UNICAMP 2018 - Leia a seguir trechos das entrevistas concedidas pelo escritor chileno...

UNICAMP 2018 - 2ª fase - 1º Dia - Questão 02 - Língua Portuguesa 2. Leia a seguir trechos das entrevistas concedidas pelo escritor chile...
UNICAMP 2018 - 2ª fase - 1º Dia - Questão 02 - Língua Portuguesa

2. Leia a seguir trechos das entrevistas concedidas pelo escritor chileno Alejandro Zambra ao jornal Folha de São Paulo e à revista Cult sobre seu livro Múltipla Escolha, lançado no Brasil em 2017. A obra imita o formato da Prova de Aptidão Verbal aplicada de 1966 a 2002 aos candidatos a vagas em universidades no Chile.

Falando à Folha, Zambra afirma que havia na prova de múltipla escolha “uma grande sintonia com a ditadura chilena. Para entrar na universidade, teríamos que saber eliminar as orações. Havia censura, e nos aconselhavam a censurar”. E acrescenta que o sistema educacional moldava o pensamento dos alunos com “a ideia de que só existe uma resposta correta.”

Abordando o sentido crítico da escolha desse formato para a narrativa, o autor explica à Cult que, tendo sido criado nesse sistema, interessava-lhe mais a autocrítica. Escrevendo uma espécie de novela, lembrouse da prova e começou a brincar com esse formato. “No começo foi divertido, como imitar as vozes das pessoas, mas logo me dei conta de que também imitava minha própria voz, até que de repente entendi que esse era o livro. A paródia e a autoparódia, a crítica e a autocrítica, o humor e a dor...” O formato de prova oferece diversas opções para completar e interpretar cada resposta, mas pede ao leitor um movimento duplo de leitura: testar possibilidades de respostas e erigir uma opção única e arbitrária. Zambra esclarece: “me interessam todos esses movimentos da autoridade. A ilusão de uma resposta, por exemplo. Creio que este é um livro sobre a ilusão de uma resposta. Nos ensinaram isso, que havia uma resposta única, e logo descobrimos que havia muitas e isso às vezes foi libertador e outras vezes foi terrível. Quem sabe algumas vezes nós também quisemos que houvesse uma resposta única.”
(Adaptado de entrevistas de Alejandro Zambra concedidas ao jornal Folha de São Paulo e à revista Cult em maio de 2017. Disponíveis em https://revistacult.uol.com.br/home/alejandro-zambra-multipla-escolha/ e em http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/05/1885551-literatura-esta-ligada-a-desordem-diz-escritor-chileno-alejandro-zambra.shtml. Acessados em 11/12/2017.)

a) Cite dois fatores que levaram Zambra a adotar a forma narrativa empregada em Múltipla Escolha.

b) Por que Múltipla Escolha não funciona como a Prova de Aptidão Verbal chilena? Justifique sua resposta com base no tipo de leitor solicitado pela obra.

Questão anterior:
Enquanto viveu em Portugal, o escritor Mário Prata reuniu centenas de vocábulos e expressões usados no português falado na Europa que são diferentes dos termos correspondentes usados no português do Brasil. Reproduzimos abaixo um dos verbetes de seu dicionário.


Resolução:
a) Um dos fatores que levou Zambra a adotar essa forma narrativa foi o descontentamento no que tange à enunciação unívoca, isto é, uma voz única e impositiva que limita a interpretação. Esse tipo de narrativa assemelha-se à de Estados ditatoriais.

O outro fator que levou Zambra a querer incorporar esse tipo de texto foi a “postura crítica e autocrítica, o humor e a dor”. Assim, desnuda-se o autoritarismo do enunciador e desmistifica-se a resposta dada como correta pelo arbítrio de quem a pretende como tal.

b) A Prova de Aptidão Verbal chilena é autoritária, foi aplicada inclusive na vigência da ditadura de Augusto Pinochet, que se inicia em 11 de setembro de 1973, e impõe um tipo de abordagem dos problemas e admite arbitrariamente uma única resposta.

Múltipla Escolha não tem as características da Prova de Aptidão Verbal chilena porque pede uma leitura múltipla, aberta a interpretações críticas e auto críticas, não obtendo uma recepção única, fechada.

Próxima questão:
Canção é tudo aquilo que se canta com inflexão melódica (ou entoativa) e letra. Há um “ artesanato” específico para privilegiar ora a força entoativa da palavra ora a forma musical; nem só poesia nem só música.

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