Olhou as cédulas arrumadas na palma, os níqueis e as pratas, suspirou, mordeu os beiços. Nem lhe restava

UFPel - QUESTÃO 24 Para a resolução da questão, leia atentamente os três textos a seguir. Texto I Retirantes, de Candido Portinari (1944) MA...
UFPel - QUESTÃO 24
Para a resolução da questão, leia atentamente os três textos a seguir.

Texto I
Retirantes, de Candido Portinari (1944) MASP.

Retirantes, de Candido Portinari (1944) MASP.

Texto II — Fragmento de Vidas Secas.
Olhou as cédulas arrumadas na palma, os níqueis e as pratas, suspirou, mordeu os beiços. Nem lhe restava o direito de protestar. Baixava a crista.

Se não baixasse, desocuparia a terra, largar­se­ia com a mulher, os filhos pequenos e os cacarecos. Para onde? Hem? Tinha para onde levar a mulher e os meninos? Tinha nada! Espalhou a vista pelos quatro cantos. Além dos telhados, que lhe reduziam o horizonte, a campina se estendia, seca e dura. Lembrouse da marcha penosa que fizera através dela, com a família, todos. Haviam escapado, e isto lhe parecia um milagre. Nem sabia como tinham escapado. Se pudesse mudar­se, gritaria bem alto que o roubavam.

Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura.

Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa. — Um dia um homem faz besteira e se desgraça.
Referência: RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Disponível
em: https://cs.ufgd.edu.br/download/Vidas%20Secas%20­
%20Graciliano%20Ramos.pdf. Acesso em 20/02/2022.

Texto III — Fragmento de Torto Arado.
Chegamos à fazenda há muitos anos, cada um aqui sabe como foi. Essa história já foi repetida muitas vezes. Mil vezes. Muitos de nós, a maioria, posso dizer, nasceram nesta terra. Nasceram aqui, nesta terra que não tinha nada, só o nosso trabalho. Isto tudo aqui só existe porque trabalhamos esta terra. [...] Desde os dez mil escravos que o coronel Horácio de Matos usou para encontrar diamante e guerrear com seus inimigos.

Quando deram a liberdade aos negros, nosso abandono continuou. O povo vagou de terra em terra pedindo abrigo, passando fome, se sujeitando a trabalhar por morada. A mesma escravidão de antes fantasiada de liberdade. Mas que liberdade? Não podíamos construir casa de alvenaria, não podíamos botar a roça que queríamos. Levavam o que podiam do nosso trabalho.

Trabalhávamos de domingo a domingo sem receber um centavo. O tempo que sobrava era para cuidar de nossas roças, porque senão não comíamos. Era homem na roça do senhor e mulher e filhos na roça de casa, nos quintais, para não morrerem de fome. Os homens foram se esgotando, morrendo de exaustão, cheios de problemas de saúde quando ficaram velhos.
Referência: VIEIRA Jr. Itamar. Torto arado.
São Paulo: Todavia, 2021.

Considerando os três textos e suas relações sócio-histórico-político-culturais com as áreas predominantemente rurais do Brasil, assinale a assertiva correta.

(a) A pintura de Portinari aponta para a fome, que transforma homens em espectros esqueléticos e, também, “seca” sua esperança e sua vontade de permanecer na terra na qual viveram tantos anos. As duas narrativas ficcionais defendem a fuga para as regiões urbanas, nas quais os trabalhadores teriam melhores condições de vida.

(b) Os textos ratificam que a melhor opção para os trabalhadores rurais é a mudança, com suas famílias, para as áreas urbanas, haja vista que nas cidades há maiores possibilidades de emprego, escola e moradia.

(c) Durante a década de 1950, no auge do regionalismo literário, há um exagero por parte dos autores, os quais procuram retratar um cenário totalmente adverso para os trabalhadores rurais, o que estimula o êxodo rural.

(d) Há nos três textos elementos estéticos e históricos que ilustram a vida dos trabalhadores rurais do sertão nordestino, exaltando a pobreza, a angústia e a solidão que acomete os habitantes desses lugares e sugerindo que eles poderiam ser mais felizes nas cidades.

(e) Os traços impactantes de Portinari, que traz os trabalhadores com formas cadavéricas e os textos literários retratam a vida de muitos trabalhadores rurais, os quais, muitas vezes se encontram em um regime análogo à escravidão, sendo mantidos nessa condição também por meio de dívidas adquiridas para a compra de alimentos, roupas e ferramentas nos armazéns dos donos da terra.

(f) I.R.

QUESTÃO ANTERIOR:

GABARITO:
(e) Os traços impactantes de Portinari, que traz os trabalhadores com formas cadavéricas e os textos literários retratam a vida de muitos trabalhadores rurais, os quais, muitas vezes se encontram em um regime análogo à escravidão, sendo mantidos nessa condição também por meio de dívidas adquiridas para a compra de alimentos, roupas e ferramentas nos armazéns dos donos da terra.

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