1°§ É sério: o segredo da felicidade tem a ver com a redução de expectativas. Aquele seu amigo

1°§ É sério: o segredo da felicidade tem a ver com a redução de expectativas. Aquele seu amigo

A EQUAÇÃO DA FELICIDADE

1°§ É sério: o segredo da felicidade tem a ver com a redução de  expectativas. Aquele seu amigo piadista das redes sociais e o  para-choque dos caminhões pelo Brasil estão há muito tempo  falando a verdade. Quem endossa essa tese são cientistas e  sociólogos, cujas descobertas sobre o estado de espírito mais  cobiçado pela humanidade estão na mira de corporações dos  mais variados tipos e tamanhos. Essa tal felicidade pode, claro,  se fazer presente nas coisas mais simples da vida, como tomar  um picolé ou curtir uma roda de violão. O “povo de humanas” tem muito a dizer sobre isso. Mas a lógica por trás desse  sentimento tem sido cada vez mais alvo de estudo e pesquisa  de instituições renomadas. Se a academia tem chegado ao  mesmo tipo de conclusão que a sabedoria popular, a questão  passou a ser como medir o grau de felicidade de uma pessoa  ou de um grupo. Esse desafio toca principalmente neurocientistas e economistas: quantificar algo tão abstrato que deveria  ser impossível de medir. Mas eles insistem. A busca não começou agora. Os gregos, como sempre, deram a largada lá atrás.  Alguns séculos depois, a Universidade de Harvard, nos Estados  Unidos, propôs uma experiência em longo prazo, da qual até  o ex-presidente norte-americano John Kennedy participou.

2°§ Também estão nesse jogo de passar a felicidade a limpo  equipes como a da University College London, do Reino Unido. Eles publicaram em 2014 e atualizaram neste ano uma  fórmula matemática que, segundo os criadores, é capaz de  prever se uma pessoa será feliz e ainda determinar como a  prosperidade alheia e a desigualdade social são capazes de  afetar a felicidade individual. Para chegar à “fórmula da fe-licidade”, o time liderado pelo neurocientista Robb Rutledge  estabeleceu o seguinte processo na primeira etapa: 26 pessoas foram submetidas a uma série de tarefas em que, a partir  de decisões que elas tomavam, poderiam ganhar ou perder  dinheiro; enquanto as decisões eram tomadas, os participantes respondiam o quanto estavam felizes naquele instante;  uma ressonância magnética media a atividade cerebral de  cada participante no momento em que ele dava a resposta.  Com esses dados, os pesquisadores deduziram a equação,  considerando o que os participantes esperavam ganhar, as  recompensas obtidas e as sensações geradas no cérebro de cada um deles. E a conclusão da equipe foi que… sim, as suas expectativas definem o quanto você será feliz.

3°§ O time do dr. Rutledge ampliou a brincadeira. Por meio de  um jogo de celular, estenderam o teste a 18 mil pessoas. O  resultado: “expectativas mais baixas tornam mais provável  que um resultado as supere e tenha um impacto positivo na  felicidade”. E o simples fato de planejar e esperar que algo  bom aconteça pode nos deixar mais felizes, mesmo que por  um breve momento. Até aí, nenhuma grande novidade. Mas  o endosso científico ao senso comum ajuda a entender distúrbios ligados às emoções humanas, como o transtorno de  humor. Conseguir quantificar a possibilidade desse tipo de  mal na população pode ajudar políticas preventivas de saúde  e, claro, a evitar prejuízos ao capitalismo: uma pessoa infeliz  tem grandes chances de produzir menos e pior. “Podemos  começar a ter um entendimento mais detalhado das emoções  humanas. Isso poderia potencialmente ser usado por empresas para melhorar a satisfação de empregados e clientes, perguntando para as pessoas sobre sua felicidade e prevendo-a  com base em suas experiências. Também espero que possa  ser usado para entender o que acontece com as pessoas que têm depressão”, afirma Rutledge.

Felicidade industrial

4°§ O aprimoramento científico em medir emoções é criticado  pelo sociólogo britânico William Davies, autor do livro A Indústria da Felicidade. Davies admite que pesquisas e programas sobre felicidade e bem-estar são um avanço, mas não a  favor das pessoas, e sim no apoio a uma agenda de interesses  políticos e econômicos, muitas vezes com fins mais privados  do que públicos. “Na era das imagens por ressonância magnética, tem se tornado cada vez mais comum falar sobre o  que nossos cérebros estão ‘querendo’ ou ‘sentindo’. Em muitas situações, isso é representado como uma declaração de  intenções mais profunda do que qualquer coisa que pudéssemos relatar verbalmente”, afirma. Quanto mais esse sentimento particular – que é a felicidade – se aproxima de algo concreto, massificado, que podemos tocar ou até mesmo manusear, fica mais fácil dar a ele um valor que se pode calcular.

5°§ Nos Estados Unidos, empresas de pesquisa de opinião estimam que a infelicidade dos assalariados custa à economia do país US$ 500 bilhões por ano em produtividade reduzida,  receitas fiscais perdidas e custos com saúde, de acordo com o  sociólogo. “A ciência da felicidade alcançou a influência que  tem porque promete a solução que tanto se esperava. Em  primeiro lugar, economistas da felicidade são capazes de colocar preço monetário no problema da miséria e da alienação.  Isso permite que nossas emoções e bem-estar sejam colocados dentro de cálculos mais amplos de eficiência econômica”,  aponta Davies. Mais do que isso, para que fórmulas e políticas públicas sociais sejam apresentadas como coerentes, o  processo de industrialização da felicidade precisa que todos  os humanos pensem e sintam as relações e o entorno do mesmo jeito, algo bem distante da realidade. “O que a indústria  do consumo e o seu discurso vêm fazendo em torno da felicidade, com todos os seus gurus, desde o chefe da felicidade em uma empresa, o cara da meditação, o outro que diz que empreendeu e agora não tem mais chefe, desde o motorista  do Uber até o agente de viagem, é ganhar em cima da gente nos fascinando, porque ficam vendendo caminhos possíveis  para chegar lá [à felicidade]”, diz o antropólogo e pesquisador de consumo Michel Alcoforado.

6°§ Até que apareça um novo mestre espiritual, uma nova dieta,  um novo passo a passo para o Éden ou uma nova verdade sobre o colesterol da gema do ovo, o mantra da hora é ostentar.  Enquanto a resposta para a felicidade não chega, exibimos e compartilhamos a ideia de que estamos podendo muito.  Bens usados para uma movimentação social até um “lugar de destaque” – uma característica forte da sociedade brasileira – ficam desvalorizados quando mais gente pode comprar o que você já tem. Nesse jogo de quem é o mais feliz, quanto mais exclusiva a felicidade, melhor a posição no campeonato.

“Sobretudo nas elites, é comprar experiências. Num processo em que você tem uma redefinição de classes no Brasil, muitas pessoas começam a poder comprar coisas, e o principal sinal de distinção das elites é caminhar dizendo: ‘Olha, coisas não me servem mais, porque elas não me distinguem mais com  tanta força. Eu vou em busca das experiências’”, afirma Alcoforado. “Se qualquer um pode comprar uma bolsa da Chanel, poucas pessoas podem fazer um mochilão pelo Sudeste Asiático e comer aquele frango com molho ‘thai’ em Bancoc, que ninguém conhece”, completa. Sem consumo não se vive, não adianta fugir, diz o antropólogo, pois é essa a regra do jogo. 

O segredo para não ser engolido é escolher o tipo de partida que você topa encarar. Tudo em nome da felicidade ou daquilo que imaginamos que ela seja.
FUJITA, Gabriela. Disponível em: <http://tab.uol.com.br/felicidade/#tematico-1>.
Acesso  em: 23 set. 2016. (Adaptado).

QUESTÃO 01
CEFET-MG: O texto tem por objetivo principal discutir como

a) a descoberta de evidências científicas permite determinar os  critérios da felicidade humana.

b) a ciência e a indústria interessam-se pelas concepções de felicidade no mundo contemporâneo.

c) o estudo das relações entre a felicidade e o consumo  evidencia a desigualdade da sociedade moderna.

d) o desenvolvimento da fórmula da felicidade pode contribuir  para a saúde e o bem-estar da população.

GABARITO:
b) a ciência e a indústria interessam-se pelas concepções de felicidade no mundo contemporâneo.

RESOLUÇÃO:
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