Prova UNIFESP 2019 (1º dia) com Gabarito e Resolução

Prova UNIFESP 2019 (1º dia) com Gabarito e Resolução

Português

Examine a tira de André Dahmer para responder às questões de 01 a 03.


QUESTÃO 01
(UNIFESP 2019) A fala “Demora, mas eles aprendem.” (3º quadrinho) sugere que o anjo, a propósito das afirmações do personagem retratado nos dois primeiros quadrinhos,

(A) não tem uma opinião formada sobre elas.
(B) concorda com elas.
(C) nota uma contradição entre elas.
(D) não dá importância a elas.
(E) considera-as pessimistas.

GABARITO.

QUESTÃO 02
(UNIFESP 2019) Assinale a alternativa em que se verifica a análise correta de um fato linguístico presente na tira.

(A) Em “Viu, Senhor?” (3º quadrinho), o termo “Senhor” exerce a função sintática de sujeito do verbo “viu”.

(B) Em “um cão nervoso correndo em círculos, amarrado ao poste da ignorância” (2º quadrinho), a oposição entre os termos “correndo” e “amarrado” configura um pleonasmo.

(C) Em “A humanidade é isso” (2º quadrinho), o termo “isso” retoma o conteúdo de um enunciado expresso no quadrinho anterior.

(D) Em “Ele vai voltar atrás, você vai ver” (3º quadrinho), a expressão “voltar atrás” constitui uma redundância.

(E) Em “Ele vai voltar atrás, você vai ver” (3º quadrinho), a expressão “voltar atrás” pode ser substituída por “se arrepender”.

GABARITO.

QUESTÃO 03
(UNIFESP 2019) Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo

(A) no segundo e no terceiro quadrinhos.
(B) no segundo quadrinho, apenas.
(C) no terceiro quadrinho, apenas.
(D) no primeiro e no terceiro quadrinhos.
(E) no primeiro quadrinho, apenas.

GABARITO.

Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder às questões de 04 a 10.

A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la?

Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar¹ a doida, isolada e agreste no seu jardim.

Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.

Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos² antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão³.

Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.

Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis lamentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.
(Contos de aprendiz, 2012.)

¹lapidar: apedrejar.
²raconto: relato, narrativa.
³irrisão: zombaria

QUESTÃO 04
(UNIFESP 2019) De acordo com o segundo parágrafo,

(A) os garotos, ao descerem a rua, tinham como principal objetivo provocar a doida.

(B) as explicações dadas pelas mães para condenar as provocações à doida não comoviam os garotos.

(C) as provocações dos garotos à doida não comoviam ninguém.

(D) as mães, apesar de dizerem o contrário, consideravam as provocações dos seus filhos à doida uma mera brincadeira.

(E) as mães, por considerarem a doida responsável por sua loucura, não repreendiam seus filhos.

GABARITO.

QUESTÃO 05
(UNIFESP 2019) “Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão.” (4º parágrafo)

Ao empregar a expressão “Deus sabe por que razão”, o narrador reforça, em relação à história divulgada, o seu caráter

(A) fantasioso.
(B) dramático.
(C) religioso.
(D) incerto.
(E) popular.

GABARITO.

QUESTÃO 06
(UNIFESP 2019) No trecho “Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados” (2º parágrafo), em respeito à norma-padrão, estaria correto o uso da preposição “a” em lugar de “com” se a expressão sublinhada fosse substituída por

(A) fazemos jus.
(B) recebemos.
(C) somos merecedores.
(D) estamos satisfeitos.
(E) nos orgulhamos.

GABARITO.

QUESTÃO 07
•  “loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo” (4º parágrafo)
•  “Ninguém tinha ânimo de visitá-la” (4º parágrafo)
•  “a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso” (5º parágrafo)

(UNIFESP 2019) Os termos sublinhados foram empregados, respectivamente, em sentido

(A) literal, literal e literal.
(B) figurado, literal e figurado.
(C) literal, literal e figurado.
(D) figurado, figurado e literal.
(E) figurado, figurado e figurado.

GABARITO.

QUESTÃO 08
(UNIFESP 2019) “Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.” (5º parágrafo)

Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado expressa ideia de

(A) finalidade.
(B) causa.
(C) proporção.
(D) comparação.
(E) consequência.

GABARITO.

QUESTÃO 09
(UNIFESP 2019) Em “Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma” (3º parágrafo), o termo sublinhado é um verbo

(A) de ligação.
(B) transitivo direto e indireto.
(C) transitivo direto.
(D) intransitivo.
(E) transitivo indireto.

GABARITO.

QUESTÃO 10
(UNIFESP 2019) Derivação regressiva: formação de palavras novas pela redução de uma palavra já existente. A redução se faz mediante supressão de elementos terminais (sufixos, desinências).
(Celso Pedro Luft. Gramática resumida, 2004.)

Constitui exemplo de palavra formada pelo processo de derivação regressiva o termo sublinhado em:

(A) “Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto” (4º parágrafo)

(B) “E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca.” (3º parágrafo)

(C) “Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho.” (2º parágrafo)

(D) “A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado.” (1º parágrafo)

(E) “O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave” (5º parágrafo)

GABARITO.

QUESTÃO 11
(UNIFESP 2019) É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)

A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo

(A) renascentista.
(B) pré-romântico.
(C) neoclássico.
(D) barroco.
(E) medieval.

GABARITO.

Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder às questões de 12 a 17.

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte¹,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
(Obra poética, 1997.)
¹ “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

QUESTÃO 12
(UNIFESP 2019) A fuga retratada no poema é uma fuga

(A) do anonimato.
(B) da identidade.
(C) da multiplicidade.
(D) da sociedade.
(E) da aparência.

GABARITO.

QUESTÃO 13
(UNIFESP 2019) O eu lírico expressa um desejo em:

(A) “Ser eu é não ser.” (4ª estrofe)
(B) “Ah, mas eu fugi.” (1ª estrofe)
(C) “Logo que nasci / Fecharam-me em mim,” (1ª estrofe)
(D) “Minha alma procura-me / Mas eu ando a monte,” (3ª estrofe)
(E) “Oxalá que ela / Nunca me encontre.” (3ª estrofe)

GABARITO.

QUESTÃO 14
(UNIFESP 2019) O eu lírico inclui o leitor em sua argumentação

(A) na terceira estrofe, apenas.
(B) na primeira estrofe, apenas.
(C) na quarta estrofe, apenas.
(D) na segunda estrofe, apenas.
(E) na segunda e na terceira estrofes.

GABARITO.

QUESTÃO 15
(UNIFESP 2019) Decorre da evasão empreendida pelo eu lírico

(A) sua cisão interna.
(B) seu desprezo pelo mundo.
(C) seu desejo de morrer.
(D) sua ausência de esperança.
(E) seu isolamento social.

GABARITO.

QUESTÃO 16
(UNIFESP 2019) “Rima rica” é aquela que ocorre entre palavras de classes gramaticais diferentes, a exemplo do que se verifica

(A) na primeira estrofe (“nasci”/“fugi”) e na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”).
(B) na terceira estrofe (“monte”/“encontre”), apenas.
(C) na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”), apenas.
(D) na primeira estrofe (“nasci”/“fugi”) e na terceira estrofe (“monte”/“encontre”).
(E) na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”) e na terceira estrofe (“monte”/“encontre”).

GABARITO.

QUESTÃO 17
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?” (2º estrofe)

(UNIFESP 2019) Os termos sublinhados constituem

(A) pronomes, somente.
(B) conjunção, pronome e pronome, respectivamente.
(C) conjunções, somente.
(D) pronome, conjunção e conjunção, respectivamente.
(E) conjunção, conjunção e pronome, respectivamente.

GABARITO.

QUESTÃO 18
Os _______________ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os _______________, ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

(UNIFESP 2019) As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

(A) românticos e simbolistas.
(B) árcades e simbolistas.
(C) árcades e modernistas.
(D) românticos e modernistas.
(E) simbolistas e modernistas.

GABARITO.

QUESTÃO 19
(UNIFESP 2019) Examine a tira de Steinberg, publicada em seu Instagram no dia 20.08.2018.


Colabora para o efeito de humor da tira o recurso à figura de linguagem denominada

(A) eufemismo.
(B) pleonasmo.
(C) hipérbole.
(D) personificação.
(E) sinestesia.

GABARITO.

Para responder às questões de 20 a 27, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.

Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres- -nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.
(In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

QUESTÃO 20
(UNIFESP 2019) De acordo com o texto, os ladrões da época evitavam praticar furtos

(A) devido à violência dos senhores de engenho.
(B) por respeito aos mortos.
(C) devido às crenças religiosas.
(D) em razão do rigor da justiça.
(E) por medo de assombrações.

GABARITO.

QUESTÃO 21
(UNIFESP 2019) “Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades.” (3º parágrafo)

Conclui-se da leitura desse trecho que, em relação às autoridades, os senhores de engenho assumiam um comportamento

(A) transgressor.
(B) vingativo.
(C) submisso.
(D) isento.
(E) respeitoso.

GABARITO.

QUESTÃO 22
(UNIFESP 2019) Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção literária de

(A) Euclides da Cunha.
(B) Machado de Assis.
(C) Aluísio Azevedo.
(D) José Lins do Rego.
(E) Lima Barreto.

GABARITO.

QUESTÃO 23
(UNIFESP 2019) “Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que ‘negro não devia ter luxo’.” (1º parágrafo)

Em relação à frase anterior, a frase sublinhada constitui uma

(A) condição.
(B) ratificação.
(C) conclusão.
(D) redundância.
(E) ressalva.

GABARITO.

QUESTÃO 24
(UNIFESP 2019) Em “Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos.” (3º parágrafo), a conjunção que poderia unir as duas frases, sem alteração de sentido, é:

(A) como.
(B) mas.
(C) embora.
(D) se.
(E) pois.

GABARITO.

QUESTÃO 25
(UNIFESP 2019) A expressão do texto cujo sentido está corretamente indicado é:

(A) “ponderável para a época” (1º parágrafo) → desprezível para o tempo.

(B) “tempos piedosos” (1º parágrafo) → época fervorosa.

(C) “excessos demagógicos” (2º parágrafo) → desmando político.

(D) “tendências comunistas” (2º parágrafo) → incitação pública.

(E) “zelos exagerados” (2º parágrafo) → aflições excessivas.

GABARITO.

QUESTÃO 26
(UNIFESP 2019) Ao se transpor a frase “Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos.” (1º parágrafo) para a voz passiva analítica, o termo sublinhado assume a seguinte forma:

(A) seriam guardadas.
(B) fossem guardadas.
(C) foram guardadas.
(D) eram guardadas.
(E) são guardadas.

GABARITO.

QUESTÃO 27
(UNIFESP 2019) A forma verbal destacada deve sua flexão ao termo sublinhado em:

(A) “Deu-me lá alguma cousa para guardar?” (2º parágrafo)

(B) “Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário.” (2º parágrafo)

(C) “Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco.” (1º parágrafo)

(D) “os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos.” (2º parágrafo)

(E) “Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado.” (2º parágrafo)

GABARITO.

QUESTÃO 28
(UNIFESP 2019) A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos:

(A) A cana cortada é uma foice.
Cortada num ângulo agudo,
ganha o gume afiado da foice
que a corta em foice, um dar-se mútuo.
Menino, o gume de uma cana
cortou-me ao quase de cegar-me,
e uma cicatriz, que não guardo,
soube dentro de mim guardar-se.

(B) Formas primitivas fecham os olhos
escafandros ocultam luzes frias;
invisíveis na superfície pálpebras
não batem.
Friorentos corremos ao sol gelado
de teu país de mina onde guardas
o alimento a química o enxofre
da noite.

(C) No espaço jornal
a sombra come a laranja,
a laranja se atira no rio,
não é um rio, é o mar
que transborda de meu olho.
No espaço jornal
nascendo do relógio
vejo mãos, não palavras,
sonho alta noite a mulher
tenho a mulher e o peixe.

(D) Os sonhos cobrem-se de pó.
Um último esforço de concentração
morre no meu peito de homem enforcado.
Tenho no meu quarto manequins corcundas
onde me reproduzo
e me contemplo em silêncio.

(E) O mar soprava sinos
os sinos secavam as flores
as flores eram cabeças de santos.
Minha memória cheia de palavras
meus pensamentos procurando fantasmas
meus pesadelos atrasados de muitas noites.

GABARITO.

QUESTÃO 29
(UNIFESP 2019) Para exprimir seu pensamento, este escritor teve de forjar uma língua que é só dele. O leitor que aborda pela primeira vez um de seus livros fica desconcertado com a obscuridade dessa língua. Mas ao mesmo tempo é subjugado, e enfeitiçado, por essa maneira inteiramente nova de dizer as coisas. E pouco a pouco tudo começa a adquirir um sentido, um sentido múltiplo, ambíguo, numa palavra, poético. Seu vocabulário é inteiramente renovado pela prática sistemática do neologismo. Todos os recursos da fonética são explorados.
(Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)

O texto refere-se ao escritor

(A) Guimarães Rosa.
(B) Graciliano Ramos.
(C) Euclides da Cunha.
(D) Machado de Assis.
(E) José de Alencar.

GABARITO.

QUESTÃO 30
(UNIFESP 2019) Tal movimento artístico floresceu em meados do século XX e baseava-se no imaginário do consumismo e da cultura popular. Foi visto como uma reação ao expressionismo abstrato, pois seus praticantes reintroduziram no repertório plástico imagens figurativas e fizeram uso de temas banais.
(Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007. Adaptado.)

Uma obra representativa do movimento artístico retratado no texto está reproduzida em:


GABARITO.

Inglês

Leia o texto para responder às questões de 31 a 35.

Words that define the present

At a time when the world is changing more quickly than ever before, we need a new vocabulary to help us grasp what’s happening.


Catfishing. This word would make more sense if it referred to fishing for cats, but in fact, it refers to people who construct false identities online. Whether out of boredom, loneliness or malice, they lure other people into continued messaging correspondence, thereby building false relationships with them (the apparent source of the term “catfish” is a 2010 documentary called Catfish, whose verity, ironically enough, has been questioned).

There are two ways of looking at this: 1) The internet/cyberspace is wonderful, because it gives people the freedom to augment or totally change their identities, and this is a marvellous new dawn for human expression, a new step in human evolution. 2) Nah, it’s a false dawn, because the internet is essentially a libertarian arena, and, as such, an amoral one (lots of “freedoms” but with no attendant social obligations); it is a new jungle where we must watch our backs and struggle for survival, surely a backward step in evolution. I lean toward the latter.
(Cameron Laux. www.bbc.com, 08.08.2018. Adaptado.)

QUESTÃO 31
(UNIFESP 2019) De acordo com o texto, o termo catfishing

(A) é baseado em um filme com narrativa equivocada.
(B) representa um tipo de jogo entre duas identidades fictícias na internet.
(C) é atribuído a uma plataforma on-line de relacionamentos na internet.
(D) denuncia relacionamentos que estão se tornando essencialmente virtuais.
(E) implica interpretações que podem ser positivas ou negativas.

GABARITO.

QUESTÃO 32
(UNIFESP 2019) According to the first paragraph, new words like “catfishing” are necessary because they

(A) aid older people who may not understand what young people mean.
(B) describe a generational conflict between outdated and new manners.
(C) prove that new behaviours appear and vanish too quickly.
(D) help people to understand transformations in the world.
(E) show that language is not supposed to be stagnant.

GABARITO.

QUESTÃO 33
(UNIFESP 2019) No trecho do segundo parágrafo “they lure other people into continued messaging correspondence”, o termo sublinhado tem sentido, em português, de

(A) selecionar.
(B) atrair.
(C) desprezar.
(D) conversar.
(E) impressionar.

GABARITO.

QUESTÃO 34
(UNIFESP 2019) O trecho do terceiro parágrafo “we must watch our backs” significa que devemos

(A) enfrentar os desafios de frente.
(B) lutar contra as adversidades da vida.
(C) prestar atenção para não sermos pegos de surpresa.
(D) virar as costas para pessoas desagradáveis.
(E) deixar o passado para trás.

GABARITO.

QUESTÃO 35
(UNIFESP 2019) No trecho final do terceiro parágrafo “I lean toward the latter”, a expressão sublinhada refere-se

(A) à evolução humana proporcionada pela internet.
(B) ao primeiro item numerado no parágrafo.
(C) ao segundo item numerado no parágrafo.
(D) aos conceitos relacionados à internet e ao ciberespaço.
(E) à internet como espaço de liberdade.

GABARITO.

QUESTÃO 36

i just wnat someone to love and accept me for who i pretend to be on the internet

(UNIFESP 2019) The woman

(A) regrets that people accept only her internet identity.
(B) presents herself in an unreal way on the internet.
(C) discovered that her date is catfishing on the internet.
(D) wishes to be like someone she met on the internet.
(E) fell in love with a fake internet profile.

GABARITO.

Leia o texto para responder às questões de 37 a 44.

Why so few nurses are men


Ask health professionals in any country what the biggest problem in their health-care system is and one of the most common answers is the shortage of nurses. In ageing rich countries, demand for nursing care is becoming increasingly insatiable. Britain’s National Health Service, for example, has 40,000-odd nurse vacancies. Poor countries struggle with the emigration of nurses for greener pastures. One obvious solution seems neglected: recruit more men. Typically, just 5-10% of nurses registered in a given country are men. Why so few?

Views of nursing as a “woman’s job” have deep roots. Florence Nightingale, who established the principles of modern nursing in the 1860s, insisted that men’s “hard and horny” hands were “not fitted to touch, bathe and dress wounded limbs”. In Britain the Royal College of Nursing, the profession’s union, did not even admit men as members until 1960. Some nursing schools in America started admitting men only in 1982, after a Supreme Court ruling forced them to. Senior nurse titles such as “sister” (a ward manager) and “matron” (which in some countries is used for men as well) do not help matters. Unsurprisingly, some older people do not even know that men can be nurses too. Male nurses often encounter patients who assume they are doctors.

Another problem is that beliefs about what a nursing job entails are often outdated – in ways that may be particularly off-putting for men. In films, nurses are commonly portrayed as the helpers of heroic male doctors. In fact, nurses do most of their work independently and are the first responders to patients in crisis. To dispel myths, nurse-recruitment campaigns display nursing as a professional job with career progression, specialisms like anaesthetics, cardiology or emergency care, and use for skills related to technology, innovation and leadership. However, attracting men without playing to gender stereotypes can be tricky. “Are you man enough to be a nurse?”, the slogan of an American campaign, was involved in controversy.

Nursing is not a career many boys aspire to, or are encouraged to consider. Only two-fifths of British parents say they would be proud if their son became a nurse. Because of all this, men who go into nursing are usually already closely familiar with the job. Some are following in the career footsteps of their mothers. Others decide that the job would suit them after they see a male nurse care for a relative or they themselves get care from a male nurse when hospitalised. Although many gender stereotypes about jobs and caring have crumbled, nursing has, so far, remained unaffected.
(www.economist.com, 22.08.2018. Adaptado.)

QUESTÃO 37
(UNIFESP 2019) The excerpt from the first paragraph “In ageing rich countries, demand for nursing care is becoming increasingly insatiable” means that

(A) some rich people can pay for private nurses to assist them.

(B) most nurses refuse to assist elderly people even when they are well paid.

(C) rich countries can afford nursing care for their population in hospitals.

(D) the demand for nurses is stable in most ageing rich countries.

(E) the older the population in rich countries, the greater the need for nursing care.

GABARITO.

QUESTÃO 38
(UNIFESP 2019) No trecho do primeiro parágrafo “Poor countries struggle with the emigration of nurses for greener pastures”, a expressão sublinhada tem sentido de

(A) qualificação educacional.
(B) estabilidade familiar.
(C) superação do desemprego.
(D) melhores condições profissionais.
(E) vida tranquila no campo.

GABARITO.

QUESTÃO 39
(UNIFESP 2019) De acordo com o segundo parágrafo,

(A) os pacientes preferem ser cuidados por enfermeiras e tratados por médicos.

(B) a Suprema Corte dos Estados Unidos vetou a admissão de homens em escolas de enfermagem em 1982.

(C) Florence Nightingale foi a primeira enfermeira do Reino Unido, em 1860.

(D) uma tradição histórica desencorajava e até impedia homens de serem enfermeiros.

(E) a enfermagem é realmente mais adequada às mulheres.

GABARITO.

QUESTÃO 40
(UNIFESP 2019) No trecho do segundo parágrafo “did not even admit men as members until 1960”, o termo sublinhado indica

(A) descrédito.
(B) ênfase.
(C) conclusão.
(D) generalização.
(E) conformidade.

GABARITO.

QUESTÃO 41
(UNIFESP 2019) O trecho do terceiro parágrafo que exemplifica a visão ultrapassada sobre a enfermagem, que pode desestimular homens a seguirem a profissão, é:

(A) “attracting men without playing to gender stereotypes can be tricky”.

(B) “nurses do most of their work independently and are the first responders to patients in crisis”.

(C) “nurse-recruitment campaigns display nursing as a professional job with career progression, specialisms like anaesthetics, cardiology or emergency care”.

(D) “In films, nurses are commonly portrayed as the helpers of heroic male doctors”.

(E) “the slogan of an American campaign, was involved in controversy”.

GABARITO.

QUESTÃO 42
(UNIFESP 2019) No trecho do terceiro parágrafo “To dispel myths, nurse-recruitment campaigns”, o termo sublinhado indica

(A) equivalência.
(B) adição.
(C) causa.
(D) contraste.
(E) finalidade.

GABARITO.

QUESTÃO 43
(UNIFESP 2019) No trecho do quarto parágrafo “Although many gender stereotypes about jobs and caring have crumbled”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por

(A) because.
(B) otherwise.
(C) unless.
(D) though.
(E) therefore.

GABARITO.

QUESTÃO 44
(UNIFESP 2019) No trecho do quarto parágrafo “gender stereotypes about jobs and caring have crumbled”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por

(A) continued.
(B) aggregated.
(C) recovered.
(D) strengthened.
(E) collapsed.

GABARITO.

QUESTÃO 45


(UNIFESP 2019) Compared to the previous text “Why so few nurses are men”, the cartoon

(A) encourages both men and women to become nurses.
(B) confirms the stereotype of female nurses.
(C) suggests that nurses think that doctors are heroes.
(D) implies that men make better doctors.
(E) shows that doctors are often distressed.

GABARITO.

Prova UNIFESP 2019 (1º dia) com Gabarito e Resolução Prova UNIFESP 2019 (1º dia) com Gabarito e Resolução Reviewed by Redação on janeiro 23, 2019 Rating: 5

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