Signo, Significado e Significante na Linguística de Saussure

Signo, Significado e Significante na Linguística de Saussure. A grosso modo, o Significante é o que entendemos como imagem acústica e ...
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Signo, Significado e Significante na Linguística de Saussure.

A grosso modo, o Significante é o que entendemos como imagem acústica e o Significado trata-se do conceito, conteúdo daquele que se "imagina". Juntos, e só juntos, eles formam o Signo.

Para um melhor entendimento, vamos nos aprofundar um pouco sobre o tema falando dos Princípios gerais da linguística, para chegarmos ao entendimento de Ferdinand de Saussure sobre a linguística e sua estrutura de signo (significado e significante).

A Linguística é uma disciplina e um campo do conhecimento. E em quanto disciplina é relativamente nova do início do século 20. Essa disciplina tem como objeto o estudo das línguas naturais. São as línguas que surgem espontaneamente como meio de comunicação social.

Por outro lado, se formos pensar em linguística como campo do conhecimento, aí a história dela é bem mais antiga. Desde que o homem começa a refletir sobre a sua língua e a língua dos outros homens já podemos falar sobre conhecimento sobre a linguagem.

Quando tratamos de língua, devemos falar de uma manifestação concreta da capacidade universal humana abstrata. A linguagem humana como tal não se manifesta. Ela se manifesta através das línguas naturais e de outras formas de expressão que nós costumamos chamar de linguagens. Aí temos, por exemplo, a linguagem do teatro, do cinema, dos quadrinhos, entre outros.

Para se falar de língua se faz necessário o conhecimento, sobre Ferdinand de Saussure, um linguista franco-suíço que trabalhou nos principais centros alemães no final do século 19, começo do século 20. Acredita-se hoje que ele é o estudioso responsável por ter desenhado a linguística contemporânea. A linguística como ciência da linguagem.

Ele fazia a linguística do tempo dele. A linguística histórica. E foi reconhecido e admirado no final do século 19 pelas teses que defendeu sobre, por exemplo, linguística europeia e sânscrito.

Em cursos de linguística geral ministrados por ele entre 1909 e 1911, surgiram seus pensamentos de como deveria ser uma linguística “diferente”. E o que chegou até nós não é o que ele escreveu em seus manuscritos e sim a vulgata do curso de Linguística Geral, texto que três dos seus alunos fizeram sobre as anotações deles durante as aulas de Ferdinand de Saussure.

Primeiro ele dizia que essa ciência da linguagem deve existir para defender a necessidade de haver uma ciência da linguagem autônoma, ou seja, que não fosse nem sociologia, nem psicologia, nem outra coisa qualquer. E mais, essa ciência da linguagem, além de ter que se definir, ela tem que dizer com clareza, qual é o seu objeto.

O objeto dessa ciência deve ser um objeto coletivo. Não individual. Com isso, ele divide o mundo da linguagem em LONGUE e PAROLE.

PAROLE: É o que se observa. A fala, o caos, a variabilidade.
LONGUE: é o sistema inconsciente presente no cérebro de todos os indivíduos.

Sendo este último, o objeto da linguística e o objetivo do linguista é descrever este sistema.

“Qual é o objeto ao mesmo tempo integral e concreto da linguística? A questão é particular mente difícil, veremos mais tarde porque, limitemo-nos aqui a esclarecer a dificuldade...”
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de linguística geral. SP. Cultrix, 1975 – pg. 15.

Outras ciências trabalham com objetos dados previamente e que se pode considerar em seguida vários pontos de vista. No campo na linguística nada de semelhante ocorre.

Alguém pronuncia a palavra “nu”. Um observador superficial será tentado a ver nela um objeto linguístico completo. Porém, um exame mais atento, nós levará a encontrar no caso, uma após outra, três ou quatro coisas perfeitamente diferentes, conforme a maneira pela qual consideramos a palavra. Como som, como expressão de uma ideia, como correspondente ao latim “nudus”.

Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista. Diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto. Com isso, podemos dizer que a linguagem é extremamente complexa, heteróclita, e nós devemos, no circuito da fala, eleger aquela dimensão que é comum a todas.

Heteróclito é algo constituído por elementos variados; pouco homogêneas.

O Circuito da Fala explica isso?

“Para achar no conjunto da linguagem a esfera que corresponde à língua, necessário se faz colocarmo-nos no lugar do ato individual que permite constituir o Circuito da Fala”.
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de linguística geral. SP. Cultrix, 1975 – pg. 19.

Esse ato supõe pelo menos dois indivíduos. É o mínimo exigido para que o circuito seja completo.

Imagine então, uma pessoa A e outra B, conversando. O ponto de partida do circuito é o cérebro da pessoa A, onde os fatos de consciência (conceitos) se acham associados a representações dos signos linguísticos ou imagens acústicas que servem para exprimi-los.

Agora, suponhamos que um dado conceito suscite no cérebro uma imagem acústica corespondente. Este é um fenômeno inteiramente psíquico de um Processo Fisiológico. Assim, o cérebro transmite aos órgãos da fonação um impulso correlativo da imagem.

Em seguida, ondas sonoras propagam da boca de A até o ouvido de B em um processo puramente físico. Posteriormente, em B, o circuito se prolonga em uma ordem inversa, do ouvido ao cérebro, em uma transição fisiológica da imagem acústica. No cérebro a associação psíquica dessa imagem com o conceito correspondente surge para B. Se este fala, esse novo ato se seguira do seu cérebro para o de A.

O Signo Linguístico então vai unir duas imagens e não um nome e uma coisa. Ou seja, você tem uma experiência de árvore, casa, medo, liberdade, democracia, qualquer coisa, no seu mundo.

Essa experiência é, segundo Saussure, conceptualizada no cérebro e associada a uma representação sonora. Que ainda não é som, pois está no seu cérebro.

Para psicologia da época essas imagens mentais se compunham sempre por associação.

Sintagma – Paradigma

Os signos se organizam por associação e por cadeia, mas o linguista deve privilegiar as associações, os paradigmas. Os sintagmas ficariam mais para o lado da PAROLE.

Temos aí um mundo dicotômico. Dividido em dois. Como já citamos, dividido por ele em LANGUE e PAROLE.

Novamente,

Sendo LANGUE o sistema psíquico depositado no cérebro dos indivíduos. Esse é o sistema de signos. E signos são entidades de duas fases. A conceptual e a representação, sendo elas por SAUSSURE, chamadas, respectivamente, de significado e significante.

Logo, temos um sistema simultâneo de signos que se opõe a dimensão diacrônica da linguagem. Para Saussure, essa dimensão diacrônica não é sistêmica. Ou seja, o individuo que fala não tem consciência de como era sua língua a 100 ou 200 anos atrás. Todavia, o linguista deve se atentar a essa dimensão sincrônica do sistema cerebral.

Segundo Maria Cristina Altman, Coordenadora do CEDOCH – USP, é como se Saussure quisesse nos mostrar que o mundo científico tem de ser construído e recortado, pois ao invés de enxergamos as línguas isoladamente na sua evolução ao longo do tempo (como era a linguística histórica) tente enxerga-la de outra dimensão. Vendo seus elementos contemporâneos sistêmicos.

No jogo de xadrez é relativamente fácil distinguir o externo do interno, ou seja, o que faz parte do jogo mesmo e o que não faz.

O fato de o jogo ter passado da Pérsia para a Europa é externo a ela. Interno é tudo que concerne ao sistema e as regras. Se eu substituir as peças de madeira do xadrez por peças de marfim a troca será indiferente no sistema, mas se eu diminuir ou aumentar o número de peças essa mudança atingira profundamente a gramática do jogo.

“A um número de peças e essas peças funcionam de dada maneira e estão em relação umas com as outras. Elas se definem não pelo que elas são, não pelo seu material, mas pelas diferenças que apresentam entre se”, diz Maria Cristina Altman (via).

Para Saussure, tudo na língua é relacional.

Por exemplo, se vamos jogar xadrez e eu perco a torre branca não precisamos parar de jogar por conta disso. Eu posso simplesmente substituir aquela peça por uma borracha e ela funcionara como uma torre.

Essa á a ideia de um sistema de signos em Saussure.

A língua é também para Saussure comparada a uma folha de papel, diz ele: "o pensamento é anverso e o som o verso. Não se pode cortar um sem cortar o outro". Assim então, não podemos isolar o som do pensamento ou o pensamento do som.

Linguística é som e conceito. Imagine, em nosso caso aqui, o conceito sem o texto (som)... o que estaria sendo digitado ag... para... v...

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