Unicamp 2018 - 2ª fase - História - Questões com gabarito

Unicamp 2018 - 2ª fase - História - Questões com gabarito
Questões com Gabarito e Resolução*
1. A ideia de que a demanda de especiarias resultava da necessidade de disfarçar o gosto da carne e do peixe putrefatos é um dos grandes mitos da história da alimentação. Na Europa medieval, os alimentos frescos eram mais frescos que os atuais, pois provinham da produção local. Os alimentos em conserva mantinham-se em salga, curtição, dessecação ou gordura, assim como hoje em dia são enlatados, refrigerados, liofilizados ou embalados a vácuo. De qualquer forma, os aspectos determinantes do papel desempenhado pelas especiarias na gastronomia eram o gosto e a cultura. A cozinha muito temperada com especiarias era objeto de desejo por ser cara e por “condimentar” a posição social dos ricos e as aspirações de quem ambicionava sê-lo. Além disso, a moda gastronômica predominante na baixa Idade Média europeia imitava as receitas árabes, que exigiam sabores doces e ingredientes fragrantes: leite de amêndoa, extratos de flores aromáticas e outras iguarias orientais.
(Adaptado de Felipe Armesto-Fernández, 1492: o ano em que o mundo começou. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p.27).

A partir do texto acima e de seus conhecimentos históricos:

a) defina o que são as especiarias e explique seu significado social na Europa medieval.

b) explique como era feito o comércio de especiarias na baixa Idade Média.

Resposta.

2. Ao estudar a condição feminina no Brasil colonial não se pode ter a ingenuidade de crer numa solidariedade de gênero, acima de diferenças de raça, credo e segmento econômico.

(Adaptado de Mary del Priore, A mulher na história da colônia, em Ao sul do corpo: condição feminina, maternidade e mentalidades no Brasil colônia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993).

a) Considerando como era a mentalidade portuguesa no período mencionado, cite e explique uma função da mulher branca no processo de colonização.

b) Explique dois papeis sociais desempenhados pelas mulheres escravizadas de origem africana no contexto do Brasil colonial.

Resposta.

3. O orientalismo é um estilo de pensamento baseado em uma distinção entre Oriente e Ocidente. Quando o orientalista culto viajava para o país de sua especialização, ia sempre acompanhado de máximas inabaláveis sobre a “civilização” que estudara; eram raros os orientalistas que tinham outro interesse que não o de provar poeirentas “verdades”, aplicando-as aos nativos que não os entendiam e, portanto, eram degenerados. O Oriente precisava primeiro ser conhecido, depois invadido e possuído, e então recriado por estudiosos. (Adaptado de Edward Said, Orientalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1990).


Considerando o texto e o quadro acima reproduzido e seus conhecimentos, responda às questões:

a) Segundo Edward Said, o que era o orientalismo?

b) Identifique um elemento do Orientalismo no quadro do pintor italiano Giulio Rosati (1858-1917) e explique esse elemento.

Resposta.

4. No dia seguinte ao decreto da Libertação, negros e negras deixaram apressadamente os lugares onde tinham vivido durante longo tempo nas humilhações da escravidão e, das fazendas e sítios, afluíram em direção às cidades próximas. A maior parte desses novos cidadãos livres tinha pequenas economias. Ora, seu primeiro ato foi correr às lojas de calçados.
(Adaptado de Louis Albert Gaffre, Visions du Brésil. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1912, p. 205. Disponível em: https://archive.org/details/visionsdubrsil00gaff. Acessado em 01/08/2017.)

a) Considerando o depoimento citado, explique um significado social do uso do sapato na época.

b) Nomeie duas estratégias de sobrevivência dos brancos pobres, mestiços e forros no período do pós-abolição.

Resposta.

5. A campanha nazista contra a arte moderna começa com a tomada de poder. Em 1933, Hitler fecha a Bauhaus e promove a primeira exposição difamatória da arte moderna em Karlsruhe e Mannheim. Segue-se a cassação de diversos curadores, diretores de museus e artistas-professores. Os artistas começam a emigrar. Livros são queimados em praça pública e inicia-se um verdadeiro processo de expropriação arbitrária pelos nazistas dos acervos dos museus: mais de 16.500 obras de arte consideradas degeneradas são confiscadas, muitas das quais foram destruídas ou perdidas. Obras de valor - como Auto-Retrato, de Vincent van Gogh ou Acrobata e Jovem Arlequim, de Pablo Picasso - são vendidas em um leilão em 1939 na Galeria Fischer, na Suíça, e revertidas em divisas para os nazistas.
(Adaptado do verbete “Arte Degenerada” da Enciclopédia Itaú Cultural disponível em http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo328/ arte-degenerada. Acessado em 31 de agosto de 2017).

a) A partir do texto acima e de seus conhecimentos, explique o que foi o projeto estético do nazismo.

b) Indique duas formas da violência perpetrada pelo regime nazista.

Resposta.

6. No Brasil pós-ditadura, a disputa pela memória foi marcada pela publicação do projeto Brasil: Nunca Mais (BNM), em 1985. Pode-se dizer que se trata de um ato fundacional na construção da memória social sobre os crimes da ditadura, o qual favoreceu a constituição de uma consciência coletiva acerca da política repressiva do período e do status dos sobreviventes.
(Adaptado de Janaina de Almeida Teles, A constituição das memórias sobre a repressão da ditadura: o projeto Brasil: Nunca Mais e a abertura da vala de Perus. Anos 90, Porto Alegre, v. 19, n. 35, p. 265, jul. 2012).

a) Explique dois objetivos do projeto Brasil: Nunca Mais.

b) Por quais razões a autora considera o projeto Brasil Nunca Mais um ato fundacional?

Resposta.
*resolução Colégio Objetivo
Veja também: Unicamp 2018 - 2ª fase - Geografia - Questões com gabarito.
Unicamp 2018 - 2ª fase - História - Questões com gabarito Unicamp 2018 - 2ª fase - História - Questões com gabarito Reviewed by Redação on março 08, 2018 Rating: 5

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