FUVEST 2020: Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público na medida

TEXTOS PARA AS QUESTÕES DE  33  A  35 . Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem ...
TEXTOS PARA AS QUESTÕES DE 33 A 35.

Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem‐nos na teia de sua linguagem, a que devemo poder de apelo estético que nos enleia; seduz‐nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...).

No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri‐lo, sentindo‐o e pensando‐o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o; e aclara‐o já pelo insight que em nós provocou.

Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel. O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando‐se, traindo‐se.

Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem.
Graciliano Ramos, Angústia.

Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante.
Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em
nota a respeito de seu livro Angústia.

FUVEST 2020
(QUESTÃO 035 - V / 062 - K / 027 - Q / 008 - X / 078 - Z)

FUVEST 2020: Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público na medida em que compõe uma atmosfera

(A) dramática, ao representar as tensões de seu tempo.

(B) grotesca, ao eliminar a expressão individual.

(C) satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso.

(D) ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo.

(E) alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira.

QUESTÃO ANTERIOR:
FUVEST 2020: Se o discurso literário “aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o”, pode‐se dizer que Luís da Silva, o narrador‐protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” porque

RESOLUÇÃO (Cursos Objetivo)
No excerto de Angústia, dado pelo examinador como base para a reflexão, Graciliano Ramos escreve: “Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo”. No comando do teste, pergunta-se por que essa obra não faz concessão ao gosto do leitor.

A resposta só pode ser a da alternativa e: “alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira”. Essa é a resposta correta, não só pelo jogo de linguagem e de sentido desse livro, mas também pela análise do professor Antônio Cândido, que afirma em ensaio célebre sobre Angústia: “Luís da Silva não segue este rumo lógico, mas vive cercado de animais que simbolizam (grifo nosso) a sua natureza conturbada: cobras, ligadas a recordações infantis, a impulsos de morte e de sexo oprimido; ratos que povoam a sua casa, roem os seus manuscritos e se identificam, em certos trechos, aos movimentos mais torpes, nele e nos outros” (“Os bichos do subterrâneo”. In Tese e antítese, p. 109). Enfim, Antônio Cândido não concordaria com a resposta oficial, pois considera os ratos e cobras como símbolos, alegoria do estado psíquico e social de Luís da Silva.

A resposta oficial, alternativa a (“dramática, ao representar as tensões de seu tempo”) abrange o conteúdo, e não o estilo, ainda que seja indissociável a relação forma/conteúdo. Se a Fuvest der essa resposta como oficial, não haveria diferença entre Angústia, “romance desagradável” segundo o próprio Graciliano Ramos, e as obras de Jorge Amado, de leitura mais fácil e agradável e que também abordam atmosfera dramática em relação às tensões do tempo, isto é, da década de 30 do século XX.

A Fuvest deve rever o gabarito dessa questão e mudá-lo, considerando não só o excerto de Graciliano Ramos, mas também, e principalmente, o sentido do livro e a análise crítica de vários estudiosos, como, por exemplo, Antônio Cândido, emérito professor da própria USP.

GABARITO:
Resposta oficial: A
Resposta correta: E

PRÓXIMA QUESTÃO:
- FUVEST 2020: No português do Brasil, a função sintática do sujeito não possui, necessariamente, uma natureza de agente, ainda que o verbo esteja na voz ativa, tal como encontrado em

QUESTÃO DISPONÍVEL EM:
Prova FUVEST 2020 com Gabarito e Resolução

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