Redação FGV-SP 2020: A gestão pode substituir a política?

Redação FGV-SP 2020: A gestão pode substituir a política?

Na era do Estado-empresa

mapa mundi 2050

Silvio Berlusconi em 1994, Donald Trump em 2016 e Emmanuel Macron em 2017: cada um deles chegou de forma invasiva à direção de um grande Estado ocidental depois de uma vitória eleitoral obtida na primeira tentativa. Esses três personagens políticos disruptivos diferem significativamente em personalidade, características psicológicas, idade e contexto de intervenção. Mas um ponto os une: eles levam a gestão para o campo político e colocam em ação o relato glorioso de sua experiência empresarial.

Eles são chefes do “Estado-empresa”. Não são os únicos dirigentes a aplicar tal modelo, que parece estar se expandindo: pode-se mencionar Mauricio Macri na Argentina, Andrej Babis na República Tcheca – que diz “gerir o Estado como uma empresa familiar” – ou ainda Recep Tayyip Erdogan, que quer “dirigir a Turquia como uma empresa”.

A atual “crise de representação política”, um clichê repetitivo, designa na verdade um fenômeno profundo, a saber, uma transição sistêmica entre o enfraquecimento do Estadonação e o fortalecimento da corporação apoiada em sua racionalidade técnico-econômica e gerencial. Essa transferência leva, por um lado, ao esvaziamento, à autolimitação ou à despolitização do Estado, reduzido à administração e à gestão, e, de outro, à politização da empresa, que expande sua esfera de poder muito além de sua atividade tradicional de produção.
Pierre Musso- Professor do Instituto de Estudos Avançados de Nantes, França.
Le Monde Diplomatique Brasil. Maio, 2019. Adaptado.

Gestão de negócios x Gestão política

Tomando a definição dicionarial como norte, para evitar qualquer juízo de valor, “Política” é “a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados”. O termo “administração” aparece, portanto, como sinalização de que fazer política pressupõe fazer gestão. Outra definição, da mesma fonte, é a seguinte:

“Política é a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido, influência da opinião pública, persuasão de eleitores etc”. Neste caso, podemos notar um paralelo entre as atuações de um gestor e as de um político. Enquanto o político pertence a um partido e o organiza, o gestor pertence a uma equipe e a organiza; da mesma forma que, enquanto o político exerce influência sobre a opinião pública, o gestor influencia seu time.

Diferenças entre gestor e político

O político não pode demitir os habitantes da cidade, como pode o gestor, seus colaboradores, em diversas situações. A complexidade de uma cidade, estado ou país a governar é muito mais ampla, não só pelo número significativamente maior de cidadãos do que de membros de uma empresa ou equipe, mas também pela diversidade de condições econômicas, interesses, comportamentos e costumes. Uma organização pode, por exemplo, fomentar uma cultura que unifique seus valores e missão, mas uma cidade precisa de diversas culturas para contemplar todos os cidadãos.
https://blog.runrun.it/gestao-de-negocios-gestao-de-cidades. Adaptado.

A solução

Após a insurreição de 17 de junho
O secretário da União dos Escritores
Mandou distribuir comunicados na Alameda Stalin
Nos quais se lia que, por sua própria culpa,
O povo perdeu a confiança do governo
E só à custa de esforço redobrado
Poderá recuperá-la. Mas não seria
Mais simples para o governo
Dissolver o povo
E eleger outro?
Bertolt Brecht

Com base nos textos acima reproduzidos e em outras informações que julgar relevantes, redija uma dissertação em prosa sobre o tema: A gestão pode substituir a política?

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