Na frase “O FOXP2 é um gene existente também em outros primatas, como chimpanzés e gorilas, mas em quantidade muito reduzida” (linhas 23-24)

Leia o texto a seguir para responder às questões de 5 a 9.

O FOXP2 e a genética da linguagem

Em outubro de 2001, um geneticista inglês chamado Anthony Monaco, professor da Universidade de Oxford e integrante do Projeto Genoma Humano, anunciou a descoberta do primeiro gene que aparentemente está destinado a controlar a capacidade linguística humana: o FOXP2. Monaco estudou diversas gerações da família Smith* e constatou que todos os seus membros possuíam distúrbios de linguagem que não estavam associados a algum problema físico superficial como língua presa, audição ineficiente, etc.

Esses distúrbios diziam respeito à conjugação verbal, à distribuição e à referencialidade dos pronomes, à elaboração de estruturas sintáticas complexas, como as orações subordinadas. O interessante é que os avós, pais, filhos e netos da família Smith não possuíam aparentemente nenhum outro distúrbio cognitivo além desses problemas com o sistema linguístico. Monaco analisou amostras de DNA dessa família e descobriu que uma única unidade de DNA de um só gene estava corrompida. O FOXP2 é um dos setenta genes diferentes que compõem o cromossomo 7, que é responsável pela arquitetura genética do cérebro humano. Esse gene, o FOXP2, possui 2.500 unidades de DNA, e só uma delas apresenta problemas na genética da família Smith. 

Monaco estava quase certo de que esse gene deveria ser o responsável pela capacidade genética associada à linguagem, e teve certeza disso quando descobriu o jovem inglês John*, que não possuía parentesco com os Smith, mas apresentava os mesmos distúrbios linguísticos que os membros dessa família. Monaco analisou o FOXP2 de John e constatou o que presumia: John apresentava um defeito na mesma unidade de DNA do FOXP2 deficiente da família Smith. Daí o geneticista proclamou o que pode ser a descoberta do primeiro gene responsável pela genética da linguagem humana.

Independentemente de as pesquisas de Anthony Monaco serem confirmadas ou não – e há muitos geneticistas que as refutam –, o importante é que elas abriram ou aprofundaram a discussão, fora do âmbito da linguística, sobre as bases genéticas da linguagem humana. O FOXP2 é um gene existente também em outros primatas, como chimpanzés e gorilas, mas em quantidade muito reduzida – e isso pode explicar a limitada capacidade de comunicação linguística desses animais.

De fato, se o mapeamento dos genes humanos apontar, como a hipótese do FOXP2 esboça, a existência de genes cuja função na genética de nossa espécie é controlar o uso de pronomes, a construção de orações subordinadas, a flexão de verbos, etc., então a faculdade da linguagem e sua disposição na Gramática Universal (GU), através de princípios e parâmetros, podem passar a ser consideradas não mais hipóteses abstratas mas sim fatos do mundo natural. Consequentemente, a linguística travará diálogo ainda mais forte com as ciências naturais.
*Nomes fictícios
KENEDY, Eduardo. Gerativismo. In: MARTELOTTA, Eduardo (org.).
Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008. p. 138-9. (Adaptado).

UEG 2021 - QUESTÃO 09
Na frase “O FOXP2 é um gene existente também em outros primatas, como chimpanzés e gorilas, mas em quantidade muito reduzida” (linhas 23-24), o conector “mas” indica, entre os termos que liga, uma relação semântica

a) adversativa
b) conclusiva
c) concessiva
d) aditiva
e) causal

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
a) adversativa

RESOLUÇÃO:
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