ENEM 2020: Expoente da poesia produzida no Brasil na década de 1970 e autor de composições representativas da Tropicália

ENEM 2020: Expoente da poesia produzida no Brasil na década de 1970 e autor de composições representativas da Tropicália
Pessoal intransferível

Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.

Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, “herdeiro” da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.

E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
TORQUATO NETO. Melhores poemas de Torquato Neto.
São Paulo: Global, 2018.

ENEM 2020: Expoente da poesia produzida no Brasil na década de 1970 e autor de composições representativas da Tropicália, Torquato Neto mobiliza, nesse texto,

a) gírias e expressões coloquiais para criticar a linguagem adornada da tradição literária então vigente.

b) intenções satíricas e humorísticas para delinear uma concepção de poesia voltada para a felicidade dos leitores.

c) frases de efeito e interpelações ao leitor para ironizar as tentativas de adequação do poema ao gosto do público.

d) recursos da escrita em prosa e noções do senso comum para enfatizar as dificuldades inerentes ao trabalho do poeta.

e) referências intertextuais e anedóticas para defender a importância de uma atitude destemida ante os riscos da criação poética.

QUESTÃO ANTERIOR:

RESOLUÇÃO:
Nos trechos em que o autor afirma que ser poeta é estar em “perigo sem medo” e que “a poesia não é nada” se o poeta está a temer tudo, além de outras passagens, fica evidente que ser poeta, em sua visão, é ter uma posição combativa e destemida em relação à criação poética. Tal visão é reforçada na conclusão onde se afirma que não pode berrar quem não se arrisca. Nota-se a intertextualidade quando há a referência ao poema de Ferreira Gullar, “Como dois e dois são quatro” e à letra da canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil, “Divino, Maravilhoso”.

GABARITO:
 e) referências intertextuais e anedóticas para defender a importância de uma atitude destemida ante os riscos da criação poética.

PRÓXIMA QUESTÃO:

QUESTÃO DISPONÍVEL EM:

COMENTÁRIOS

Todas as Postagens Não foram encontradas postagens VEJA TODOS Leia Mais Resposta Cancelar resposta Deletar Por Home PAGINAS POSTS Veja todos RECOMENDADOS PARA VOCÊ Tudo Sobre ARQUIVOS BUSCAR TODOS OS POSTS Nenhuma postagem foi encontrada Voltar para Home Domingo Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Sep Out Nov Dez Agora mesmo 1 minuto atrás $$1$$ minutos agora 1 hora atrás $$1$$ horas atrás Ontem $$1$$ dias atrás $$1$$ semanas atrás mais de 5 semanas atrás Seguidores Seguir CONTEÚDO PREMIUM BLOQUEADO PASSO 1: Compartilhar em uma rede social PASSO 2: Clique no link na sua rede social Copiar todo o código Selecionar todo o código Todos os códigos foram copiados Não é possível copiar os códigos / textos, pressione [CTRL] + [C] para copiar Tabela de conteúdo