Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas

Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas

O (não) lugar do “pardo”

Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. 

O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. 

Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]
https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo

UEMA 2022 - QUESTÃO 01
Considerando o contexto de circulação de um artigo de opinião e o propósito discursivo do produtor do texto acima, os recursos argumentativos utilizados têm a função de 

a) defender a importância da tomada de consciência acerca de condutas sociais, a fim de estancar os preconceitos  na sociedade brasileira. 

b) influenciar o leitor para um comportamento social mais ético e moral, a fim de hierarquizar a sociedade racial  brasileira. 

c) apresentar divergências raciais recorrentes, a fim de ocultar as condições de representatividade étnica.

d) ironizar práticas sociais existentes, a fim de chamar a atenção do leitor para as atitudes preconceituosas existentes na conduta brasileira.

e) refletir sobre as ideias expostas pelos intelectuais contemporâneos, a fim de ressaltar a topografia étnica brasileira.

GABARITO:
d) ironizar práticas sociais existentes, a fim de chamar a atenção do leitor para as atitudes preconceituosas existentes na conduta brasileira.

RESOLUÇÃO:
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