(IAVE 2018) Num texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras

«Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca.» Alexandre O’Neill, Poesias Completas, 4.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2005,...
«Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.»
Alexandre O’Neill, Poesias Completas, 4.ª ed., Lisboa,
Assírio & Alvim, 2005, p. 64.

«São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.»
Eugénio de Andrade, Antologia Breve, 6.ª ed., Porto,
Fundação Eugénio de Andrade, 1994, p. 35.

(IAVE 2018) Num texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas e cinquenta palavras, defenda uma perspetiva pessoal sobre o poder das palavras nas relações humanas.

No seu texto:
– explicite, de forma clara e pertinente, o seu ponto de vista, fundamentando-o em dois argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;

– utilize um discurso valorativo (juízo de valor explícito ou implícito).

Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2018/).

2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:

− um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;

− um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

QUESTÃO ANTERIOR:
(IAVE 2018) Classifique a oração sublinhada em «Ora, em semântica, é regra fundamental que o significado é o uso.» (linha 21).

SOLUÇÃO:
Voluntária ou involuntariamente, as palavras que saem da boca de cada um de nós trazem consigo sentidos que vão tocar («beijar», acariciar, mimar, agradar) os nossos interlocutores ou que os vão ferir (magoar, entristecer). Tal como o excerto de Eugénio de Andrade nos indica, também a realidade está repleta desta polaridade de significados e efeitos. Em última instância, e por medo, será que poderíamos prescindir das palavras para que a comunicação se fizesse sem qualquer mal-entendido ou ofensa? Eis dois argumentos opostos que, em minha opinião, nos fazem pensar.

Primeiro, sem palavras, colher-se-iam sentidos concretos a partir de gestos, pelo que as hipóteses de uma palavra impensada/irrefletida ser proferida diminuiriam. Tal é o caso que estaria, porventura, na mente de São Bento, quando escreveu na Regra da ordem beneditina que fundou que, quer o monge tenha vontade de criticar, quer de louvar um seu irmão, o melhor é calar, fazer silêncio, remetendo-se ao «Ora et labora» («Reza e trabalha»). Assim, nem será «punhal» (ferindo o outro) nem será «cristal» (brilhando e orgulhando-o desmesuradamente).

Pelo contrário, e não obstante ser verdade tudo isto, não podemos negar que as palavras espelham e clarificam intenções, negativas ou positivas. Tomemos dois exemplos. Um é o caso do Sermão de Santo António aos Peixes, no qual Padre António Vieira, servindo-se de palavras duras ― verdadeiro «punhal», «incêndio» ―, releva e acusa comportamentos desviantes (repreensões) e com palavras laudatórias aproveita à salvação dos peixes louvados. O outro exemplo é o das mais simples e poderosas palavras (que comportam a educação e a polidez) como «Por favor» ou «Obrigado.»

Ou ainda as palavras que nos nomeiam individualmente, isto é, o nosso primeiro nome. A quem não apraz e amacia o ânimo ouvir o seu nome próprio educadamente chamado num hospital, numa repartição pública, na rua, em família?

Em suma, ainda que possamos arriscar-nos a ser «incêndio», não nos escusemos a tentar ser sempre «cristal» diamantino a fazer brilhar a nossa luz sobre aquele/aquela que nos lê ou que nos ouve.

PRÓXIMA QUESTÃO:
- (IAVE 2018) Compare a atitude do sujeito poético com a dos outros «humanos» (verso 13), tendo em conta a oposição simbólica entre «rosas» e «magnólias», por um lado, e «pátria», «glória» e «virtude», por outro lado (versos 1 a 3).

QUESTÃO DISPONÍVEL EM:
Provas Exame Nacional de Portugal 2018 (1ª e 2ª Fase) com Soluções

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