(IAVE 2018) Justifique o recurso simultâneo à anáfora e à frase interrogativa a partir do sétimo verso do poema

Leia o poema. Screvo meu livro à beira-mágoa. Meu coração não tem que ter. Tenho meus olhos quentes de água. Só tu, Senhor, me dás vive...
Leia o poema.

Screvo meu livro à beira-mágoa.
Meu coração não tem que ter.
Tenho meus olhos quentes de água.
Só tu, Senhor, me dás viver.

Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar?
Quando é o Rei? Quando é a Hora?

Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,
E a despertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?

Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?

Ah, quando quererás, voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?
Fernando Pessoa, Mensagem, edição de Fernando Cabral Martins,
Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, pp. 81-82.

QUESTÃO 02
(IAVE 2018) Justifique o recurso simultâneo à anáfora e à frase interrogativa a partir do sétimo verso do poema.

QUESTÃO ANTERIOR:
(IAVE 2018) Caracterize o estado de alma do sujeito poético, expresso nos seis primeiros versos

SOLUÇÃO:
A anáfora é consubstanciada pela constante repetição de «Quando» e o seu propósito é conseguido também com a ajuda da sua inclusão em frases interrogativas (ao todo, oito). Ao repetir o vocábulo «Quando», o sujeito revela a sua ansiedade (impaciência até) pela vinda do seu senhor temporal (el-rei D. Sebastião e todo o «Encoberto», misterioso e desejado que ele simboliza) e pela vinda do seu senhor espiritual («Cristo», «Senhor»).

Se, por um lado, o sujeito poético dirige as suas interrogações a estes seus «dois senhores», o que pode parecer sinónimo de incerteza, a verdade é que, porque ele instaura uma espécie de diálogo com eles, dá mostras de que confia que «Rei» e «Cristo» hão de vir, pois está constantemente a presentificá-los. Nessa altura, trarão «A Nova Terra e os Novos Céus», esse tão almejado «sonho» de um Portugal renovado e glorioso não por méritos de diáspora (Descobrimentos), mas também por méritos intelectuais e culturais.

Em suma, associam-se ansiedade, incerteza temporal, certeza da vinda efetiva de novas «eras» e apelo insistente a Deus para que atue em si e na Pátria.

PRÓXIMA QUESTÃO:
- (IAVE 2018) Explique, com base nas duas últimas estrofes, por que razão o sujeito poético pode ser considerado um profeta.

QUESTÃO DISPONÍVEL EM:
Provas Exame Nacional de Portugal 2018 (1ª e 2ª Fase) com Soluções

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