Prova de Letras ENADE 2011 com Gabarito

ENADE

Prova de Letras ENADE 2011 com Gabarito

OBS: As questões objetivas de 01 a 08 estão disponível na prova de Formação Geral que você pode acessar clicando neste link. As questões discursivas não foram disponibilizadas com padrão de resposta.

ENADE 2011 - QUESTÃO 09
Quero pedir permissão à língua portuguesa para usar duas palavras que, na verdade, são inexistentes oficialmente, quais sejam: crackudo e vacilão. Crackudo é originário do termo crack. A palavra foi recentemente criada para identificar o indivíduo que é usuário dessa droga, ou seja, crackudo nada mais é do que o consumidor do crack. Quanto a vacilão, tal palavra é originada do verbo vacilar, que significa não estar firme, cambalear, enfraquecer, oscilar. Vacilão, na linguagem popular, nada mais é do que o indivíduo que não mede as consequências dos seus atos e sempre ingressa em algo que não é bom para si e que só lhe traz malefícios ou aborrecimentos. E, em assim sendo, o crackudo é um vacilão!
Disponível em: <www2.forumseguranca.org.br/node/22783>.
Acesso em: 12 ago. 2011 (com adaptações).

O sufixo [-ão] opera como uma desinência formadora de aumentativos, superlativos e agentivos em português, como indicado no exemplo apresentado no texto acima. Tem-se, também, o sufixo [-udo], que indica grande quantidade de X; em seu uso mais típico, X é igual à parte aumentada (orelhudo, narigudo, beiçudo, barrigudo etc). 

Considerando essas informações e o texto acima, concluise que o vocábulo “vacilão” possui um sufixo

A) agentivo, como o que se observa em “caminhão”, e que, no caso do sufixo [-udo] em “crackudo”, ocorre a mesma motivação semântica existente em “beiçudo”.

B) agentivo, como o que se observa em “mijão”, e que o sufixo [-udo] em “crackudo” apresenta a mesma motivação semântica existente em “orelhudo” e “narigudo”.

C) agentivo, assim como o vocábulo “resmungão”, e que o uso do sufixo [-udo] em “crackudo” resulta em uma formação vocabular incomum na língua portuguesa.

D) aumentativo, como o que se observa em “macarrão”, e que, no caso do sufixo [-udo] em “crackudo”, se observa a mesma motivação semântica existente nos vocábulos “orelhudo” e “sisudo”.

E) aumentativo, como o observado em “panelão”, e que, no caso do sufixo [-udo] em “crackudo”, se observa uma construção incomum na língua portuguesa, dada a produtividade baixa do referido sufixo.


ENADE 2011 - QUESTÃO 10
“Roráima” ou “Rorâima”, como você preferir. É que, segundo os linguistas, as regras fônicas de uma palavra são regidas pela língua falada. Portanto, não há certo ou errado. Há apenas a maneira como as pessoas falam. 

O que se observa na língua portuguesa falada no Brasil é que sílabas tônicas que vêm antes de consoantes nasalizadas (como “m” ou “n”) também se nasalizam (aperte o seu nariz e repita a palavra cama. Sentiu os ossinhos vibrarem? É a tal nasalização). Por isso, a gente diz “cãma” –– o “ca” é a sílaba tônica e o “m” é nasalizado. 

Se a sílaba que vier antes dessa mesma consoante não for uma sílaba tônica, a pronúncia passa a ser opcional: você escolhe –– “bánana” ou “bãnana”. 

No caso de Roraima, a sílaba problemática (“ra”) é tônica e vem antes do “m”. Mas aí entra em cena o “i”, que acaba com qualquer regra. A mesma coisa acontece com o nome próprio Jaime: tem gente que nasaliza, tem gente que não. 

Então, fique tranquilo: se você sempre falou “Rorâima”, siga em frente –– ninguém pode corrigi-lo por isso. No máximo, você vai pagar de turista se resolver dar umas voltas por lá –– os moradores do estado, não adianta, são unânimes em falar “Roráima”.
Disponível em: <http://super.abril.com.br/revista/255/materia_revista_293629.shtml?pagina=1>.
Acesso em: 12 ago. 2011 (com adaptações)

A leitura do texto nos remete à discussão sobre a pronúncia em português de palavras externas à nossa língua (Roraima tem origem indígena). Para Mattoso Câmara Jr, a nasalização da pronúncia é um processo previsível na língua e definido como assimilação, ou seja, a extensão de um ou vários movimentos articulatórios além de seus domínios originários. É o caso de uma sílaba oral que se determina pela assimilação da sílaba nasal seguinte. A partir das informações apresentadas, avalie as afirmações que se seguem.

I. A palavra Roraima manteve-se inalterada na pronúncia ao ser usada no português e apresenta a sua forma original (indígena) ao ser falada em nossa língua. 

II. A palavra Roraima sofre alteração da pronúncia em razão de um processo de assimilação regressiva em que a sílaba posterior contamina de nasalidade a anterior, como em cama, lama, banana no português.

III. A palavra Roraima, em decorrência da etimologia ,assume dupla possibilidade de pronúncia por motivos parecidos com o de outras palavras estrangeiras que ingressam no português.

IV. A palavra Roraima é um substantivo próprio e, de acordo com a gramática, deve ser pronunciada exatamente igual à sua pronúncia na língua de origem.

É correto apenas o que se afirma em

A) I. 

B) II. 

C) IV. 

D) I e III. 

E) II e III.


ENADE 2011 - QUESTÃO 11

enade

A conjunção é um fator indicativo da natureza das relações entre orações. Quando se trata de conjunções coordenadas, pode-se, então, falar não só de uma classificação sintática, mas de um valor semântico subjacente que estabelece o vínculo das orações. Dessa forma, é correto afirmar que a conjunção coordenativa presente no quadrinho

A) funciona com valor de explicação e justifica o sentido tanto da primeira quanto da segunda oração.

B) tem valor semântico de soma, pois agrega duas orações sem estabelecer relações semânticas entre elas.

C) funciona com valor adversativo nas ideias expressas na sentença e poderia ser substituída por uma conjunção dessa natureza.

D) funciona com valor expletivo e pode ser extraída das sentenças sem alteração no modo de conexão sintática e semântica do período.

E) funciona como elo conclusivo entre as ideias contidas nas orações e expressa a conclusão a que chegou um dos personagens do quadrinho.


ENADE 2011 - QUESTÃO 12

enade

O caso acima é caracterizado na língua como rotacismo, ou seja, um processo de mudança em que se emprega o /r/ em lugar de /l/ nos vocábulos.  Embora seja inadequado à norma padrão da língua, esse processo é bastante frequente em variedades de menor prestígio social. Acerca desse tema, avalie as informações a seguir.

I. As diferenças entre variedades da língua, como a exemplificada pelo rotacismo, não devem ser consideradas mero fator de preconceito linguístico; dado que este é um dos fatores que favorece a unidade linguística de uma comunidade.

II. O rotacismo é bem aceito por todos os falantes e é empregado de forma ampla nos diversos grupos sociais, sendo uma das mudanças que se está generalizando no português brasileiro.

III. O processo de rotacismo é decorrente de diferenças sociais recentes, que estão permitindo o surgimento de dialetos paralelos ao português padrão e utilizados por falantes em ascensão social.

IV. O processo de rotacismo não é novo na língua e já ocorria no período de passagem do latim vulgar para o português, como no caso de /plicare/ > /pregar/.

É correto apenas o que se afirma apenas em

A) I e II.

B) I e IV.

C) II e III.

D) I, III e IV.

E) II, III e IV.


ENADE 2011 - QUESTÃO 13

Texto I

Porquinho-Da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Por que o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Texto II

Madrigal Tão Engraçadinho

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha

 [vida, inclusive o porquinho-da-índia que
 [me deram quando eu tinha seis anos.
BANDEIRA M. Libertinagem & Estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, p. 36.

Os textos I e II

A) utilizam metalinguagem e temática do cotidiano, que são características da estética do Modernismo.

B) apresentam características da estética do Modernismo, presentes nos versos livres e na reescritura de textos clássicos do passado.

C) apresentam concepções diversas em relação à primeira namorada, porque a linguagem do texto I se aproxima da prosa, ao passo que o texto II mantém a estrutura clássica do madrigal.

D) estão em consonância com a estética do Modernismo, pois são construídos em versos livres e com linguagem que se aproxima da prosa, características pertinentes a esse estilo literário.

E) afastam-se da estética do Modernismo, pois apresentam distanciamento temporal: o eu lírico, no texto I, rememora a infância e, no texto II, foca-se no presente.


ENADE 2011 - QUESTÃO 14
Para estudar a história literária brasileira, em vez de um critério político, deve-se adotar uma filosofia estética compreendendo-a como um valor literário. Para tal, a periodização correspondente é de natureza estilística, isto é, em lugar da divisão em períodos cronológicos ou políticos, a ordenação por estilos.
COUTINHO, A. (Org.) Literatura brasileira: (introdução). In: .
A literatura no Brasil: introdução geral. 6. ed. São Paulo: Global, 2003, v.1, p. 132.

Nas sequências, está destacado um trecho da obra História Concisa da Literatura Brasileira, de Alfredo Bosi.

Avalie se tanto o autor quanto o estilo literário indicados correspondem ao que Bosi trata no respectivo trecho.

I. “Não se trata, aqui, de fechar os olhos aos evidentes defeitos de fatura que mancham a prosa do romancista: repetições abusivas, incerteza na concepção de protagonistas, uso convencional da linguagem...; trata-se de compreender o nexo de intenção e forma que os seus romances lograram estabelecer quando atingiram o social médio pelo psicológico médio (...)” Érico Veríssimo. Pré-Modernismo.

II. “Sempre se salva, no foro íntimo, a dignidade última dos protagonistas, e se redimem as transações vis repondo de pé herói e heroína. Daí os enredos valerem como documento apenas indireto de um estado de coisas, no caso, o tomar corpo de uma estética burguesa e ‘realista’ das conveniências durante o Segundo Império” José de Alencar. Romantismo.

III. “Teve mão de artista bastante leve para não se perder nos determinismos de raça ou de sangue que presidiriam aos enredos e estofariam as digressões dos naturalistas de estreita observância [...]” Adolfo Caminha. Naturalismo.

IV. “O seu equilíbrio não era o gotheano – dos fortes e dos felizes, destinados a compor hinos de glória à natureza e ao tempo; mas o dos homens que, sensíveis à mesquinhez humana e à sorte precária do indivíduo, aceitam por fim uma e outra como herança inalienável, e fazem delas alimento de sua reflexão cotidiana” Machado de Assis. Realismo.

São corretas apenas as correspondências feitas em:

A) I e II. 

B) I e III. 

C) II e IV. 

D) I, III e IV. 

E) II, III e IV.


ENADE 2011 - QUESTÃO 15
Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na Internet? Checa seu e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na Internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que, juntos, passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site — que chegou a superar o Google em número de acessos diários. (...) e está transformando nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será que as amizades online não fazem com que as pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos offline, “de verdade”? Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 pelo sociólogo americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a Internet faz você ter mais amigos — dentro e fora da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam mais tempo na Internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real — 38% mais. Já quem não usava a Internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%.
Como a Internet está mudando a amizade.
Superinteressante, n. 288, fev./ 2011 (com adaptações). 

No texto, o trecho entre parênteses foi suprimido. Assinale a opção que contém uma frase que completa coerentemente o período em que o trecho omitido estava inserido. 

A) A Internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à amizade 

B) A Internet garante que as diferenças de caráter ou as dificuldades interpessoais sejam “obscurecidas” pelo anonimato e pela cumplicidade recíproca

C) A Internet faz com que você “consiga desacelerar o processo, mas não salva as relações”, acredita o antropólogo Robin Dunbar

D) A Internet raramente cria amizades do zero — na maior parte dos casos, ela funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado na vida real

E) A Internet inova (e é uma enorme inovação, digase de passagem) quando torna realidade a “cauda longa”, que é a capacidade de elevar ao infinito as possibilidades de interação


ENADE 2011 - QUESTÃO 16
Considere a obra Miguilim, de Guimarães Rosa, da qual se extraiu o seguinte fragmento:

Tio Terêz deu a Miguilim a cabacinha formosa, entrelaçada em cipós. Todos eram bons para ele, todos do Mutum.

O doutor chegou: — “Miguilim, você está aprontado? Está animoso?” Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-paco, ao gato Sossõe, que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo. — “Dá lembrança ao seu Aristeu... Dá lembrança ao seu Deográcias...” Estava abraçado com

Mãe. Podiam sair.
ROSA, J.G. Manuelzão e Miguilim: duas novelas.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1964, p. 103 (com adaptações).

Considerando o fragmento acima, assinale a opção que apresenta excerto referente à obra Miguilim.

A) O outro reino, em que se esconde, ou se procura o Menino, é requintado, interiorista, respira mistério, levita na intemporalidade, mora ou pervaga numa estranha mansão (...) Trata-se, é bem de ver, da recorrência de uma primeira contemplação inefável de categoria intimista.
LISBOA, H. O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa. In: Guimarães Rosa.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL 1983, p. 178.

B) O deslocamento espacial é o rito de passagem — ‘o atravessar o bosque’—, que se dá no meio do percurso entre as duas aldeias, separadas pela imprevisibilidade do ‘quase’: uma outra e quase igualzinha aldeia.
MOTTA, S. V. O engenho da narrativa e sua árvore genealógica: das origens a
Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. São Paulo: UNESP, 2006. p. 466.

C) O Menino é uma criança qualquer a brincar com o seu macaquinho e é uma espécie de criança mítica, através de quem tudo se ordena, tudo se corresponde, tudo se completa.
NUNES, B. O amor na obra de Guimarães Rosa. In: Guimarães Rosa.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1983, p. 162.

D) Ao drama de ordem pessoal e à tragédia inelutável, segue-se o conflito com a força maior, representada pelo domínio paterno contra o qual se insurge o menino, ferido nos brios. A represália do pai é tremenda.
LISBOA, H. O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa. In: Guimarães Rosa.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1983, p. 175.

E) (...) impregnado pela religiosidade da mãe e pela aura mística dos ‘milagres’, a solução do conto conduz para a leitura fácil de se explicar pela fé a tragédia que não se atina com a razão.
MOTTA, S. V. O engenho da narrativa e sua árvore genealógica: das origens a
Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. São Paulo: UNESP, 2006, p. 449.


ENADE 2011 - QUESTÃO 17
Nos textos comuns, não literários, o autor seleciona e combina as palavras geralmente pela sua significação. Na elaboração do texto literário, ocorre uma outra operação, tão importante quanto a primeira: a seleção e a combinação de palavras se fazem muitas vezes por parentesco sonoro. Por isso se diz que o discurso literário é um discurso específico, em que a seleção e a combinação das palavras se fazem não apenas pela significação, mas também por outros critérios, um dos quais, o sonoro. Como resultado, o texto literário adquire certo grau de tensão ou ambiguidade, produzindo mais de um sentido. Daí a plurissignificação do texto literário. 
GOLDSTEIN, N. Versos, sons, ritmos. 5. ed. São Paulo: Ática, 1988, p. 5. 

Os símbolos, as metáforas e outras figuras estilísticas, as inversões, os paralelismos e as repetições constituem outros tantos meios de o escritor transformar a linguagem usual em linguagem literária.
AGUIAR E SILVA, V. M. Teoria da literatura. 3. ed.
Coimbra: Almedina, 1979, p.58 (com adaptações).

Tomando como referência os textos acima, avalie as afirmações que se seguem.

I. A plurissignificação de um texto literário é construída pela combinação de elementos que vão além da significação das palavras que o compõem.

II. A construção do texto literário envolve um processo de seleção e combinação de palavras baseados, necessariamente, no uso de metáforas.

III. A ambiguidade do texto literário resulta de um processo de seleção e combinação de palavras.

IV. O texto literário se diferencia do não literário por não depender de significação, mas, sim, de outros recursos no processo de seleção e combinação das palavras.

É correto apenas o que se afirma em

A) I e II.

B) I e III.

C) II e IV

D) I, III e IV.

E) II, III e IV.


ENADE 2011 - QUESTÃO 18

Texto I 

[...] na leitura — e essa é a primeira reflexão que quero fazer — de qualquer obra literária, de qualquer texto que tenha por base a intensificação de valores — daquilo que chamamos de uma ou outra maneira aproximada de valores literários —, existe sempre, como dizia o grande crítico canadense recentemente falecido, Northrop Frye, a necessidade de conhecimento de duas linguagens. Segundo ele, na leitura de qualquer poema, “é preciso conhecer duas linguagens: a língua em que o poeta está escrevendo e a linguagem da própria poesia”. [...] a literatura nunca é apenas literatura; o que lemos como literatura é sempre mais — é História, Psicologia, Sociologia. Há sempre mais que literatura na literatura. No entanto, esses elementos ou níveis de representação da realidade são dados na literatura pela literatura, pela eficácia da linguagem literária.
BARBOSA, J. A. Literatura nunca é apenas literatura. In: Seminário linguagem e
linguagens: a fala, a escrita, a imagem. Disponível em: <www. crma rio covas.sp.gov.br/ >.
Acesso em: 16 ago. 2011 (com adaptações).

Texto II

Fatores linguísticos, culturais, ideológicos, por exemplo, contribuem para modular a relação do leitor com o texto, num arco extenso que pode ir desde a rejeição ou incompreensão mais absoluta até a adesão incondicional. Também conta a familiaridade que o leitor tem com o gênero literário, que igualmente pode regular o grau de exigência e de ingenuidade, de afastamento ou aproximação.
BRASIL. MEC/SEB. Orientações curriculares para o ensino médio:
linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília, 2006, v.1, p. 68.

Considerando os textos acima, é correto afirmar que os professores 

A) devem privilegiar, no ensino médio, o estudo de obras da literatura brasileira e portuguesa, a fim de preparar os alunos para o ingresso profissional na universidade.

B) devem adotar, no ensino médio, metodologias que privilegiam a história da literatura, porque elas incorporam contextos socioculturais que favorecem a compreensão da linguagem literária.

C) devem privilegiar o estudo de obras que se ajustam às necessidades programáticas tanto da Língua Portuguesa quanto das demais disciplinas da estrutura curricular, enfatizando a função didático-pedagógica da literatura e de outros códigos e linguagens.

D) devem buscar a adequação de obras literárias a serem lidas, tomando como referência a idade dos alunos, a motivação e, ainda, o conteúdo programático a ser ministrado, favorecendo a interação entre língua e literatura.

E) devem adotar metodologias que privilegiam o contato direto com o texto literário e reflexões acerca das relações que o texto estabelece com outras áreas do conhecimento e com outros códigos e linguagens.


ENADE 2011 - QUESTÃO 19
No meio do meu descanso, toca o telefone: “Boa tarde, senhor. Aqui é da Mega Plus International, que, por sua boa relação como cliente, vai estar disponibilizando, totalmente grátis, sem nenhum custo adicional, o Ultra Mega Plus Card, com todas as vantagens do programa especial Mega Plus Services. Vai estar também oferecendo...” Pronto, já me perdi no gerúndio desnecessário dela. Respondo: “Obrigado pela oferta, mas não vou estar querendo, já tenho outro” “Mas, senhor...”, insiste a atendente, “que vantagens o seu cartão já oferece?” Respondo: “Não oferece vantagem nenhuma, mas o que rola entre a gente é uma relação sem interesse, é só amor mesmo...sabe aquele não querer mais que bem querer de Camões. A atendente de telemarketing se despede, mas não sem antes rir do outro lado da linha.
Disponível em: <www.sacodefilo.com>. Acesso em: 03 ago. 2011( com adaptações).

Em casos como o do texto acima, o uso do gerúndio constitui mais o que a descrição tradicional chamaria de vício de linguagem do que propriamente uso incorreto do ponto de vista da norma padrão. Dessa forma, esse uso fere mais aspectos estilísticos que estruturais da norma. Nessa perspectiva, assinale a opção em que o enunciado apresenta o mesmo tipo de inadequação linguística.

A) O Mário, ele vive dizendo que não gosta de ir ao cinema.

B) Você sabe que tenho ainda todas as tuas anotações do caso.

C) Eu, naquele momento de susto, se senti confuso e atordoado.

D) Pediu para que seje visto o caso com maior atenção possível.

E) A vítima do estrupo deu queixas na delegacia de sua cidade.


ENADE 2011 - QUESTÃO 20
De ordinário, quando se diz que certo termo deve concordar com outro, tem-se em vista a forma gramatical do termo de referência. Dúzia, povo, embora exprimam pluralidade e multidão de seres, consideram-se, por causa da forma, como nomes no singular. Há, contudo, condições em que se despreza o critério da forma e, atendendo apenas à ideia representada pela palavra, se faz a concordância com aquilo que se tem em mente. Consiste a sínese em fazer a concordância de uma palavra não diretamente com outra palavra, mas com a ideia que esta última sugere.
SAID ALI, M. Gramática histórica da língua portuguesa. 7. ed.
Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1971(com adaptações). 

A definição extraída de Said Ali, reproduzida acima, apresenta uma figura de sintaxe, a sínese, identificada, na maioria das vezes, em variantes mais populares da língua. 

Assinale a opção que apresenta um exemplo desse tipo de fenômeno sintático.

A) A maioria dos porcos ainda estava sendo recolhidos naquela hora.

B) Ao pobre homem mesquinho, basta-lhe um burrico e uma cangalha.

C) Chegaram o pai, a irmã e o cunhado com uma pressa que assustava.

D) Pretendia implantar um monopólio exclusivo de café e tabaco na região.

E) No fundo, a multidão se consolava. Para isso, pensavam em nós mesmos.


ENADE 2011 - QUESTÃO 21
Desde o final da década de 1970, começou um forte questionamento sobre a validade do ensino da redação como um mero exercício escolar, cujos objetivos principais seriam observar e apontar, através de uma correção quase estritamente gramatical, os “erros” cometidos pelos alunos. (...) Os alunos exercitariam uma forma escrita que raramente dialoga com outros textos e com vários leitores.
BUNZEN, C. Da era da composição à era dos gêneros: reflexões sobre o ensino
de produção de texto no ensino médio. In BUNZEN, C., MENDONÇA, M. (Orgs.).
Português no ensino médio e a formação do professor. São Paulo : Parábola
Editorial, 2006. p. 147.

Considerando o texto acima e a prática de redação em ambiente escolar, assinale a opção correta.

A) A moderna pedagogia linguística recomenda a prática da redação como estratégia de avaliação.

B) A redação escolar tem mantido identidade com outros gêneros textuais divulgados na escola.

C) É salutar que a produção de textos na escola abranja outras esferas da comunicação humana.

D) Nas produções de textos escolares, a função referencial da linguagem deve sempre ser priorizada como propósito comunicativo.

E) A redação escolar deve ser um exercício de escrita direcionado ao professor leitor.


ENADE 2011 - QUESTÃO 22
Para se formar e poder exercer bem sua profissão, um médico precisa dominar os saberes científicos, obtidos no curso universitário, e os saberes da ação, aprendidos durante o trabalho em hospitais, onde ele compartilha com médicos e enfermeiros o atendimento a pacientes. Se ele tiver somente o saber científico, pode até se tornar um bom conhecedor da medicina, mas jamais será um bom médico. Com os professores, ocorre situação semelhante: sem a prática, o educador não será eficiente em sala de aula.
CHARTIER, Anne-Marie. Nova Escola. São Paulo: Abril. n. 236, out./2010.

Estabelecendo a analogia entre as ideias manifestadas pela especialista francesa no texto acima e a formação e prática do professor de literatura em sala de aula, depreende-se que este deve

A) relacionar os saberes científicos aos saberes da ação, o que lhe permite fazer opções pedagógicas, e, ao aplicar domínios disponibilizados pela teoria, interferir nos objetivos definidores do conhecimento literário.

B) atualizar sua competência, ao discutir, por exemplo, obras com as quais não teve contato em sua formação, o que permite uma relação simétrica entre professor e aluno, condição indispensável na análise crítica de obras literárias.

C) reconhecer as diferenças entre o domínio das teorias e os métodos de ensino de literatura, mas concebêlos como irrelevantes frente ao acompanhamento do progresso e das dificuldades dos alunos em leitura de obras literárias.

D) usar com competência, durante o ano, todo o livro didático, o qual proporciona o domínio teórico necessário para abordar o historicismo literário, indispensável ao entendimento de obras de quaisquer gênero e época.

E) conceber a formação teórica como instância de abstrações, composta de generalizações e conceitos obrigatórios nos curriculares universitários, mas distanciada da prática escolar.


ENADE 2011 - QUESTÃO 23

Iracema voou

Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá

Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar:
— É Iracema da América
BUARQUE, C. 1998. Disponível em: <www.chicobuarque.com.br/construcao/
mestre.asp?pg=iracema_98.htm>. Acesso em: 11 ago. 2011.

A canção de Chico Buarque reproduzida acima mostra que personagens e temas da literatura permanecem presentes em formas e suportes diversos. Nessa perspectiva, como se estabelece a relação entre essa canção e o romance Iracema, de José de Alencar?

A) Ampliado pelo gênero musical, o texto de Chico Buarque apresenta aspectos culturais semelhantes aos da obra alencariana, relacionados ao projeto de construção da identidade nacional, sob a influência do movimento emancipatório iniciado no século XIX.

B) Os temas viagens, natureza e novo mundo, bem como a linguagem, convergentes tanto na canção quanto na obra de Alencar, retratam anseios nacionalistas em criar uma literatura portadora da identidade brasileira.

C) Embora a canção reaproveite da obra de Alencar a figura do indígena, exílio e busca pela modernidade, ela o faz em uma perspectiva de desconstrução desses elementos caracterizadores do período.

D) A (re)valorização e a fixação da identidade nacional constituem a antítese que fundamenta a escrita da canção, o que explica a negação do passado nacional e artístico revelada por Chico Buarque.

E) A relação de intertextualidade que se estabelece entre o texto contemporâneo e o romântico confirma a predominância da cultura colonizada em relação ao colonizador português na América.


ENADE 2011 - QUESTÃO 24
O conhecido modelo de proposta de redação “Minhas férias” parece perpetuar-se no meio escolar, dado que ainda são solicitadas produções textuais em que o aluno somente tem como referência o tema a ser abordado, sem quaisquer outras explicitações acerca de sua produção.

Considerando as especificidades dessa proposta de escrita, sob a perspectiva de que a produção textual se caracteriza não somente pelos seus aspectos linguísticos e textuais, mas também pelas suas funções frente às relações sociais particulares, pelos seus aspectos sociocomunicativos, analise as afirmações seguintes.

I. A estratégia mencionada reflete aquilo que vários estudos acerca das especificidades do processo escritural vêm discutindo recentemente: as habilidades nesse processo se realizam a partir de abstrações, as quais dispensam sobretudo as interferências extralinguísticas, contextuais.

II. À medida que os propósitos comunicativos, como parte das condições de produção do texto, foram deixados de lado na proposição da atividade, a realização desta se tornou inócua. 

III. A atividade mencionada limitou o processo de produção do aluno, comprometendo seu desempenho, por não ser indicada a situação comunicacional envolvida.

É correto o que se afirma em

A) I, apenas.

B) III, apenas.

C) I e II, apenas.

D) II e III, apenas.

E) I, II e III.


ENADE 2011 - QUESTÃO 25
Nos excertos I e II a seguir, encontram-se algumas atividades propostas em livros didáticos de língua portuguesa.

Excerto I

Atividade com trecho do poema O operário em construção, de Vinícius de Moraes.

Proposta:
(...)
2. Aponte todos os substantivos presentes no texto.
3. Aponte um substantivo abstrato presente no texto.
4. Aponte um substantivo concreto presente no texto.
5. Qual é o único substantivo presente no texto que admite uma forma para o masculino e outra para o feminino?
6. Há, no texto, algum substantivo próprio? Em caso afirmativo, aponte-o.

Excerto II

Atividade com o poema Os dias Felizes, de Cecília Meireles.

Proposta:
1. Reescreva os versos substituindo as palavras destacadas por suas formas plurais.
a) “A doçura maior da vida/flui na luz do sol”
b) “formigas ávidas devoram/ a albumina do pássaro frustrado.”
AZEVEDO, D. G. Palavra e criação: língua portuguesa. São Paulo: FTD, 1996. v.8, p. 102 (com adaptações).

As atividades em I e II

A) enfatizam a relação lúdica do leitor com o poema, o que permite o aprofundamento da leitura.

B) usam os poemas como recurso e pretexto para trabalhar com os alunos tópicos de gramática, ignorando aspectos mais relevantes.

C) são coerentes com os Parâmetros Curriculares Nacionais, principalmente por obedecerem o princípio de que não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos. 

D) exploram o sentido dos poemas, a partir de tópicos de gramática, o que está em consonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais, que propõem, para o ensino fundamental, o desenvolvimento das habilidades linguísticas básicas.

E) permitem a aproximação do aluno com a linguagem de poema, atendendo, assim, a um dos objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, o de conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe, credo, gênero ou etnia.


ENADE 2011 - QUESTÃO 26
Na Sociologia da Educação, o currículo é considerado um mecanismo por meio do qual a escola define o plano educativo para a consecução do projeto global de educação de uma sociedade, realizando, assim, sua função social. Considerando o currículo na perspectiva crítica da Educação, avalie as afirmações a seguir.

I. O currículo é um fenômeno escolar que se desdobra em uma prática pedagógica expressa por determinações do contexto da escola.

II. O currículo reflete uma proposta educacional que inclui o estabelecimento da relação entre o ensino e a pesquisa, na perspectiva do desenvolvimento profissional docente.

III. O currículo é uma realidade objetiva que inviabiliza intervenções, uma vez que o conteúdo é condição lógica do ensino.

IV. O currículo é a expressão da harmonia de valores dominantes inerentes ao processo educativo.

É correto apenas o que se afirma em

A) I.

B) II.

C) I e III.

D) II e IV.

E) III e IV. 


ENADE 2011 - QUESTÃO 27
O fazer docente pressupõe a realização de um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. São o planejamento, a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação, cada uma delas desdobradas em tarefas ou funções didáticas, mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito.
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2004, p. 72.

Considerando que, para desenvolver cada operação didática inerente ao ato de planejar, executar e avaliar, o professor precisa dominar certos conhecimentos didáticos, avalie as afirmações abaixo no que se refere a conhecimentos e domínios esperados do professor.

I. Conhecimento dos conteúdos da disciplina que leciona, bem como capacidade de abordá-los de modo contextualizado.

II. Domínio das técnicas de elaboração de provas objetivas, que configuram como instrumentos quantitativos precisos e fidedignos.

III. Domínio de diferentes métodos e procedimentos de ensino e capacidade de escolhê-los conforme a natureza dos temas a serem tratados e as características dos estudantes.

IV. Domínio do conteúdo do livro didático adotado, que deve conter todos os conteúdos a serem trabalhados durante o ano letivo.

É correto apenas o que se afirma em

A) I e II.

B) I e III.

C) II e III.

D) II e IV.

E) III e IV


ENADE 2011 - QUESTÃO 28

enade

Com base na projeção da população brasileira para o período 2010-2040 apresentada nos gráficos, avalie as seguintes asserções.

Constata-se a necessidade de construção, em larga escala, em nível nacional, de escolas especializadas na Educação de Jovens e Adultos, ao longo dos próximos 30 anos.

PORQUE

Haverá, nos próximos 30 anos, aumento populacional na faixa etária de 20 a 60 anos e decréscimo da população com idade entre 0 e 20 anos.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.

A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.

B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa da primeira.

C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa.

D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira.

E) Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas.


ENADE 2011 - QUESTÃO 29
Na escola em que João é professor, existe um laboratório de informática, que é utilizado para os estudantes trabalharem conteúdos em diferentes disciplinas. Considere que João quer utilizar o laboratório para favorecer o processo ensinoaprendizagem, fazendo uso da abordagem da Pedagogia de Projetos.

Nesse caso, seu planejamento deve

A) ter como eixo temático uma problemática significativa para os estudantes, considerando as possibilidades tecnológicas existentes no laboratório.

B) relacionar os conteúdos previamente instituídos no início do período letivo e os que estão no banco de dados disponível nos computadores do laboratório de informática.

C) definir os conteúdos a serem trabalhados, utilizando a relação dos temas instituídos no Projeto Pedagógico da escola e o banco de dados disponível nos computadores do laboratório.

D) listar os conteúdos que deverão ser ministrados durante o semestre, considerando a sequência apresentada no livro didático e os programas disponíveis nos computadores do laboratório.

E) propor o estudo dos projetos que foram desenvolvidos pelo governo quanto ao uso de laboratórios de informática, relacionando o que consta no livro didático com as tecnologias existentes no laboratório.


ENADE 2011 - QUESTÃO 30

enade

Muitas vezes, os próprios educadores, por incrível que pareça, também vítimas de uma formação alienante, não sabem o porquê daquilo que dão, não sabem o significado daquilo que ensinam e quando interrogados dão respostas evasivas: “é pré-requisito para as séries seguintes”, “cai no vestibular”, “hoje você não entende, mas daqui a dez anos vai entender”.

Muitos alunos acabam acreditando que aquilo que se aprende na escola não é para entender mesmo, que só entenderão quando forem adultos, ou seja, acabam se conformando com o ensino desprovido de sentido.
VASCONCELLOS, C. S. Construção do conhecimento em sala de aula.
13ª ed. São Paulo: Libertad, 2002, p. 27-8. 

Correlacionando a tirinha de Mafalda e o texto de Vasconcellos, avalie as afirmações a seguir.

I. O processo de conhecimento deve ser refletido e encaminhado a partir da perspectiva de uma prática social.

II. Saber qual conhecimento deve ser ensinado nas escolas continua sendo uma questão nuclear para o processo pedagógico.

III. O processo de conhecimento deve possibilitar compreender, usufruir e transformar a realidade.

IV. A escola deve ensinar os conteúdos previstos na matriz curricular, mesmo que sejam desprovidos de significado e sentido para professores e alunos.

É correto apenas o que se afirma em

A) I e III. 

B) I e IV. 

C) II e IV. 

D) I, II e III. 

E) II, III e IV. 


ENADE 2011 - QUESTÃO 31

Texto I

O termo “adaptar” está presente, hoje, em muitos setores da vida das pessoas: na adaptação escolar de uma criança, na adaptação de um romance para um filme ou na adaptação de objetos, instrumentos ou textos literários para outros destinatários que não os originais. Segundo o dicionário Aurélio, adaptar significa “ajustar, acomodar, adequar”. [...] 

Essa adequação de comportamentos, objetos, instrumentos ou textos, de uma maneira geral, configura uma prática problematizada porque, justamente, envolve dois sujeitos: “o que faz” e aquele “para quem se faz”, dados os diferentes pontos de vista do “emissor” e do “receptor” do produto final. A preocupação primeira do sujeito adaptador deverá ser a de assumir o lugar do outro, a fim de melhor executar sua tarefa. Essa postura, no entanto, nem sempre é garantia de um resultado final satisfatório para o público-alvo. 

[...] No entanto, o artifício pode configurar uma solução, à medida que faculta à criança o acesso a objetos ou artefatos não destinados, inicialmente, a ela.
BÖHM, G. H. Peter Pan puvenil: Memória de Gramado, São Paulo: Cultura Acadêmica; Assis: ANEP, 2004, p.58-71.

Texto II 

E foi, provavelmente, no bojo de um de seus projetos previamente combinados com Octales, da Companhia Editora Nacional, que, em 1936, [Monteiro Lobato] lança seu D. Quixote das crianças. Nesse livro, encontra-se um projeto de leitura, de tradução e adaptação. E o leitor de hoje — em particular, o educador preocupado com questões de leitura — pode encontrar, nesse Quixote, respostas para questões que permeiam seu dia a dia escolar e que abrangem desde a crucial pergunta “que livro indicar?” até a questão de os clássicos serem ou não adequados a tal ou qual faixa etária.
LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1994, p. 97 (com adaptações).

Considerando os textos I e II, avalie as seguintes afirmações.

I. Os textos literários, quando adaptados para se adequarem ao leitor iniciante, revelam o caráter didático e utilitário, que os liga a um ramo específico do conhecimento (valores morais, tópicos gramaticais, fatos históricos, entre outros).

II. A existência de um projeto ficcional levado a termo pelo autor que se propõe efetuar a adaptação de um texto literário pode dotar a adaptação de uma função mediadora na formação de leitores.

III. O processo de adaptação, quando atinge a motivação estética da literatura e o repertório do destinatário, tende a promover a interação entre leitor e texto, sujeito e objeto de leitura.

IV. O processo de adaptação de textos literários implica a redução e o empobrecimento da obra original, causando danos à linguagem literária e aos recursos estilísticos da obra.

Está correto apenas o que se afirma em

A) I e III.

B) I e IV.

C) II e III.

D) I, II e IV.

E) II, III e IV.


ENADE 2011 - QUESTÃO 32
Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos de forma intensa, aberta e universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e transmissão de texto: a mão, por impressão e por meio eletrônico — e elas coexistem.
Disponível em: <http://revistaescola.abril.uol.com.br/lingua-portuguesa/
fundamentos/roger-chartier>
Acesso em: 20 ago. 2011(com adaptações).

A partir da citação de Roger Chartier, reproduzida acima, o que se pode afirmar em relação ao uso das tecnologias da informação e da comunicação no ensino da escrita e da leitura?

A) A tecnologia, ao fazer circular os textos de forma intensa, aberta e universal, acaba instaurando outra linguagem, o “internetês”, que, devido ao grande alcance entre os usuários em formação escolar, vai substituindo, pouco a pouco, a variante culta da língua portuguesa.

B) Os instrumentos digitais móveis cada vez mais modernos, como, por exemplo, os aparelhos celulares, favorecem a mobilidade da leitura, proporcionando aos seus usuários a liberdade tão cerceada pelas convenções que a leitura impressa impõe.

C) A transformação da técnica de produção, reprodução e circulação da cultura escrita, provocada pela tecnologia, reforça possibilidades diversas de acesso à leitura, mas não descaracteriza outras formas e outros suportes.

D) A extinção da leitura em livros impressos no Brasil é inevitável, haja vista os leitores hoje conviverem com repositórios digitais de leitura cada vez mais modernos, como os tablets.

E) Os livros eletrônicos e os textos digitalizados, além de oferecerem inúmeras facilidades para a leitura e para a pesquisa, detêm a primazia sobre a cultura impressa.


ENADE 2011 - QUESTÃO 33
Muito se tem falado sobre o ensino linguístico-discursivo da Língua Portuguesa desde a publicação dos PCN-LP (BRASIL, 1998). Essa visão é extremamente adequada às novas concepções de ensino de línguas no mundo, que precisa, cada vez mais, de um ser humano apto a atuar socialmente em termos de linguagem. Essa forma de ver também se afina aos novos estudos do letramento, que enfatizam a necessidade de trazer, para dentro da escola ,as demais práticas sociais.

Essa perspectiva é 

A) recorrente na tese inatista de Chomsky, segundo a qual a faculdade da linguagem é um esquema formal e abstrato. 

B) complementar aos ensinamentos vygotskyanos, que revelam evidências de que a língua é uma atividade social, global e cooperativa.

C) divergente da tese construtivista de Piaget, segundo a qual o conhecimento é resultado de atividades estruturadoras dos indivíduos.

D) contrária à explicação sistêmica-funcionalista de Halliday, para quem a linguagem, ao ser proferida em contexto, possui sempre uma função social.

E) inerente à tese inatista expressa em Lennemberg, que postula que falar é natural como andar e considera natural a aprendizagem da leitura e da escrita.


ENADE 2011 - QUESTÃO 34
O seguinte diálogo entre uma mãe (A) e sua filha de 2 anos (N) foi transcrito como foi falado.

A: “E o que você fez, depois, meu bem?”

N: “Eu fazi o favô de i lá pa ela.”

A: “Ah, é? E daí?”

N: “Eu tússi o pacotchi pa ela.”

A: “Que lindinha! Você gosta da vovó?”

N: “Eu amu ela.”

De acordo com o entendimento atual de linguagem e de sua aquisição, essa fala é um bom exemplo para ser usado por um professor em sala de aula porque revela que

A) N, como interlocutora, está aprendendo sua língua na interação, pautada pelo foco na comunicação.

B) N, como ainda é nova, está errando muito no seu modo de falar, porque não interiorizou a gramática padrão.

C) N, como falante nativa, está-se apropriando da língua padrão, sendo o seu falar uma idiossincrasia indevida.

D) A, como mãe e interlocutora adulta, não corrige a filha, mas deveria corrigi-la para ela aprender a metalinguagem.

E) A, como mãe e interlocutora adulta, não corrige a filha, porque desconhece a gramática normativa e, assim, aceita tudo o que é dito pela filha pequena.


ENADE 2011 - QUESTÃO 35
Na tradição escolar brasileira, havia um evento denominado “dar lição”, em que se pedia ao aluno que se levantasse, lesse um texto indicado e, em seguida, criasse uma paráfrase do que havia lido, usando palavras próprias.

Segundo as atuais teorias e metodologias de ensino da língua,

A) a leitura silenciosa coletiva deve ceder lugar à leitura em voz alta.

B) a leitura em voz alta por um único aluno não traz benefícios aos demais colegas.

C) o hábito de criar um texto parafrástico é nocivo porque favorece interpretações equivocadas.

D) a referida tradição deve ser abandonada porque o ato de levantar-se contribui fortemente para a insegurança linguística do aluno.

E) o professor poderá, na oportunidade de ouvir a paráfrase construída pelo aluno leitor, fazer mediações, para facilitar a compreensão da leitura.


ENADE 2011 - QUESTÃO 36
Alguns estudos sobre fenômenos de mudança no Português brasileiro mostram que a forma “a gente” originou-se de um substantivo, “gente”, que, ao assumir, em certos contextos discursivos, determinados valores, passou a fazer parte de outra classe, a dos pronomes.

Trata-se, pois, de um caso de gramaticalização, que, grosso modo, ocorre quando um item lexical se torna um item gramatical, ou quando itens gramaticais se tornam ainda mais gramaticais.

Um desses estudos indica que, ao longo do tempo, o substantivo “gente” foi perdendo a especificação de número e de certas propriedades sintáticas e ganhando traços de pronome.

Considere dois grupos de exemplos relativos aos traços de número e ao arranjo sintático.

Grupo A

1a. Quem viu o mundo como eu vi viu as gentes como eram.

2a. E sua gente foi com ele.

3a. Esta gente anda não se sabe para onde.

4a. Todas as gentes da aldeia ficaram arrasadas.

Grupo B

1b. E hoje a gente mora junto, por assim dizer.

2b. A gente pegou a estrada.

3b. A gente vai mudar as nossas coisas para outro lugar.

4b. O que a gente comia muito lá é sanduíche e sopa.

Considerando o texto e os grupos de exemplos apresentados, assinale a opção correta.

A) Quanto à flexão de número, os exemplos do grupo A não apresentam, com nitidez, a distinção pertinente a esse traço.

B) Quanto à flexão de número, os dados do grupo B não trazem casos de “gente” flexionados.

C) Quanto ao arranjo sintático, nos exemplos do grupo A, a expressão “gente” ocorre sem modificadores, característica dos pronomes.

D) Quanto ao arranjo sintático, nos exemplos do grupo B, “a gente” ocorre com diferentes modificadores, o que indica seu cárater de substantivo comum.

E) De acordo com as informações do texto, a ordem diacrônica do português deve ser evolução da gramática do grupo B para a do grupo A.


ENADE 2011 - QUESTÃO 37
Comecei a fazer um tratamento com um medicamento muito forte à base de corticoide. Para quem nunca tomou medicamento mais forte que uma Aspirina ou um Tilenol, vocês podem imaginar como foi difícil para mim tomar esta medida.
Disponível em: <http://www.amigosdebike.com.br>. Acesso em: 19 ago. 2011.

Considerando o texto apresentado e as restrições naturais ao emprego do pronome oblíquo “mim” em português, avalie as asserções que se seguem.

No texto acima, o pronome oblíquo está colocado antes do verbo e empregado de acordo com a norma culta.

PORQUE

O fato de o pronome “mim” estar em posição imediatamente anterior ao verbo não indica, necessariamente, que ele seja o seu sujeito da oração, como ocorre no texto apresentado acima.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.

A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.

B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas segunda não é uma justificativa correta da primeira.

C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa.

D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira.

E) Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas.


ENADE 2011 - QUESTÃO 38
Vou-me embora vou-me embora
Vou-me embora pra Belém
Vou colher cravos e rosas
Volto a semana que vem

Vou-me embora paz na terra
Paz na terra repartida
Uns têm terra muita terra
Outros nem pra uma dormida

Não tenho onde cair morto
Fiz gorar a inteligência
Vou reentrar no meu povo
Reprincipiar minha ciência

Vou-me embora, vou-me embora
Volto a semana que vem
Quando eu voltar minha terra
Será dela ou de ninguém
ANDRADE, M. Lira Paulistana & O carro da miséria.
São Paulo: Martins, 1945. 

Considerando-se esse poema de Mário de Andrade, qual dos procedimentos a seguir define a sua construção no que concerne a aspectos de literariedade?

A) Abordagem desprovida de procedimentos inovadores, tanto da perspectiva estrutural do poema quanto da temática. O reaproveitamento puro e simples do verso “Vou-me embora”, lembrando o famoso verso “Voume embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira, demonstra essa ausência de inovação.

B) Embora o texto seja de autoria de consagrado escritor da literatura brasileira, a linguagem utilizada, de caráter notadamente popular, aproxima-se do cotidiano, comprometendo a sua literariedade.

C) Apropriação de uma estrutura poética fixa, para tratar de temas populares por meio de uma elaboração estilizada da linguagem, na qual interagem, no mesmo espaço textual, traços caracterizadores da linguagem popular e da erudita.

D) O tom de proximidade com as cantigas da tradição popular leva à perda da literariedade do poema, o que descaracteriza os elementos que configuram o texto como produto artístico.

E) A estrutura poética revela um fazer que privilegia padrões da versificação, purismo de linguagem acadêmica e uso do repertório de grandes temas da tradição literária.


ENADE 2011 - QUESTÃO 39

Brasileiro não gosta de ler?

Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque , em nossa casa, livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Veríssimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.
LUFT, L. Brasileiro não gosta de ler? Veja. São Paulo: Abril. Ed. 2125. 12 ago. 2009. 

Nesse texto, Lya Luft questiona a ideia preconcebida de que brasileiro não gosta de ler e suscita práticas de leitura capazes de seduzir a “meninada”. Entre as propostas que seguem, qual atende o que é sugerido pela autora?

A) Ampliar o repertório cultural de professores, com vistas a disseminar, no universo escolar, comportamentos leitores. Nesse caso, o gênero ideal são os clássicos literários, com ênfase na crônica, cuja estrutura é apropriada para leitores mirins.

B) Enfatizar, nos processos de leitura, as três competências: identificação e recuperação de informações; integração e interpretação; reflexão e avaliação, a exemplo do que estabeleceu, em 2009, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).

C) Desenvolver o contato com outras linguagens, em paralelo à leitura de escritos literários, a fim de construir histórias de leitura literária para os alunos que não tiveram oportunidade de estabelecer relações com livros.

D) Ensinar estudantes a gostarem de literatura, com ênfase nos clássicos, especificando elementos determinantes para formar leitores proficientes, tais como: quem, como, o que, por que, para que, quando e onde se lê.

E) Ter acesso a formas e técnicas que promovam a leitura como um ato aprazível, capaz de contribuir para o desenvolvimento de comportamentos leitores e para a formação de leitores iniciantes.


ENADE 2011 - QUESTÃO 40

enade

A inserção da multimodalidade no escopo de assuntos pertinentes à Linguística Textual implica: um necessário alargamento do conceito de texto, de modo a incorporar nele elementos não verbais (imagem, cor etc.); o emprego de dispositivos analíticos oriundos do campo de estudo do texto, que permita trabalhar com tais signos.
BENTES, A. C. RAMOS, P. ALVES FILHO, F. Enfrentando desafios no campo dos estudos do texto. In: BENTES, A. C, LEITE, M. Q. (Orgs.).
Linguística de texto e Análise da conversação: panorama das pesquisas no Brasil. São Paulo: Cortez, 2010, (com adaptações).

Considerando o texto e a tirinha de Quino, que apresenta a menina Mafalda e seu irmão Guille, assinale a opção em que a análise da tirinha, como texto multimodal, recorre a dispositivos analíticos oriundos do campo de estudo do texto verbal.

A) Na tira, observa-se o desapontamento de Malfada com o mundo e como ela cria um meio para mostrar isso ao irmão pequeno, Guille, ou seja, ela recorre à comparação do mundo com o conteúdo fecal da fralda. Esse procedimento é percebido pelo desenho do último quadro em que os dois personagens olham para o conteúdo da fralda.

B) A tira possibilita uma interpretação humorística por meio do procedimento da inversão de conceitos, ou seja, não é comum que uma criança apresente intenso juízo de valor em relação ao mundo, nem seja capaz de pensar no jargão vulgar que é inferido pelo estado dos personagens no último quadro.

C) A tira traz um diálogo entre Mafalda e seu irmão Guille. Os personagens aparecem no primeiro quadrinho e tornamse os objetos de discurso visuais desse quadro. Todos os quadros seguintes retomam coesivamente os dois personagens, mas, em cada quadro, esses objetos de discurso são reconfigurados pela alteração do desenho, que revela o estado dos personagens.

D) O juízo que Mafalda faz em relação ao mundo não é dito, mas inferido. Essa inferência é também construída pela mudança de enquadramento no último quadro, o que permite observar-se, com mais nitidez, a expressão facial dos personagens.

E) O desapontamento de Mafalda apresenta uma forte carga de ironia. A forma como foram utilizados os painéis atua para exprimir esse efeito. Nessa tira, a posição dos painéis dá pista sobre a ênfase conferida a certos aspectos da narrativa em que recaem a ironia.


ENADE 2011 - QUESTÃO 41
Entre os objetivos do ensino de língua materna, está a ampliação da capacidade de reconhecer certos fenômenos linguísticos e de refletir a seu respeito. Na abordagem da norma padrão, que estratégia metodológica se relaciona com o objetivo de ensino referido?

A) Comparar textos orais e textos escritos para identificar naqueles os desvios da norma padrão e nestes, o padrão normativo.

B) Mapear os recursos de coesão para associá-los à norma padrão e aplicá-los a outros textos.

C) Reconhecer as escolhas lexicais, a fim de relacioná-las com usos cultos da língua.

D) Comparar as variedades linguísticas quanto à sua estrutura e à eficácia comunicativa.

E) Identificar e corrigir, em cada texto, os usos que se distanciam da norma.


ENADE 2011 - QUESTÃO 42

Soneto XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.
BILAC, O. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo.
São Paulo: Global, 2003, p. 54.

Olavo Bilac, mais conhecido como poeta parnasiano, expressa traços românticos em sua obra. No soneto apresentado, o traço romântico observado é a

A) erudição do vocabulário.

B) objetividade do eu lírico.

C) predominância de descrição.

D) idealização do tema amoroso.

E) utilização de universo mitológico.


ENADE 2011 - QUESTÃO 43
Os pais aproximam-se de um táxi e a filhinha de dois anos e meio se dirige ao motorista dizendo: “Eu também vai”.

Na situação descrita,

A) o pronome e a forma verbal no enunciado são elementos de coesão textual.

B) a criança não tem o português como língua materna, o que fica claro no seu enunciado.

C) a criança ainda não tem competência para assumir o piso de fala diante de interlocutor desconhecido.

D) a criança ainda não demonstra competência comunicativa para usar, em sua fala, pronomes pessoais.

E) a fala da criança indica que a aquisição da forma verbal de terceira pessoa verbal precedeu a de primeira pessoa.


ENADE 2011 - QUESTÃO 44
Atendente: Vou passar seu pedido ao gerente. Assim que ele dispuser de tempo e poder tratar do seu caso, faremos contato com o senhor.

Nessa fala, 

A) verifica-se uma regra de variação sintática.

B) o atendente demonstra familiaridade com seu interlocutor.

C) a alternância no uso da primeira pessoa do singular e da primeira do plural deve-se a questão de referência.

D) ocorre paralelismo sintático, pois a segunda forma verbal subjuntiva sofre influência da anterior no que diz respeito à prescrição gramatical.

E) constata-se adequação às exigências do estilo monitorado que o atendente adquiriu por força de suas tarefas comunicativas.


ENADE 2011 - QUESTÃO 45
A questão central não é o problema da nomeação dos gêneros, mas o de sua identificação, pois é comum burlarmos o cânon de um gênero fazendo uma mescla de formas e funções. No geral, os gêneros estão bem fixados e não oferecem problemas para sua identificação. No caso de mistura de gêneros, adoto a sugestão da linguista alemã Ulla Fix (1997:97), que usa a expressão “intertextualidade tipológica” para designar esse aspecto de hibridização ou mescla de gêneros, em que um gênero assume a função de outro.
MARCUSCHI, L. A. Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão.
São Paulo: Parábola, 2008.

Com base na ideia de Marcuschi de intergenericidade, qual dos textos abaixo não justifica a definição apresentada pelo autor?

A) Viva saudável com os livros

Diogenes
Os livros Diogenes acham-se internacionalmente introduzidos na biblioterapia.

Posologia
As áreas de aplicação são muitas. Principalmente resfriados, corizas, dores de garganta e rouquidão, mas também nervosismo, irritações em geral e dificuldade de concentração. Em geral, os livros Diogenes atuam no processo de cura de quase todas as doenças para as quais prescreve-se descanso. Sucessos especiais foram registrados em casos de convalescença.

Propriedades
O efeito se faz notar pouco tempo após iniciada a leitura e tem grande durabilidade. Livros Diogenes aliviam rapidamente a dor, estimulam a circulação sanguínea, e o estado geral melhora. Precauções/riscos
MARCUSCHI, L. A. Produção Textual, Análise de Gêneros e
Compreensão. São Paulo: Parábola Editora. 2008, p.165-6
B) Um novo José
Josias de Souza

São Paulo

Calma, José
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio, (...).
Folha de S. Paulo, Caderno 1, p. 2, 4/10/1999.

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judiciário,1,bem-estar,13,biblioteconomia,4,biografia,1,biologia,65,biomedicina,8,bioquimica,1,blogger,3,bncc,12,bolsafamilia,1,braille,1,callfrom,1,carnaval,2,cecierj,5,cederj,5,cefetba,40,cefetmg,33,celebridades,1,celpebras,1,cesgranrio,52,cfc,9,ciencias,84,ciências contábeis,20,ciências da saúde,1,ciências econômicas,4,ciências sociais,3,claudiogaleno,1,colunas,11,comercio exterior,1,computação,5,comunicação social,1,concurso,397,conhecimento específico,3,conscam,45,conta pra mim,41,contabilidade,9,contabilidade avançada,1,contabilidade de custos,1,contabilidade pública,10,contabilidadedecustos,1,contador,5,coronavirus,8,criminologia,1,cultura,30,curiosidade,5,datas comemorativas,24,declaracoes,6,desenhos,393,design,5,design de interiores,1,design de moda,1,design grafico,1,destaque,27,detran,2,devry,1,dietética,2,direito,158,direito administrativo,27,direito ambiental,2,direito civil,27,direito constitucional,28,direito do trabalho,25,direito eleitoral,1,direito empresarial,26,direito financeiro,1,direito penal,28,direito processual civil,1,direito processual do trabalho,1,direito processual penal,2,direito tributário,26,direitoadministrativo,2,direitocivil,3,direitos humanos,1,duvidas,5,economia,2,educação,51,educação física,17,educação infantil,343,eleicoes,1,enade,264,enare,1,encceja,44,enem,87,enfermagem,17,engenharia,4,engenharia ambiental,1,engenharia civil,2,engenharia da computação,2,engenharia de alimentos,1,engenharia de produção,2,engenharia eletrica,1,engenharia florestal,1,engenharia mecanica,1,engenharia quimica,1,ensino fundamental,315,escola,1,espanhol,39,espcex,32,especial,1,espm,6,esportes,1,estatística,2,exame nacional,2,explicacao,47,facid,1,faculdade,30,faculdade dinamica,2,fadip,1,fagoc,2,famema,28,famerp,14,farmacia,9,fasa,9,faseh,1,fatec,25,fcc,107,fdsbc,4,fei,19,fgv,32,filosofia,24,fiscal de obras e posturas,1,fisica,66,fisioterapia,8,fmabc,4,fmo,2,fonoaudiologia,7,formação 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gerenciais,3,procurador,1,professor,18,pronatec,3,prouni,5,provas,1063,provas access,1,provas agirh,8,provas albert einstein,6,provas ameosc,2,provas amrigs,3,provas avança sp,5,provas cecierj,2,provas cefetmg,33,provas cfc,8,provas concurso,216,provas da univesp,2,provas enade,263,provas enare,1,provas encceja,35,provas enem,32,provas espcex,3,provas espm,3,provas famema,15,provas famerp,8,provas faseh,1,provas fatec,20,provas fdsbc,2,provas fei,2,provas fgv,8,provas fmabc,2,provas fundatec,3,provas fuvest,11,provas iades,2,provas ieses,3,provas ifba,1,provas ifce,2,provas ifmg,3,provas ifnmg,1,provas ifpi,7,provas ifsul,9,provas ifto,8,provas ime,1,provas ita,9,provas mackenzie,15,provas nível fundamental,2,provas nível médio,20,provas nível superior,129,provas oab,198,provas puc,8,provas pucgo,1,provas pucrj,1,provas quadrix,2,provas reis&reis,1,provas residencia,38,provas revalida,4,provas santa casa,7,provas uece,14,provas ueg,7,provas uel,4,provas uem,3,provas uema,4,provas uerj,2,provas ufac,3,provas ufrgs,1,provas unemat,1,provas unesc,7,provas unesp,6,provas unicamp,8,provas unicesumar,2,provas uniceub,2,provas unichristus,5,provas unifenas,5,provas unifesp,20,provas unifor,5,provas unioeste,2,provas unip,1,provas unirg,6,provas unitins,2,provas upe,11,provas usp,39,provas vestibular,365,provas vunesp,1,psicologia,35,publicidade e propaganda,3,publieditorial,2,puc-go,3,puc-pr,2,puc-rs,106,puc-sp,69,pucrj,1,questão agirh,34,questão alemao,8,questão anasem,60,questão arquitetura e urbanismo,87,questão atualidades,35,questão automação industrial,26,questão auxiliar judiciário,48,questão avmoreira,59,questão cecierj,64,questão cederj,128,questão cespe,221,questão comercio exterior,27,questão computação,136,questão comunicação social,24,questão construção de edifícios,27,questão coronavirus,25,questão crespe,659,questão da access,40,questão da agirh,60,questão da albert einstein,397,questão da ameosc,40,questão da amrigs,180,questão da aocp,50,questão da 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controle externo,6,questão de criminologia,5,questão de defesa do consumidor,10,questão de design,116,questão de design de moda,53,questão de dietética,40,questão de direito,3097,questão de direito administrativo,268,questão de direito administrativo e constitucional,10,questão de direito ambiental,21,questão de direito civil,208,questão de direito constitucional,265,questão de direito da criança e do adolescente,5,questão de direito da pessoa com deficiência,3,questão de direito do consumidor,5,questão de direito do trabalho,130,questão de direito eleitoral,7,questão de direito empresarial,139,questão de direito financeiro,28,questão de direito penal,207,questão de direito penal militar,6,questão de direito previdenciario,10,questão de direito processual civil,70,questão de direito processual do trabalho,5,questão de direito processual penal,71,questão de direito tributário,178,questão de direito urbanistico,8,questão de direitos humanos,4,questão de economia do setor público,4,questão de educação física,237,questão de enfermagem,222,questão de engenharia civil,69,questão de engenharia da computação,91,questão de engenharia de produção,47,questão de escriturário,10,questão de espanhol,590,questão de estatistica,35,questão de farmácia,239,questão de filosofia,300,questão de física,1673,questão de física médica,55,questão de fisioterapia,205,questão de fonoaudiologia,151,questão de frances,139,questão de geografia,1446,questão de gestão ambiental,37,questão de gestão de recursos humanos,40,questão de gestão financeira,81,questão de gestão hospitalar,54,questão de governança e gestão,40,questão de história,1975,questão de informática,164,questão de inglês,1449,questão de jornalismo,168,questão de legislação,236,questão de legislação penal,15,questão de legislação tributária,23,questão de licenciatura,57,questão de literatura,374,questão de marketing,54,questão de matemática,3333,questão de medicina,1631,questão de medicina legal,25,questão de medicina veterinária,192,questão de música,36,questão de necropsia,20,questão de neurologia pediátrica,30,questão de nutrição,301,questão de odontologia,152,questão de pedagogia,92,questão de planejamento e orçamento público,30,questão de português,4262,questão de processo legislativo,5,questão de processos gerenciais,47,questão de psicologia,340,questão de publicidade e propaganda,54,questão de química,1546,questão de raciocínio lógico,180,questão de radiologia,79,questão de redação,2,questão de relações internacionais,75,questão de saúde pública,50,questão de secretariado executivo,107,questão de segurança pública,5,questão de servico social,101,questão de serviço social,88,questão de sistema normativo anticorrupção,5,questão de sistemas de informação,30,questão de sociologia,186,questão de teatro,48,questão de tecnologia em agronegocio,53,questão de tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas,30,questão de tecnologia em análise e desenvolvimentos,24,questão de tecnologia em gestão e 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Prova de Letras ENADE 2011 com Gabarito
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INDAGAÇÃO
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