A característica da estética barroca presente na passagem do Sermão está identificada corretamente em

A característica da estética barroca presente na passagem do Sermão está identificada corretamente em
As questões (13) a (14) referem-se ao texto a seguir.

Sermão de Santo António

Pregado na cidade de S. Luiz do Maranhão, anno de 1654

Vos estis sal terrae. S. Mateus, V, l3

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores,  sois os sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção;  mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo  tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra  se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores  não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a  não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que eles dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.

Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a  esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse  logo: [...] «Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo  fora como inútil para que seja pisado de todos.» [...] . Isto é o que  se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que se não deixa salgar,  que se lhe há-de fazer?  Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho;  mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo  António, que hoje celebramos [...]. Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento  são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o santo, mas  chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que  lhe não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso  do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos, como Cristo  aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não  podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo?

Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana;  mas o zelo da glória divina, que ardia naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças, vai-se às  praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água, António pregava e eles ouviam. (...)

VIEIRA, Padre Antônio. Disponível em: < http://www.dominiopublico.gov.br>.  Acesso em: 06 set. 

CEFET-MG - QUESTÃO 14
A característica da estética barroca presente na passagem do  Sermão está identificada corretamente em:

a) “Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes.”  (CONFLITO ENTRE RAZÃO E FÉ)

b) “Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina” (emprego de antítese)

c) “Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho;  mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português  Santo António, que hoje celebramos” (linguagem cultista)

d) “Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham  que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo?” (raciocínio conceptista)

QUESTÃO ANTERIOR:

RESOLUÇÃO:
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GABARITO:
d) “Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham  que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo?” (raciocínio conceptista)

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