(UNIFESP 2019) A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos

(UNIFESP 2019) A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos: (A) A cana cortada é uma foice. C...
(UNIFESP 2019) A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos:

(A) A cana cortada é uma foice.
Cortada num ângulo agudo,
ganha o gume afiado da foice
que a corta em foice, um dar-se mútuo.
Menino, o gume de uma cana
cortou-me ao quase de cegar-me,
e uma cicatriz, que não guardo,
soube dentro de mim guardar-se.

(B) Formas primitivas fecham os olhos
escafandros ocultam luzes frias;
invisíveis na superfície pálpebras
não batem.
Friorentos corremos ao sol gelado
de teu país de mina onde guardas
o alimento a química o enxofre
da noite.

(C) No espaço jornal
a sombra come a laranja,
a laranja se atira no rio,
não é um rio, é o mar
que transborda de meu olho.
No espaço jornal
nascendo do relógio
vejo mãos, não palavras,
sonho alta noite a mulher
tenho a mulher e o peixe.

(D) Os sonhos cobrem-se de pó.
Um último esforço de concentração
morre no meu peito de homem enforcado.
Tenho no meu quarto manequins corcundas
onde me reproduzo
e me contemplo em silêncio.

(E) O mar soprava sinos
os sinos secavam as flores
as flores eram cabeças de santos.
Minha memória cheia de palavras
meus pensamentos procurando fantasmas
meus pesadelos atrasados de muitas noites.

QUESTÃO ANTERIOR:
(UNIFESP 2019) A forma verbal destacada deve sua flexão ao termo sublinhado em

RESOLUÇÃO:
Os versos constantes em “Menino de Engenho” evidenciam o duro ciclo do cultivo da cana-de-açúcar, pois a cicatriz deixada pelo “gume de uma cana” vai além de uma marca física, refere-se a um registro simbólico no corpo: as cruéis condições de trabalho vividas pelos lavradores rurais.

GABARITO:
(A) A cana cortada é uma foice.
Cortada num ângulo agudo,
ganha o gume afiado da foice
que a corta em foice, um dar-se mútuo.
Menino, o gume de uma cana
cortou-me ao quase de cegar-me,
e uma cicatriz, que não guardo,
soube dentro de mim guardar-se.

PRÓXIMA QUESTÃO:
- (UNIFESP 2019) Para exprimir seu pensamento, este escritor teve de forjar uma língua que é só dele.

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