“Apareceu um homem na beira do rio. / Apareceu uma ave na beira do rio. Apareceu a / concha.” (versos 3-5)

QUESTÕES 07 e 08 TEXTO 05 XI O mundo não foi feito em alfabeto. Senão que primeiro em água e luz. Depois árvore. Depois lagartixas. Apareceu...
QUESTÕES 07 e 08

TEXTO 05

XI

O mundo não foi feito em alfabeto. Senão que primeiro em água e luz. Depois árvore. Depois lagartixas. Apareceu um homem na beira do rio. Apareceu uma ave na beira do rio. Apareceu a concha. E o mar estava na concha. A pedra foi descoberta por um índio. O índio fez fósforo da pedra e inventou o fogo pra gente fazer boia. Um menino escutava o verme de uma planta, que era pardo. Sonhava-se muito com pererecas e com mulheres. As moscas davam flor em março. Depois encontramos com a alma da chuva que vinha do lado da Bolívia – e demos no pé. (Rogaciano era índio guató e me contou essa cosmologia).
BARROS, Manoel de. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2016. p. 71.

IFNMG 2020 - QUESTÃO 08
“Apareceu um homem na beira do rio. / Apareceu uma ave na beira do rio. Apareceu a / concha.” (versos 3-5) Sobre a repetição do verbo “aparecer” e do adjunto adverbial “na beira do rio”, no TEXTO 05, assinale a alternativa que traz o julgamento mais adequado. 

A) Trata-se de um recurso expressivo, a personificação; no poema de Barros, a personificação, além de enfatizar o aparecimento dos seres e o local de aparecimento deles, ainda os põe na mesma condição (“um homem”, “uma ave”, “a / concha”), o que vai ao encontro da ideia de não separação entre ser humano e natureza.

B) Trata-se de um recurso expressivo, a anáfora; no poema de Barros, a anáfora, além de enfatizar o aparecimento dos seres e o local de aparecimento deles, ainda os põe na mesma condição (“um homem”, “uma ave”, “a / concha”), o que vai ao encontro da ideia de não separação entre ser humano e natureza.

C) Trata-se de um equívoco do poeta, pois repetições devem ser sempre evitadas. Caberia a ele substituir algumas ocorrências do verbo “aparecer” e do adjunto adverbial “na beira do rio” por sinônimos ou pronomes, de modo a manter a coesão.

D) A percepção da repetição ou não repetição dos termos é irrelevante no estudo do poema. Afinal, o valor do poema está em seu conteúdo, isto é, na ideia que quer defender, não na escolha de palavras ou em outras questões puramente formais.

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
B) Trata-se de um recurso expressivo, a anáfora; no poema de Barros, a anáfora, além de enfatizar o aparecimento dos seres e o local de aparecimento deles, ainda os põe na mesma condição (“um homem”, “uma ave”, “a / concha”), o que vai ao encontro da ideia de não separação entre ser humano e natureza.

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