As palavras “construção” (linha 1), “raízes” (linha 3), “argamassa” (linha 8), “silêncio” e “barulho” (linha 18)

Leia o texto a seguir para responder às questões de 5 a 9 . A construção da história oficial A construção de uma história oficial não é um r...
Leia o texto a seguir para responder às questões de 5 a 9.

A construção da história oficial

A construção de uma história oficial não é um recurso inócuo ou sem importância; tem um papel estratégico nas políticas de Estado, engrandecendo certos eventos e suavizando problemas que a nação vivenciou no passado mas prefere esquecer, e cujas raízes ainda encontram repercussão no tempo presente. O procedimento acaba, igualmente, por autorizar apenas uma interpretação, quando se destacam determinadas atuações e formas de sociabilidade, obliterando-se outras. O objetivo é, como mostrou Von Martius, fazer o armistício com o passado: criar um passado mítico, perdido no tempo, repleto de harmonia, mas também construído na base da naturalização de estruturas de mando e obediência. 

Esse tipo de modelo, que tem muito de imaginário e projetivo, não raro funciona como argamassa para as várias “teorias do senso comum”. E, por aqui, a história do dia a dia costuma sustentar-se a partir de quatro pressupostos tão básicos como falaciosos. O primeiro deles leva a supor que este seja, unicamente, um país harmônico e sem conflitos. O segundo, que o brasileiro seria avesso a qualquer forma de hierarquia, respondendo às adversidades sempre com uma grande informalidade e igualdade. O terceiro, que somos uma democracia plena, na qual inexistiriam ódios raciais, de religião e de gênero. O quarto, que nossa natureza seria tão especial, que nos asseguraria viver num paraíso. Por sinal, até segunda ordem, Deus (também) é brasileiro.

Longe de constituir narrativas aferíveis, esses são modelos que dizem respeito a agendas tão profundas como ambíguas, e que, por isso mesmo, funcionam na base da falta de contestação e do silêncio. E, quando persiste o silêncio, é porque existe, com certeza, excesso de barulho. Barulho e incômodo social. 

O problema é que essa espécie de história, muito pautada em mitos nacionais, de tão enraizada costuma resistir à danada da realidade. Como é possível definir o Brasil como um território pacífico se tivemos por séculos em nosso solo escravizados e escravizadas, admitindo-se, durante mais de trezentos anos, um sistema que supõe a posse de uma pessoa por outra? Lembremos que o Brasil foi o último país a abolir tal forma de trabalho forçado nas Américas — depois de Estados Unidos, Porto Rico e Cuba. 

Outra pergunta: como é possível representar o país a partir da ideia de uma suposta coesão, partilhada por todos os cidadãos, quando ainda somos campeões no quesito desigualdade social, racial e de gênero, o que é comprovado por pesquisas que mostram a existência de práticas cotidianas de discriminação de toda natureza?

Dizem que perguntar é uma forma de resistir. Pois penso que uma história crítica é aquela que sabe “desnaturalizar” o que parece dado pela biologia e que se apresenta, por consequência, como imutável. Não existe nada em nosso sangue ou no DNA dos brasileiros que indique serem todos esses elementos imunes à nossa ação humana e cidadã.

Também não é boa ideia fazer o oposto: relegar ao passado e ao “outro”, que viveu antes de nós, tudo que nos incomoda no presente. Racista é “alguém outro” (não eu mesmo), o patrimonialismo é uma herança da nossa história pregressa, a desigualdade foi consequência da escravidão, e ponto-final. O certo é que é impossível jogar num tempo distante e inatingível todas as nossas mazelas atuais.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro.
São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 21-24. (Adaptado).

UEG 2022 - QUESTÃO 06
As palavras “construção” (linha 1), “raízes” (linha 3), “argamassa” (linha 8), “silêncio” e “barulho” (linha 18), “enraizada” (linha 20) são usadas, no texto, em sentido

a) hiperbólico, tendo em vista o superdimensionamento das noções que expressam.

b) metafórico, tendo como base a terminologia de diferentes campos semânticos.

c) ambíguo, porque podem ser interpretadas em mais de um sentido no texto.

d) poético, pois enfatizam o aspecto estético e não referencial da linguagem. 

e) antitético, já que expressam noções semânticas opostas umas às outras.

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
e) antitético, já que expressam noções semânticas opostas umas às outras.

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