O que coloca Fernão Lopes fora de toda a comparação na nossa literatura e talvez em todas as literaturas é o modo como ele dá vida às multidões alvoraçadas

EXAME NACIONAL - QUESTÃO 07 «O que coloca Fernão Lopes fora de toda a comparação na nossa literatura e talvez em todas as literaturas é o mo...
EXAME NACIONAL - QUESTÃO 07
«O que coloca Fernão Lopes fora de toda a comparação na nossa literatura e talvez em todas as literaturas é o modo como ele dá vida às multidões alvoraçadas.»
M. Rodrigues Lapa, Lições de Literatura Portuguesa – Época Medieval,
9.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora, 1990, p. 410.

Baseando-se na sua experiência de leitura da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, escreva uma breve exposição sobre a emergência de uma consciência coletiva do povo português. 

A sua exposição deve incluir:
•  uma introdução ao tema;
•  um desenvolvimento no qual refira dois momentos em que as «multidões alvoraçadas» revelem o desabrochar de uma consciência coletiva;
•  uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

SOLUÇÃO:
Fernão Lopes, nas suas crónicas, rompe com uma tradição do relato histórico. Se, por um lado, não se atenta apenas nas “figuras ilustres” que encabeçaram determinados acontecimentos, por outro lado, preocupa-se em consultar várias fontes credíveis, em fazer uma pesquisa dos acontecimentos para, da forma mais verossímil, passar para o papel o relato dos acontecimentos. Na Crónica de D. João I, Fernão Lopes introduz ainda outra grande novidade: dá vida às multidões alvoraçadas. 

Com efeito, o cronista inclui no seu relato o povo (a multidão alvoraçada), que surge como uma personagem coletiva, unida por uma só vontade: a independência de Portugal face a Castela. A emergência desta consciência coletiva do povo português está bem evidente em vários momentosda primeira parte da rónica em apreço, destacando-se:

– no momento em que circula a notícia de que o Mestre de Avis corre perigo de vida, uma multidão movimenta-se em direção ao Paço, em grande agitação, para proteger aquele que pode garantir a independência de Portugal;
‒ quando planeia assaltar o Paço da Rainha, o povo de Lisboa insurge-se contra a regente, Dona Leonor, acusando-a de ser traidora, por defender os interesses castelhanos;
‒ aquando do cerco de Lisboa, todos se unem para guarnecer as muralhas e assegurar o transporte de mantimentos para dentro da cidade, permitindo a resistência ao invasor castelhano.

Em suma, o povo, a uma só voz, expressa, desde cedo, a sua lealdade ao Mestre, garante de independência. É também esse povo, essa multidão alvoraçada, que mais sofrerá com tal afronta aos castelhanos. Mas a génese de uma identidade nacional estava lançada e dura até aos nossos dias.

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