ENADE: Nem é preciso ser especialista para verificar que as condições da variação linguística

ENADE: Nem é preciso ser especialista para verificar que as condições da variação linguística
ENADE: Nem é preciso ser especialista para verificar que as condições da variação linguística não estão sujeitas ao acaso, nem ao livre arbítrio do falante. Muito pelo contrário, acham-se fortemente marcadas por motivações emanadas do próprio sistema linguístico que o falante é constrangido a seguir sem escolha.
(Adaptado de R.G. Camacho, “Sociolinguística - Parte II”)

Ilustre, com dois exemplos extraídos dos enunciados abaixo, a afirmação de que o sistema impõe direções para a variação lingüística. Justifique a sua escolha.

 i) Pinchá fora pão traiz miséria e erguê o que cai não se deve: é das arma.
[Jogar fora pão traz miséria e apanhar o que cai não se deve: é das almas.]

ii) Juntá pauzinho de forfe que cai no chão dá a disga.
[Apanhar palito de fósforo que cai no chão resulta em desgraça.]
(Adaptado de Cornélio Pires, “Abusões”)

QUESTÃO ANTERIOR:

PADRÃO DE RESPOSTA:
O examinando deverá escolher duas variantes linguísticas, acompanhadas das respectivas justificativas. Ligada a processos sistêmicos do português, a motivação linguística da variação pode ser exemplificada, preferencialmente, nos planos fônico e morfossintático dos enunciados oferecidos para análise, não se excluindo, contudo, a possibilidade de observações sobre o plano lexical. Seguem algumas indicações possíveis e suas respectivas justificativas:

Plano fônico:

a. Ex.: pinchá, juntá, erguê Queda do travamento silábico nos infinitivos (relacionada ao plano morfossintático), variação que vem sendo generalizada para palavras oxítonas terminadas em /r/ de outras classes gramaticais, resultando em sílaba final de padrão consoante–vogal.

b. Ex.: traiz Tendência de ditongação dos monossílabos e sílabas finais terminadas por travamento representado por uma fricativa.

c. Ex. arma. Rotacismo, como tendência da língua portuguesa (no caso, em posição de travamento silábico).

d. Ex. forfe. Tendência a reduzir as proparoxítonas em paraxítonas em virtude de o acento lexical preferencial do português recair na penúltima sílaba e de serem as proparoxítonas de origem erudita (fator ligado à história externa), razão pela qual se apresentam em pequeno número na língua.

Plano morfossintático:

a. Ex: as arma. Plural não-redundante na concordância nominal, evidenciando a tendência a registrar as marcas de número na primeira posição (mais à esquerda) do sintagma nominal.

Plano lexical (e semântico):

a. “pinchá fora” = expressão utilizada em várias partes do país, mas menos comum na variedade urbana culta, fato que mostra a correlação dessa variante com fatores sociais. Segundo Houaiss, o verbo “pinchar” é de origem obscura e anterior à forma atestada no espanhol, no século XVIII.

b. “erguê (o que cai)” = uso pouco comum na variedade urbana culta, fato que mostra a correlação dessa variante com fatores sociais. Nem Houaiss, nem A. G. Cunha registram o uso no sentido de “apanhar do chão”.

c. “juntá” = forma menos comum do que “pegar” e “apanhar” na variedade culta, fato que mostra a correlação dessa variante com fatores sociais;

d. “pauzinho de forfe” = expressão pouco comum na variedade urbana culta, fato que mostra a correlação dessa variante com fatores sociais.

e. “disga” = variante popular reduzida de “desgraça” (uso eufemístico). 

PRÓXIMA QUESTÃO:

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