O cronista dirige-se diretamente a seu leitor no seguinte trecho:

Leia a crônica “Os pobres homens ricos”, de Rubem Braga, para responder às questões de 09 a 13.

Um amigo meu estava ofendido porque um jornal o chamou de boa-vida. Vejam que país, que tempo, que situação! A vida deveria ser boa para toda gente; o que é insultuoso é que ela o seja apenas para alguns.

“Dinheiro é a coisa mais importante do mundo.” Quem escreveu isso não foi nenhum de nossos estimados agiotas. Foi um homem que a vida inteira viveu de seu trabalho, e se chamava Bernard Shaw. Não era um cínico, mas um homem de vigorosa fé social, que passou a vida lutando, a seu modo, para tornar melhor a sociedade em que vivia — e em certa medida o conseguiu. Ele nos fala de alguns homens ricos: “Homens ricos ou aristocratas com um desenvolvido senso de vida — homens como Ruskin, William Morris, Kropotkin — têm enormes apetites sociais... não se contentam com belas casas, querem belas cidades... não se contentam com esposas cheias de diamantes e filhas em flor; queixam-se porque a operária está malvestida, a lavadeira cheira a gim, a costureira é anêmica, e porque todo homem que encontra não é um amigo e toda mulher não é um romance... sofrem com a arquitetura da casa do vizinho...” 

Esse “apetite social” é raríssimo entre os nossos homens  ricos; a não ser que “social” seja tomado no sentido de “mundano”. E nossos homens de governo têm uma pasmosa desambição de governar.

Vi, há tempos, um conhecido meu, que se tornou muito rico, sofrer horrorosamente na hora de comprar um quadro. Achava o quadro uma beleza, mas como o pintor pedia tantos contos ele se perguntava, e me perguntava, e perguntava a todo mundo se o quadro “valia” mesmo aquilo, se o artista não estaria pedindo aquele preço por sabê-lo rico, se não seria “mais negócio” comprar um quadro de fulano. Fiquei com pena dele, embora saiba que numa noite de jantar e boate ele gaste tranquilamente aquela importância, sem que isso lhe dê nenhum prazer especial. Fiquei com pena porque realmente ele gostava do quadro, queria tê-lo, mas o prazer que poderia ter obtendo uma coisa ambicionada era estragado pela preocupação do negócio. Se não fosse pelo pintor, que precisava de dinheiro, eu o aconselharia a não comprar. Homens públicos sem sentimento público, homens ricos que são, no fundo, pobres-diabos — que não descobriram que a grande vantagem real de ter dinheiro é não ter que pensar, a todo momento, em dinheiro...
(200 crônicas escolhidas, 2017.)



UNIVESP 2021 - QUESTÃO 10
O cronista dirige-se diretamente a seu leitor no seguinte trecho:

(A) “Um amigo meu estava ofendido porque um jornal o chamou de boa-vida.” (1° parágrafo)

(B) “Vejam que país, que tempo, que situação!” (1° parágrafo)

(C) “A vida deveria ser boa para toda gente; o que é insultuoso é que ela o seja apenas para alguns.” (1° parágrafo)

(D) “Foi um homem que a vida inteira viveu de seu trabalho, e se chamava Bernard Shaw.” (2°  parágrafo)

(E) “Vi, há tempos, um conhecido meu, que se tornou muito rico, sofrer horrorosamente na hora de comprar um quadro.” (4° parágrafo)

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
(B) “Vejam que país, que tempo, que situação!” (1° parágrafo)

RESOLUÇÃO:
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