A palavra falácia, utilizada no título e em algumas sentenças ao longo do texto, pode ser interpretada como

A palavra falácia, utilizada no título e em algumas sentenças ao longo do texto, pode ser interpretada como
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As questões de (01) a (08) referem-se ao texto a seguir.

A falácia do mundo justo e a culpabilização das vítimas

Por Ana Carolina Prado

“É claro que o cara que estuprou é o culpado, mas as  mulheres também ficam andando na rua de saia curta e em hora errada!”. “O hacker que roubou as fotos dessas celebridades nuas está errado, mas ninguém mandou tirar as fotos!”. “Se você trabalhar duro vai ser bem-sucedido, não importa quem você seja.  Quem morreu pobre é porque não se esforçou o bastante. ”Você sabe o que essas afirmações têm em comum?

Há algum tempo falei aqui sobre como os humanos têm  diversas formas de se enganar em relação à ideia que têm de si mesmos, quase sempre para proteger sua autoestima ou para  saciar sua vontade de estar sempre certos. Mas nosso cérebro não  nos engana só em relação a como vemos a nós mesmos: temos  também a tendência de nos iludir em relação aos outros e à vida  em geral. E as frases acima exemplificam uma maneira como isso pode acontecer: por meio da falácia do mundo justo.

Por exemplo, embora os estupros raramente tenham  qualquer coisa a ver com o comportamento ou vestimenta da vítima e sejam normalmente cometidos por um conhecido e não  por um estranho numa rua deserta, a maioria das campanhas de  conscientização são voltadas para as mulheres, não para os homens – e trazem a absurda mensagem de “não faça algo que poderia levá-la a ser violentada”.

Em um estudo sobre bullying feito em 2010 na Universidade  Linkoping, na Suécia, 42% dos adolescentes culparam a vítima por  ser “um alvo fácil”. Para os pesquisadores, esses julgamentos estão  relacionados à noção – amplamente difundida na ficção – de que  coisas boas acontecem a quem é bom e coisas más acontecem a quem merece. A tendência a acreditar que o mundo é assim é  chamada, na psicologia, de falácia do mundo justo. “Não importa  quão liberal ou conservador você seja, alguma noção dela entra na  sua reação emocional quando ouve sobre o sofrimento dos outros”,  diz o jornalista David McRaney no livro “Você não é tão esperto  quanto pensa”. Ele acrescenta que, embora muitas pessoas não  acreditem conscientemente em carma, no fundo ainda acreditam  em alguma versão disso, adaptando o conceito para a sua própria cultura.

E dá para entender por que somos levados a pensar  assim: viver em um mundo injusto e imprevisível é meio assustador e  queremos nos sentir seguros e no controle. O problema é que crer  cegamente nisso leva a ainda mais injustiças, como o julgamento  de que pessoas pobres ou viciadas em drogas são vagabundas  [...], que mulher de roupa curta merece ser maltratada ou que  programas sociais são um desperdício de dinheiro e uma muleta  para preguiçosos. Todas essas crenças são falaciosas porque partem  do princípio de que o sistema em que vivemos é justo e cada um tem exatamente o que merece.

[...] a falácia do mundo justo desconsidera os inúmeros  outros fatores que influenciam quão bem-sucedida a pessoa vai  ser, como o local onde ela nasceu, a situação socioeconômica da  sua família, os estímulos e situações pelas quais passou ao longo da  vida e o acaso. Programas sociais e ações afirmativas não rompem  o equilíbrio natural das coisas, como seus críticos podem crer – pelo contrário, a ideia é justamente minimizar os efeitos da injustiça  social. Uma pessoa extremamente pobre pode virar a dona de uma  empresa multimilionária, mas o esforço que vai ter de fazer para chegar lá é muito maior do que o esforço de alguém nascido em uma família rica que sempre teve acesso à melhor educação e a bons contatos. “Se olhar os excluídos e se questionar por que eles não conseguem sair da pobreza e ter um bom emprego como  você, está cometendo a falácia do mundo justo. Está ignorando as bênçãos não merecidas da sua posição”, diz McRaney.

Em casos de abusos contra outras pessoas, como bullying ou  estupro, a injustiça é ainda maior, pois eles nunca são justificados  – e aí a falácia do mundo justo se mostra ainda mais perversa.  Portanto, toda vez que você se sentir movido a dizer coisas como “O estuprador é quem está errado, é claro, mas…”, pare por aí. O que vem depois do “mas” é quase sempre fruto de uma tendência a ver o mundo de uma forma distorcida só para ele parecer menos injusto.
Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs>. Acesso em: 02 set. 2014  (Adaptado)

CEFET-MG - QUESTÃO 02
A palavra falácia, utilizada no título e em algumas sentenças ao  longo do texto, pode ser interpretada como

a) ineficácia.

b) inverdade.

c) ingenuidade.

d) incompetência.

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RESOLUÇÃO:
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GABARITO:
b) inverdade.

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