O primeiro parágrafo apresenta uma digressão por meio da qual o narrador apresenta um registro de sua memória

O primeiro parágrafo apresenta uma digressão por meio da qual o narrador apresenta um registro de sua memória
Texto I

Durante toda a minha vida lidei mal com as  demonstrações públicas de sofrimento. Sempre que  tive que enfrentá-las, experimentei a inquietante  sensação de que meu cérebro bloqueava a  sensibilidade, inclusive em relação a mim mesmo. Lembro-me de que, quando minha mãe morreu no  hospital, meu pai se jogou sobre seu corpo sem vida e  começou a gritar. Sabia que ele a amara durante toda  a sua vida de forma muito sincera, e eu mesmo estava  tão aturdido pela dor que mal conseguia articular uma  palavra, mas, mesmo assim, não pude evitar de sentir  que toda a cena era extraordinariamente falsa, e  aquilo me perturbou quase mais do que a morte em si.  Logo parei de sentir, o quarto me pareceu maior e  vazio, e na metade desse espaço pensei que todos  nós tínhamos ficado rígidos como estátuas. A única  coisa que eu era capaz de me repetir, sem parar, era:  “Boa atuação, papai, que boa atuação, papai...”. 

Quando vi aquela mulher gritando na praça,  tive uma sensação parecida. O cabelo desgrenhado,  as duas garotas quase adolescentes, os claros sinais  de embriaguez... havia algo tão obsceno nela que nem  sequer fiquei escandalizado com minha ausência de  compaixão. Eu a olhava da janela do meu escritório  como se a distância que nos separasse fosse  cósmica. Ela gritava, e seus gritos não faziam sentido.  Insultava alternadamente o prefeito e Camilo Ortiz,  que deveria estar escutando tudo de sua cela. Eu me  sentei e continuei trabalhando. A mulher se calou.  Houve um silêncio inesperado e então começou a  gritar de novo, mas de forma muito diferente: “Foram  as crianças! Foram as crianças!”. 
(BARBA, Andrés. República Luminosa. 
São Paulo: Todavia, 2018, p. 35)

IBFC 2022 - QUESTÃO 01
O primeiro parágrafo apresenta uma digressão  por meio da qual o narrador apresenta um  registro de sua memória. Segundo o texto, a  mudança brusca de comportamento,  registrada em “Logo parei de sentir”, deveu-se: 

a) à dificuldade inata de demonstrar sua tristeza  publicamente.

b) à percepção pessoal de que a postura do pai  era falsa. 

c) à revolta pela perda da mãe de forma tão  precoce.
 
d) ao fato de o pai ter sempre tratado a mulher com falsidade.

e) ao avanço de sua indiferença em relação à dor do outro. 

GABARITO:
b) à percepção pessoal de que a postura do pai  era falsa. 

RESOLUÇÃO:
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