Redação UNIP 2023: Propagandas de tabaco nas redes sociais: entre a dificuldade de controle e a disseminação do vício

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Redação UNIP 2023: Propagandas de tabaco nas redes sociais: entre a dificuldade de controle e a disseminação do vício

Redação
Texto 1
A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, adotada pelos países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2003, é um tratado internacional seriamente preocupado com os impactos sobre a saúde pública de “todos os tipos de publicidade, promoção e patrocínio destinados a estimular o uso de produtos de tabaco”, como o cigarro. Em seu artigo 13, os países participantes do tratado, entre eles o Brasil, “reconhecem que a proibição total da publicidade, da promoção e do patrocínio reduzirá o consumo de produtos de tabaco” e assumem, como obrigação legal, essa proibição.

Apesar das restrições legislativas existentes no Brasil, como a proibição desse tipo de propaganda em qualquer meio de comunicação, a indústria tabagista continua investindo recursos e esforços para atrair adolescentes para o consumo de produtos de tabaco por meio de várias estratégias. Entre elas, destaca-se a violação da legislação nacional por meio de ações promocionais nas redes sociais.
(Instituto Nacional de Câncer. “Publicidade e promoção”.
www.inca.gov.br, 13.11.2020. Adaptado.)

Texto 2
Pessoas que visualizam conteúdo relacionado ao tabaco nas redes sociais são cerca de duas vezes mais propensas ao consumo de produtos com a substância do que aquelas não expostas a esse tipo de postagem, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia e da American Cancer Society. “Essa é uma ameaça à saúde pública e são necessários esforços de prevenção imediatos para coibir essa exposição”, avalia Scott Donaldson, principal autor da pesquisa. O estudo analisou tanto postagens de usuários sobre tabaco quanto conteúdos patrocinados por empresas do setor.

No Brasil, a idade média de quem experimenta tabaco entre os jovens é de 16 anos, segundo o Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco. “Quando a propaganda comercial de tabaco era feita na mídia tradicional, era possível exercer um controle maior. Nos meios digitais, por mais que haja o esforço das autoridades, o controle é difícil”, afirma Denise Fabretti, professora de ética e legislação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).Por esse motivo, novas medidas são necessárias. “É possível criar mais proteções usando softwares que sinalizem postagens e vídeos relacionados ao tabaco. Os órgãos reguladores podem considerar estratégias como abordar a prevenção ao tabaco nas escolas e oferecer programas para educar as famílias sobre os perigos das mídias sociais ao exporem os jovens ao fumo”, exemplifica Donaldson.
(Stefhanie Piovezan. “Pessoa que vê postagem sobre tabaco nas
 redes sociais tem o dobro de chance de fumar, diz estudo”. 
www.folha.uol.com.br, 20.07.2022. Adaptado.)

Texto 3
As redes sociais se concretizaram como um terreno fértil para as fabricantes de produtos de tabaco, que continuam apostando, por meio de publicações na internet, na associação do fumo com o “estilo de vida”. É o que mostra o monitoramento realizado desde 2015 pelo projeto “Onde há fumaça” (“Where There’s Smoke”, em inglês), da Campanha Tobacco Free Kids (TFK). O projeto identificou ações publicitárias de tabaco em mais de 40 países, espalhadas em redes como Instagram, Facebook e Twitter. Segundo estima a organização, as publicações foram vistas mais de 25 bilhões de vezes no mundo todo.

Mesmo com a propaganda de cigarros banida ou restrita em boa parte do mundo, as fabricantes de cigarro pagam influenciadores e promovem hashtags. “O perfil padrão dos influenciadores são jovens, atraentes e com número significativo de seguidores nas mídias sociais. As postagens são desenvolvidas para que pareçam autênticas, mas, na verdade, muitos desses influenciadores foram contratados por agências em nome das empresas tabaqueiras”, explica Debra Rosen, supervisora de estratégias de campanhas da TFK.

Debra Rosen ressalta que essa propaganda é especialmente perigosa, porque é amplamente vista pelo público jovem e difícil de ser rastreada. “Usando influenciadores das mídias sociais, grandes empresas de tabaco estão subvertendo as leis de publicidade, voando sob o radar dos órgãos reguladores dos governos e desrespeitando as políticas restritivas das plataformas de mídia social. Tudo isso faz parte de uma estratégia enganosa para viciar a próxima geração”.
(O Joio e o Trigo. “As novas velhas estratégias para camuflar a publicidade do cigarro”. www.cartacapital.com.br, 30.08.2021. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

Propagandas de tabaco nas redes sociais: entre a dificuldade de 
controle e a disseminação do vício

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