UEM 2020: Sobre o poema de Gregório de Matos, assinale o que for correto

“Queixa-se o poeta em que o mundo vai errado, e querendo emendá-lo o tem por empresa dificultosa”

SONETO

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.
(MATOS, G. de. Antologia. Seleção e notas de Higino Barros.
Porto Alegre: L&PM, 2009, p. 107).


UEM 2020: Sobre o poema de Gregório de Matos, assinale o que for correto.

01) O eu lírico condena a vaidade e a hipocrisia da aristocracia e da classe política baiana da época do Brasil Colônia por meio de uma crítica mordaz. Como reparação, sugere o pastoralismo, o locus amoenus e o inutilia truncat, orientações máximas do Barroco.

02) A temática remete para o desconcerto do mundo. O eu lírico expressa sua preocupação acerca da sociedade por meio de ironia e de crítica social de caráter satírico, expressando seu aborrecimento contra os “insanos”, desprovidos de conhecimento e de discernimento.

04) O poema apresenta o contraste entre o eu lírico e a sociedade. Andando por caminhos incomuns, entre os quais se pode considerar a própria poesia satírica, o eu aumenta, metaforicamente, seu próprio peso. As inversões sintáticas, como no verso “Carregado de mim ando no mundo”, confirmam o conflito instaurado no texto.

08) O eu lírico defende a ideia de que é preciso ser sisudo em um mundo onde predominam os loucos, e escolhe, por livre vontade, envolver-se no modo de pensar e agir mundano, como atestam os versos “O remédio será seguir o imundo / Caminho, onde dos mais vejo as pisadas”.

16) Escrito em linguagem culta, usando versos decassílabos (a medida nova), rimas interpoladas e figuras como metáforas e hipérbatos, além de encadeamento (como nos versos um e dois da segunda estrofe), o soneto reforça, na forma, a turbulência e o contraste entre o eu e a sociedade.

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