3. Qual delas está estritamente relacionada à escolha lexical feita pela autora?

(A) As pessoas trabalham tanto que ultrapassam seus próprios limites.

(B) Produzir é fundamental ao consumismo, ao mercado. Isso é tão fortemente marcado em nossa sociedade que estar a toa por um momento pode parecer uma falha grave.

(C) Descansar é fundamental ao ser humano e só por meio do descanso pode-se repor as energias necessárias para o funcionamento do organismo.

(D) Licença e perdão indicam que o desejo expresso no poema não é usualmente algo de que se usufrui.

(E) Atualmente vive-se em constante agitação e isso tem levado a humanidade a um estado depressivo.

Resposta.

QUESTÃO 16
IME 2018: A respeito dos versos abaixo (texto 3, versos 3 e 4),

sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.

podemos afirmar que

(A) indicam uma opção por um descanso em áreas afastadas dos grandes centros urbanos, onde o contato com a natureza é possível.

(B) expressam o objetivo da autora em querer conquistar bens materiais que promovam uma vida confortável; dar espaço aos “sonhos” prejudicaria esse processo.

(C) revelam o desejo de um descanso necessário a quem se reconhece portador de um extremo cansaço; sonhar não é objetivo principal dessa pausa.

(D) produzem, no leitor, a certeza de que o ato de sonhar traz, ao ser humano, mais uma obrigação do que um prazer para aquele que quer vencer.

(E) comprovam que o ato de sonhar é próprio do “sono profundo das espécies”, por isso, a autora o busca.

Resposta.

QUESTÃO 17
IME 2018: Qual das palavras a seguir substituindo a palavra semente no texto 3, verso 8, acarretaria mudança de sentido?

(A) origem
(B) grão
(C) princípio
(D) vida
(E) início

Resposta.

QUESTÃO 18
IME 2018: Comparando-se os textos 1 e 2, é possível dizer que

(A) apesar de seus estilos completamente diversos, ambos os textos convergem para a problemática das relações interpessoais, portanto, para a ética.

(B) o texto 1 é expositivo: conceitua, define, descreve e analisa situações, enquanto o texto 2 é informativo, predominando, por isso, o sentido denotativo no uso das palavras.

(C) o texto 1 é bastante descritivo; o texto 2 é narrativo.

(D) o texto 1 discute inegavelmente questões caras à filosofia, já o texto 2 não atinge essa mesma profundidade, pois se limita a descrever relações no cotidiano.

(E) o estilo acadêmico do texto 1 é igualmente encontrado na argumentação lispectoriana.

Resposta.

QUESTÃO 19
IME 2018: Marque a opção em que a regra usada para a colocação das vírgulas é a mesma encontrada no trecho abaixo destacado:

(…) cujos crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as
necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida (texto 1,
linhas 5 a 7).

(A) (…) labor, trabalho e ação (texto 1, linha 2).

(B) O trabalho é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, existência esta não necessariamente contida no eterno ciclo vital da espécie (…) (texto 1, linhas 9 e 10).

(C) o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia (texto 2, linha 5).

(D) Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas (texto 2, linha 32).

(E) "Até tu, Brutus?" (texto 2, linha 20).

Resposta.

QUESTÃO 20
IME 2018: Considere os três textos desta prova para analisar as assertivas abaixo.

I. O desejo de ser semente (texto 3, verso 8) pode ser comparado ao labor explanado no texto 1, ou seja, aquilo que dá permanência e continuidade à vida sem que haja, necessariamente, uma ação para que essa continuidade e permanência aconteçam.

II. O texto 2 desconstrói a ideia de que “o mundo é dos espertos”.

III. As implicações de que estar no mundo é estar em constante relação com o outro são questões relativas à alteridade e não dizem respeito a nenhum dos três textos.

Assinale a opção correta:

(A) Apenas a assertiva II é verdadeira.
(B) Apenas a assertiva III é verdadeira.
(C) São verdadeiras apenas as assertivas I e II.
(D) São verdadeiras apenas as assertivas II e III.
(E) São verdadeiras as assertivas I, II e III.

Resposta.

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