A visão do eu-lírico no texto I

LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 20 A 22 : I.  Suave mari magno * Lembra-me que, em certo dia,  Na...
LEIA OS SEGUINTES TEXTOS DE MACHADO DE ASSIS PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 20 A 22:

I. 
Suave mari magno*

Lembra-me que, em certo dia, 
Na rua, ao sol de verão, 
Envenenado morria 
Um pobre cão. 

Arfava, espumava e ria, 
De um riso espúrio e bufão, 
Ventre e pernas sacudia 
Na convulsão. 

Nenhum, nenhum curioso 
Passava, sem se deter, 
Silencioso, 

Junto ao cão que ia morrer, 
Como se lhe desse gozo 
Ver padecer. 
Machado de Assis. Ocidentais.

*Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, mari magno, turbantibusaequora ventis/ E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”). 

II. 
Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. XVIII.

III. 
Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido: 
– Que foi? perguntou ele. 
– Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei? 
(...) 
– Sonhei que estavam matando você. 
Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor. 
Machado de Assis. Quincas Borba, cap. CLXI.

FUVEST 2022 - QUESTÃO 20
A visão do eu-lírico no texto I

(A) volta-se nostálgica para as imagens de uma lembrança. 

(B) centra-se com desprezo na figura do animal agonizante. 

(C) apreende displicentemente o movimento dos transeuntes. 

(D) ganha distância da cena para captar todos os seus aspectos.

(E) apresenta o espectador da crueldade como um ser incomum.

QUESTÃO ANTERIOR:

RESOLUÇÃO (Cursos Objetivo):
O ponto de vista do eu lírico deste poema é o de um observador que analisa com distanciamento crítico todos os aspectos de uma cena trágica. A ausência de compaixão é notável nos traseuntes que se deparam com a agonia do cão como se tivessem prazer.

GABARITO:
(D) ganha distância da cena para captar todos os seus aspectos.

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QUESTÃO DISPONÍVEL EM:

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