Assinale a alternativa que estabelece correlações adequadas entre o soneto de Gregório de Matos e o

Assinale a alternativa que estabelece correlações adequadas entre o soneto de Gregório de Matos e o
Leia os poemas a seguir e responda às questões 37 e 38.

Chora um bem perdido, porque o desconheceu na posse

Porque não merecia o que lograva,
Deixei como ignorante o bem que tinha,
Vim sem considerar aonde vinha,
Deixei sem atender o que deixava:

Suspiro agora em vão o que gozava,
Quando não me aproveita a pena minha,
Que quem errou sem ver o que convinha,
Ou entendia pouco, ou pouco amava.

Padeça agora, e morra suspirando
O mal, que passo, o bem que possuía;
Pague no mal presente o bem passado.

Que quem podia, e não quis viver gozando
Confesse, que esta pena merecia,
E morra, quando menos confessado.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São
Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 224.

HOWCOOL
ele foi ali na esquina
eu fiquei à deriva
ela foi tomar um chopp
eu fiquei na janela
meu amor
foi ao cinema
eu aqui virando as cartas
ele foi até a praça
ela foi brincar com fogo
eu fiquei ali na rua
meu amor
não disse onde
ela foi regar as ondas
eu fiquei aqui na fila
foi pegar um touro a unha
eu fiquei regando frases
foi embaralhar as cartas
eu fiquei virando a página
foi ali valer a pena
foi ali pra comer fogo
eu fiquei pensando à beça
ele foi lançar os dados
ela diz que tudo passa e
eu fiquei
eu fiquei
eu fiquei por isso mesmo
COLLIN, Luci. Howcool. In: A palavra algo. São Paulo,
Iluminuras, 2016. p. 21.


UEL 2022 / QUESTÃO 38
Assinale a alternativa que estabelece correlações adequadas entre o soneto de Gregório de Matos e o poema “Howcool”, de Luci Colin.

a) Os quatro últimos versos do poema de Luci Colin, apoiados na força do verbo “ficar” e na repetição, apontam a amargura sentida também pelo sujeito lírico do soneto de Gregório de Matos, com a perda do bem.

b) No soneto de Gregório de Matos, o sujeito lírico está mais implícito e contido do que no poema de Luci Colin: isso ocorre devido ao predomínio da frieza na poesia barroca.

c) O destaque acentuado do pretérito no poema de Luci Colin, em contraste com a coexistência de presente e passado no soneto de Gregório de Matos, denota o prazer do ato de rememorar experiências.

d) As referências a “ele”, “ela” e “meu amor”, no poema de Luci Colin, correspondem a “quem”, no soneto de Gregório de Matos, reforçando a equivalência entre os sujeitos líricos quanto à expressão de sentimentos.

e) A dualidade barroca expressa no soneto de Gregório de Matos não só pela exposição de passado e presente mas também pelas noções de “gozar” e “penar” é revisitada no poema de Luci Colin com as imagens de “janela” e “fila”.

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
a) Os quatro últimos versos do poema de Luci Colin, apoiados na força do verbo “ficar” e na repetição, apontam a amargura sentida também pelo sujeito lírico do soneto de Gregório de Matos, com a perda do bem.

RESOLUÇÃO:
O sujeito lírico no soneto de Gregório não é contido, nem se pode atribuir predomínio de frieza à poesia barroca. Não há prazer no “ato de rememorar experiências” no poema “Howcool”. Não há correspondência entre os termos da alternativa “d”. Os termos “janela” e “fila” não dão margem à ideia de gozo.

Leia o fragmento retirado da obra Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e responda às questões 39 e 40.

TIÃO – Papai...
OTÁVIO – Me desculpe, mas seu pai ainda não chegou. Ele deixou um recado comigo, mandou dizê pra você que ficou muito admirado, que se enganou. E pediu pra você tomá outro rumo, porque essa não é casa de fura-greve!
TIÃO – Eu vinha me despedir e dizer só uma coisa: não foi por covardia!
OTÁVIO – Seu pai me falou sobre isso. Ele também procura acreditá que num foi por covardia. Ele acha que você até que teve peito. Furou a greve e disse pra todo mundo, não fez segredo. Não fez como o Jesuíno que furou a greve sabendo que tava errado. Ele acha, o seu pai, que você é ainda mais filho da mãe! Que você é um traidô dos seus companheiro e da sua classe, mas um traidô que pensa que tá certo! Não um traidô por covardia, um traidô por convicção!
TIÃO – Eu queria que o senhor desse um recado a meu pai...
OTÁVIO – Vá dizendo.
TIÃO – Que o filho dele não é um “filho da mãe”. Que o filho dele gosta de sua gente, mas que o filho dele tinha um problema e quis resolvê esse problema de maneira mais segura. Que o filho dele é um homem que quer bem!
Adaptado de: GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 36ª ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019. p. 101-102.

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