Questões Sociologia (UECE 2020.1) com Gabarito

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Questões Sociologia (UECE 2020.1) com Gabarito

SOCIOLOGIA

QUESTÃO 68
UECE 2020: Na Sociologia de Max Weber (2016), a ação social é o dado central para a compreensão dos fenômenos de qualquer realidade social. Conforme a perspectiva weberiana, uma ação é social quando é orientada pelas ações de outras pessoas. Uma ação social está referendada em ações passadas, presentes ou esperadas como sendo futuras e essas “outras pessoas” podem ser indivíduos conhecidos ou desconhecidos daquele que pratica a ação.

O praticante da ação age referendado em ações de outros e, assim, toda ação para ser social, não importa se moralmente boa ou reprovável, não importa se racional ou não, possui um sentido (uma direção) na mente do indivíduo, o qual tem como referência subjetiva (na mente dele ou dela que pratica a ação) as ações de outros.
WEBER, Max. “II. O conceito de ação social” IN ______.
Metodologia das Ciências Sociais. São Paulo: Ed Cortez;
Campinas-SP: ED Unicamp, 2016.

Partindo dessa compreensão de Weber (2016), considere as seguintes afirmações:

I. Aquele que joga pedra em um ônibus, em tempos de paralisação grevista dos coletivos, realiza uma ação social desde que execute esta ação tendo como referência subjetiva esta forma de protestar.

II. A pessoa que aposta no Jogo do Bicho, nas periferias das cidades brasileiras, pratica um tipo de ação social, desde que aja em conformidade com o seu sonho de três noites anteriores.

III. Bater em torcedores rivais com excessiva força e raiva é um tipo de ação social a partir do momento em que o agente desta ação imagine que é “assim que se faz” quando nas brigas entre torcidas.

IV. Investir no Mercado de Ações e Derivativos é uma ação social, desde que o investidor vise, em sua mente, seus ganhos futuros de acordo com a movimentação dos agentes econômicos.

Corresponde a ação social, na perspectiva teóricoconceitual de Max Weber, somente o que consta em

A) I, II e IV.
B) I, III e IV.
C) II e III.
D) I e IV.

GABARITO.

QUESTÃO 69
Atente para o seguinte excerto:

“A miscigenação que largamente se praticou aqui corrigiu a distância social que de outro modo se teria conservado enorme entre a casa-grande e a senzala. O que a monocultura latifundiária e escravocrata realizou no sentido de aristocratização, extremando a sociedade brasileira em Senhores e escravos, com uma rala e insignificante lambujem de gente livre sanduichada entre esses dois extremos antagônicos, foi em grande parte contrariado pelos efeitos sociais da miscigenação. A índia e a negra-mina a princípio, depois a mulata, a cabrocha, a quadrarona, a oitavona, tornando-se caseiras, concubinas e até esposas legítimas dos senhores brancos, agiram poderosamente no sentido de democratização social do Brasil. Entre os filhos mestiços, legítimos e mesmo ilegítimos, havidos delas pelos Senhores brancos, subdividiu-se parte considerável das grandes propriedades, quebrando-se assim a força das sesmarias feudais e dos latifúndios do tamanho de reinos”.
FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala: formação da
família brasileira sob o regime patriarcal. 52ª ed. São Paulo:
Global, 2013.

UECE 2020: O sociólogo brasileiro Gilberto Freyre aponta, na citação acima, a criação de uma “democracia racial” na história da relação entre senhores e escravos no Brasil escravocrata. Assim, mesmo que se possa criticar tal concepção, a perspectiva teóricosociológica de Freyre afirma que

A) a miscigenação na história do Brasil foi positiva, pois aproximou a Casa-Grande e a Senzala ou senhores e escravos.

B) a escravidão e o latifúndio da monocultura açucareira lançaram distâncias sociais insuperáveis entre senhores e escravos.

C) foram os homens negros, e não as mulheres negras, os principais responsáveis pela criação da democracia racial no Brasil.

D) os negros e os brancos em conjunto, no período colonial, constituíram uma vigorosa democracia social de governo da sociedade.

GABARITO.

QUESTÃO 70
UECE 2020: Segundo a teoria econômica de Karl Marx (apud SELL, 2015) o lucro do capitalista se origina da produção de Mais-Valia na exploração do seu trabalhador.

Em síntese, a Mais-Valia é o tempo de trabalho não pago pelo capitalista ao trabalhador que executa horas a mais sem receber por esse tempo gasto. É o trabalho excedente não pago.

Vamos imaginar que em uma jornada diária de oito (8) horas, o trabalhador receba o equivalente ao seu salário ao final do mês nas duas (2) primeiras horas deste dia. Assim, o restante das 6 horas que passa trabalhando equivale às horas a mais (a Mais-Valia) não pagas pelo patrão.

E para Marx, existem dois tipos de Mais-Valia no sistema capitalista: a MaisValia Absoluta, que é aquela obtida pelo aumento da jornada de trabalho, sem reajuste real dos ganhos do trabalhador; e a Mais-Valia Relativa, obtida pelo aumento da produtividade do trabalhador através do uso de maquinários e tecnologias sem o acréscimo das horas de trabalho.
SELL, Carlos Eduardo. Sociologia Clássica: Marx, Durkheim
e Weber. 7ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2015.

Assim, tendo como referência essa concepção teórica de Karl Marx sobre Mais-Valia, é correto afirmar que

A) os trabalhadores autônomos e os pequenos comerciantes vendedores do varejo, na sociedade brasileira, produzem Mais-Valia Relativa com o uso das máquinas de cartão de crédito, que lhes aumentam as vendas dos produtos.

B) os trabalhadores das indústrias têxteis, no Brasil, combatem a produção da Mais-Valia de seus patrões quando passam a vender as peças de vestuário que produzem nas feiras populares e em bazares comunitários.

C) o uso de novas tecnologias de informática nas 6 horas, em média, de jornada de trabalho dos operadores de telemarketing, no Brasil, diminuem consideravelmente a Mais-Valia Relativa dos empresários do setor.

D) os entregadores de comida em bicicletas, prestadores de serviço por aplicativos, que trabalham, em média, de 10 a 12 horas/dia e, por vezes, sete dias na semana, são produtores de Mais-Valia Absoluta para as empresas a que prestam esse serviço.

GABARITO.

QUESTÃO 71
UECE 2020: Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866-1909), autor de Os Sertões – Campanha de Canudos (1902), é seguramente um dos primeiros pensadores deste país que foi capaz de entender o Brasil na sua substância específica de grande diversidade genéticomestiça e conturbada formação social.

Os Sertões trata da “Campanha” do exército brasileiro republicano contra o arraial de Canudos, ocorrida no sertão baiano, que durou de meados de 1896 a outubro de 1897.

O livro é um clássico da Literatura e das Ciências Sociais e para além de uma interpretação da formação social e cultural do Brasil, é um livro de denúncia contra a então República brasileira: “A Campanha de Canudos foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”.
CUNHA, Euclides da. Os Sertões – Campanha de Canudos.
São Paulo: Ática, 1998.

Com base no exposto, assinale a afirmação verdadeira.

A) A Guerra de Canudos, como demonstra Euclides da Cunha em Os Sertões, foi uma luta entre monarquistas e republicanos.

B) Em Os Sertões, Euclides da Cunha procura compreender a construção sociocultural brasileira e vinga a memória de Canudos.

C) Em Os Sertões, é provado que a mestiçagem do povo brasileiro é uma das causas da perturbação social que formou o país.

D) A Campanha de Canudos representou a justiça feita pelo exército republicano contra os criminosos do sertão baiano.

GABARITO.

QUESTÃO 72
UECE 2020: A divisão do trabalho produz a solidariedade, não apenas por fazer de cada indivíduo um trocador, como dizem os economistas, mas por criar entre os homens um sistema completo de direitos e deveres que os unem uns aos outros de modo durável. Da mesma forma que as similitudes sociais dão origem a um direito e a uma moral que os protegem, a divisão do trabalho dá origem às regras que garantem o concurso pacífico e regular das funções divididas
DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social. 3ª ed.
São Paulo: Martins fontes, 2008. p.429.

Considerando essa perspectiva teórica da divisão social do trabalho em Durkheim, assinale a afirmação verdadeira.

A) Segundo Durkheim, a divisão social do trabalho nas sociedades industrializadas e urbanas instala conflitos ininterruptos entre os trabalhadores, os patrões e o Estado.

B) Para Emile Durkheim, a divisão social do trabalho dificulta a produção de coesão dentro das sociedades modernas, criando, de outro modo, constantes disputas entre os seus membros.

C) De acordo com Durkheim, quanto menor a divisão social do trabalho dentro das configurações sociais modernas, maior o predomínio dos conflitos de classe entre os homens.

D) A partir da perspectiva durkheimiana, a acentuada divisão do trabalho nas sociedades modernas mantém maior união social através da interdependência das tarefas profissionais.

GABARITO.

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