Questões de Português e Literatura da PUC-RS 2018 (Verão) com Gabarito

Questões de Português e Literatura da PUC-RS 2018 (Verão) com Gabarito
(Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Sumário da Prova:
Parte I
História e Geografia (01 - 20)
Língua Portuguesa e Literatura (21 - 40)

Parte II
Matemática e Física (01 - 20)
Química e Biologia (21 - 40)
Inglês (41 - 50)
Espanhol (41 - 50)

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

INSTRUÇÃO: Responder às questões 21 a 23 com base no texto 1.

TEXTO 1

Nunca antes os homens possuíram tamanha mobilidade geográfica, o que faz com que os sentimentos comunitários percam centralidade. (...) Dormir num país e acordar em outro não implica apenas uma espécie de aceleração do tempo, mas também uma possível transformação da identidade do migrante, que, longe de casa, deixa de enxergar no outro o reconhecimento de si.
(...)
O que quer dizer que o espaço, hoje mais do que nunca, é constitutivo da personagem, seja ela nômade ou não. Só convém lembrar que personagens efetivamente fixas na sua comunidade estão quase ausentes da narrativa brasileira contemporânea (era muito mais fácil encontrá-las nos romances regionalistas). Afinal, o país se urbanizou em um período muito curto – o censo de 1960 registrava 45% de brasileiros vivendo em cidades, número que chegaria a 56% em 1970 e a 81% em 2000 – e a literatura acompanhou a migração para as grandes cidades, representando de modo menos ou mais direto as dificuldades de adaptação, a perda dos referenciais e os problemas novos que foram surgindo com a desterritorialização. Assim, o espaço da narrativa brasileira atual é essencialmente urbano ou, melhor, é a grande cidade, deixando para trás tanto o mundo rural quanto os vilarejos interioranos.

A cidade é um símbolo da sociabilidade humana, lugar de encontro e de vida em comum – e, neste sentido, seu modelo é a polis grega. Mas é também um símbolo da diversidade humana, em que convivem massas de pessoas que não se conhecem, não se reconhecem ou mesmo se hostilizam; e aqui o modelo não é mais a cidade grega, e sim Babel. Mais até do que a primeira, esta segunda imagem, a da desarmonia e da confusão, é responsável pelo fascínio que as cidades exercem, como locais em que se abrem todas as possibilidades.
Adaptado de: DALCASTAGNÈ, Regina. Sombras da cidade: o espaço na narrativa brasileira contemporânea. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, v. 21, p. 33-53, 2003. Disponível em: <http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/viewFile/2200/1757>.

QUESTÃO 21
(PUC-RS) Considere as afirmativas sobre o conteúdo do texto 1 e assinale a alternativa correta.

A) A ausência de sentimentos comunitários é uma característica do mundo contemporâneo.

B) A perda de identidade está para a migração assim como a sociabilidade está para a “polis grega”.

C) O espaço é constitutivo das personagens fixas, que estão ausentes da narrativa brasileira contemporânea.

D) O espaço urbano como centro da narrativa brasileira atual descaracterizou os romances regionalistas.

Resposta.

QUESTÃO 22
(PUC-RS) Ao examinar a produção literária atual, com suas especificidades e tendências, a autora do texto 1 se fundamenta em

A) depoimentos de especialistas e de leitores.
B) exemplos de textos literários inusitados.
C) dados da realidade e da literatura.
D) normas e dados estatísticos.

Resposta.

QUESTÃO 23
(PUC-RS) A cidade contemporânea, que a autora do texto 1 caracteriza como espaço de desarmonia, de multiplicidade,

A) difere da visão idealizada da realidade presente na prosa romântica.

B) ratifica as dicotomias entre campo e cidade da prosa regionalista.

C) associa-se à ideia modernista de poetizar o progresso.

D) desfigura a problematização das questões sociais.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder às questões 24 e 25 com base no texto 2.

TEXTO 2

Por volta de 1914, Galib inaugurou o restaurante Biblos no térreo da casa. O almoço era servido às onze, comida simples, mas com sabor raro. Ele mesmo, o viúvo Galib, cozinhava, ajudava a servir e cultivava a horta, cobrindo-a com um véu de tule para evitar o sol abrasador. No Mercado Municipal, escolhia uma pescada, um tucunaré ou um matrinxã, recheava-o com farofa e azeitonas, assava-o no forno de lenha e servia-o com molho de gergelim. Entrava na sala do restaurante com a bandeja equilibrada na palma da mão esquerda; a outra mão enlaçava a cintura de sua filha Zana. Iam de mesa em mesa e Zana oferecia guaraná, água gasosa, vinho. O pai conversava em português com os clientes do restaurante: mascateiros, comandantes de embarcação, regatões, trabalhadores do Manaus Harbour. Desde a inauguração, o Biblos foi um ponto de encontro de imigrantes libaneses, sírios e judeus marroquinos que moravam na praça Nossa Senhora dos Remédios e nos quarteirões que a rodeavam. Falavam português misturado com árabe, francês e espanhol, e dessa algaravia surgiam histórias que se cruzavam, vidas em trânsito, um vaivém de vozes que contavam um pouco de tudo: um naufrágio, a febre negra num povoado do rio Purus, uma trapaça, um incesto, lembranças remotas e o mais recente: uma dor ainda viva, uma paixão ainda acesa, a perda coberta de luto, a esperança de que os caloteiros saldassem as dívidas. Comiam, bebiam, fumavam, e as vozes prolongavam o ritual, adiando a sesta.
Adaptado de: HATOUM, Milton. Dois irmãos.
São Paulo: Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

QUESTÃO 24
(PUC-RS) Assinale a alternativa correta sobre o emprego dos tempos verbais no texto 2.

A) “Ser” e “estar” são intercambiáveis, o que permite substituir “era” (linha 02) por “estava” sem que se gerem problemas de coesão e coerência no texto.

B) As formas verbais “cobrindo-a” (linha 05) e “adiando” (linha 30) relacionam-se no texto a um marco temporal futuro, respectivamente, “um véu de tule” (linha 05) e “a sesta” (linha 30).

C) As formas verbais compreendidas entre as linhas 09 e 16 indicam ações concluídas simultâneas no passado.

D) “Foi” (linha 17) indica um fato progressivo em relação ao marco temporal “Desde a inauguração” (linhas 16 e 17).

Resposta.

QUESTÃO 25
(PUC-RS) Preencha as lacunas da citação abaixo, em que um crítico, ao analisar o romance Dois irmãos, apresenta aspectos possíveis de serem identificados no excerto literário selecionado.

“A ênfase _________ do romance proporciona um conjunto de imagens orientais que, embora não se prendam ao aspecto da materialidade direta, se coadunam e se colam a imagens inerentes a múltiplas _________. São conjuntos imagéticos que desenham uma espécie de mosaico _________ capaz de surpreender não somente a condição diaspórica dos povos oriundos do Oriente Médio, radicados em Manaus (...), mas a trajetória humana em busca da sobrevivência.”
Adaptado de: ASSIS, Rodirlei Silva Dois irmãos ou um ‘eu’ dividido. Revista Alĕre.
Tangará da Serra, v. 6, p. 151-172, 2012. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/alere/article/view/511/441

A) memorialística – nacionalidades – identitário
B) intimista – semelhanças – racista
C) social – identidades – irregular
D) impressionista – etnias – surreal

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder às questões 26 e 27 com base no texto 3.

TEXTO 3

Da Minha Aldeia

Da minha aldeia vejo o quanto da terra se pode ver
                  [do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra
                  [qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui da minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para
                  [longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os
                  [nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza
                  [é ver.
Alberto Caeiro/PESSOA, Fernando. O Guardador de Rebanhos,
In: Poemas de Alberto Caeiro. Lisboa: Ática. 1946.

QUESTÃO 26
(PUC-RS) Assinale a alternativa INCORRETA a respeito do emprego de elementos coesivos no texto 3.

A) As duas ocorrências de “da” (linha 01) indicam a posição do eu lírico em relação ao que vê.

B) O nexo que inicia o verso da linha 06 estabelece uma relação de oposição com uma ideia implícita.

C) O “que” nas linhas 05 e 12 tem valor equivalente nas duas ocorrências.

D) O “porque” nas linhas 12 e 14 poderia ser substituído por “conquanto” sem prejuízo ao sentido dos versos e do poema.

Resposta.

QUESTÃO 27
(PUC-RS) Os sentidos sugeridos pelo poema se fundamentam em torno do campo semântico relacionado ao verbo “ver” – “vista”, “olhar”, “olhos” –, que

A) banaliza a experiência de ver o mundo.
B) enaltece a riqueza das paisagens urbanas.
C) orienta a oposição entre aldeia e cidade.
D) cria o paradoxo: aldeia=restrito; cidade=amplo.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder à questão 28 com base no texto 4.

TEXTO 4
quadrinhos

QUESTÃO 28
(PUC-RS) As conversas entre os dois meninos – personagens de Edgar Vasques – permitem inferir que

A) o “lixão” a que se refere o personagem no primeiro quadrinho é o mundo.

B) o substantivo “lixão” é utilizado em sentido conotativo no primeiro quadrinho.

C) a pergunta do segundo quadrinho, a partir do que se pode recuperar da fala do primeiro, poderia ser assim redigida: “Quem não viveria num lixão?”.

D) a pergunta do segundo quadrinho, pela associação grafovisual, é retórica.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder à questão 29 com base nos textos 1, 2, 3 e 4.

QUESTÃO 29
(PUC-RS) Assinale a alternativa correta acerca da relação que se pode estabelecer entre os textos 1, 2, 3 e 4.

A) A oposição entre cidade e campo aparece nos textos 1, 2 e 3.

B) O texto 4 pode servir como exemplo para a “desterritorialização” descrita na linha 23 do texto 1.

C) O trecho compreendido entre as linhas 16 e 30 do texto 2 exemplifica o modelo de cidade identificado como “Babel” pelo texto 1.

D) As expressões, no texto 2, “um naufrágio” (linha 24), “a febre negra num povoado do rio Purus” (linhas 24 e 25), “uma trapaça” (linha 25) e “um incesto” (linha 25) podem ser entendidas como algumas das situações que levam os personagens do texto 4 a “viver num lixão”.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder à questão 30 com base no texto 5.

TEXTO 5

O fato de milhões de pessoas deslumbrarem-se com a vida iluminada das cidades não costuma despertar em nós grandes inquietações. Sabemos que as cidades estão entre as mais belas construções da humanidade. Sair do meio rural rumo ao meio urbano parece ser o caminho natural da história do homem, assim como se espera que passemos da vida selvagem para a civilizada, do mundo da natureza para o da cultura. Mas por que, então, é tão comum moradores urbanos sonharem com uma casa no campo? Octavio Paz diz, na abertura do catálogo do Museo de Bellas Artes de Santiago do Chile, que “estamos condenados a buscar en nuestra tierra la otra tierra; en la otra, a la nuestra”*. Entre os artistas essa condenação se resolveria como liberdade criadora. E no caso da vida miúda do dia a dia, como essa busca se daria? Muitos estudos foram feitos sobre as carências que provocam a migração da área rural para os centros urbanos e sobre o fascínio que a cidade exerce ao responder às grandes necessidades humanas como trabalho, educação, saúde, cultura, lazer etc. Porém, pouco se interroga sobre o encantamento que o universo rural exerce sobre as populações urbanas, principalmente nos habitantes das grandes metrópoles.
* “estamos condenados a buscar em nossa terra a outra terra; na outra, a nossa”
Adaptado de: SILVA, Gislene. O imaginário rural do leitor urbano:
o sonho mítico da casa no campo. UFSC, Brasil.
Disponível em: https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/200.

QUESTÃO 30
(PUC-RS) Assinale a alternativa correta sobre a composição e o conteúdo do texto 5.

A) Não nos causa inquietações a vida nas cidades porque sabemos que nelas estão as mais belas construções da humanidade.

B) “Sair do meio rural rumo ao meio urbano” (linhas 05 e 06) equivale, na história natural do homem, a passar “da vida selvagem para a civilizada” (linhas 07 e 08).

C) O argumento de autoridade (linhas 11 a 14) poderia servir como uma resposta para a pergunta feita nas linhas 09 a 11.

D) Os termos “fascínio” (linha 19) e “encantamento” (linha 23) são sinônimos e, no texto, são provocados pelo mesmo referente.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder às questões 31 a 33 com base no texto 6.

TEXTO 6
XXXII

Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos climas, longes céus, cortando
Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora
Que morre o sol, suspende o voo, e chora,
E chora, a vida antiga recordando ...

E logo, o olhar volvendo compungido
Atrás, volta saudosa do carinho,
Do calor da primeira habitação...

Assim por largo tempo andei perdido:
– Ali! que alegria ver de novo o ninho,
Ver-te, e beijar-te a pequenina mão!
LAJOLO, Marisa. Os melhores poemas de Olavo Bilac.
São Paulo: Global Editora, 2015.

QUESTÃO 31
(PUC-RS) Sobre o poema de Olavo Bilac, é correto afirmar que

A) a ave sai voando ao longo da manhã como se quisesse buscar por liberdade.

B) a ave não consegue voltar ao ninho, pois perdeu o rumo.

C) o pássaro lamenta a falta de liberdade, mesmo querendo voltar.

D) o eu lírico se identifica com a ave por trilharem rotas semelhantes.

Resposta.

QUESTÃO 32
(PUC-RS) No poema em questão, é possível identificar uma das caraterísticas que particularizam a poesia de Olavo Bilac:

A) a postura intimista e subjetiva.
B) o apego aos ideais clássicos.
C) a tendência à metalinguagem.
D) o descritivismo de objetos.

Resposta.

QUESTÃO 33
(PUC-RS) Olavo Bilac foi _________ de _________, também considerado _________.

A) sucessor – Alberto de Oliveira – romântico
B) contemporâneo – Gonçalves Dias – romântico
C) antecessor – Álvares de Azevedo – parnasiano
D) contemporâneo – Raimundo Correa – parnasiano

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder às questões 34 a 36 com base no texto 7.

TEXTO 7

4 de julho
Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos que frequentam bondes. O desenvolvimento que tem tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente democrático, exige que ele não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.
[...]
ART. II Da posição das pernas
As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se proíbem formalmente as pernas abertas, mas com a condição de pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas pobres ou viúvas desvalidas, mediante uma pequena gratificação.
ART. III Da leitura dos jornais
Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. Também não é bonito encostá-los no passageiro da frente.
[...]
ART. V Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-lo minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repetindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.
Adaptado de: MACHADO DE ASSIS, J. M. Balas de estalo. In:
Obra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, Vol. III, 1994.

QUESTÃO 34
(PUC-RS) Assinale a alternativa correta em relação ao emprego dos sinais de pontuação no texto 7.

A) O ponto e vírgula da linha 07 poderia ser substituído, sem prejuízo para a estrutura do período, por vírgula.

B) A vírgula da linha 13 poderia ser suprimida já que o “e” liga duas orações que compõem uma única função sintática.

C) Na linha 31, a vírgula após “minuciosamente” poderia ser retirada, pois é opcional.

D) Na linha 33, “aos seus deuses” é um termo intercalado, podendo, portanto, estar entre vírgulas.

Resposta.

QUESTÃO 35
(PUC-RS) Para normatizar o comportamento adequado das pessoas no bonde, Machado de Assis opta pela estrutura de uma lei, com seus respectivos artigos. Essa escolha

A) eleva a linguagem ao nível de documento jurídico.
B) reforça a intenção do autor de orientar as pessoas.
C) reverencia as formas legais de expressão.
D) orienta o tom irônico e jocoso do texto.

Resposta.

QUESTÃO 36
(PUC-RS) Sabe-se que Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores brasileiros. Ele criou seu próprio Realismo. Um dos motivos que distinguem sua prosa é a forma como constrói personagens de marcada complexidade psicológica e existencial. Analise a correspondência entre personagem e obra, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

( ) Bentinho e Dom Casmurro
( ) Sofia e Memórias póstumas de Brás Cubas
( ) Dr. Simão Bacamarte e O alienista
( ) Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas

O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

A) V – F – V – V
B) F – V – V – F
C) V – V – F – V
D) V – F – V – F

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder às questões 37 e 38 com base no texto 8.

TEXTO 8

Resíduo

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

(...)

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

(...)

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

(...)

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

QUESTÃO 37
(PUC-RS) Em Resíduo, Drummond “penetra surdamente no reino das palavras”, ora dando “a chave” para interpretá-las, ora não. Das que estão a seguir, por exemplo, qual poderia ter, no poema, uma conotação tanto positiva quanto negativa?

A) muros (linha 10).
B) poço (linha 20).
C) ondas (linha 26).
D) sarcasmo (linha 29).

Resposta.

QUESTÃO 38
(PUC-RS) Dos 19 substantivos que seguem a expressão “e sob”, entre as linhas 26 e 35, apenas cinco estão caracterizados. Essa estratégia do poeta demonstra a presença, no poema, do viés

A) injuntivo, para que nos compadeçamos com o eu lírico.

B) argumentativo, para que saibamos como o eu lírico considera esses fatos/eventos/pessoas.

C) narrativo, para que entendamos a sequência dos/das fatos/eventos/pessoas citados(as).

D) expositivo, porque são substantivos abstratos que necessitam de especificação.

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder à questão 39 com base no texto 9.

TEXTO 9

Bandoleiros

Ada começou a cavar sua bolsa para a Boston University ao se apaixonar perdidamente por um livro chamado Minimal Society. É que lá havia um bom curso de Ph.D. sobre o assunto. De que assunto se trata? É melhor que eu deixe Ada falar. Porque hoje, simplesmente, eu não saberia dizer uma única linha sobre o assunto. Se é que há algum assunto em pauta na Minimal Society. Mas o fato é que muito se falou sobre isso, e Ada literalmente transpirava toda ao conclamar que encarássemos a era da Minimal Society.

Um núcleo comunitário mínimo, onde só circulassem suas próprias mercadorias, completamente vedado às injunções do comércio exterior.

[...]

Quando eu perguntava sobre as possibilidades aí do chamado intercâmbio cultural, Ada me respondia que a Sociedade Minimal congrega todas as potências do Homem, e portanto ela mesma se encarregaria de edificar seus próprios monumentos.

Na Boston University Ada encontrou muitos adeptos da Sociedade Minimal. Vários deles já tinham comprado terras, para lá fundarem um dia suas pioneiras Sociedades Minimais. Quando cheguei em Boston para visitá-la, ainda no aeroporto, Ada disse que estava pensando entrar depois do curso numa Sociedade Minimal no norte de Massachusetts. Achava que iria emigrar para os Estados Unidos. Não via mais na nacionalidade um critério avaliador de qualquer conteúdo humano. As nações sem exceção estavam condenadas. Restava o ingresso nas Sociedades Minimais.

O fato de ser brasileira ou americana já não a comovia. Ter nascido aqui ou ali era um mero acidente. O futuro viveria das migrações. O cara só tinha de decidir que Sociedade Minimal escolher. E para lá então se dirigir. Não importava que estivesse na Terra do Fogo e escolhesse uma Minimal na Groelândia.
Adaptado de: NOLL, João Gilberto. Bandoleiros. São Paulo:
Companhia das Letras, 1999.

QUESTÃO 39
(PUC-RS) Sobre este trecho da obra de Noll, Adelaide Calhman de Miranda comenta:

“Normalmente a reação das pessoas à diferença é hostil; o melhor que se pode esperar é a tolerância. Uma crítica a este fenômeno pode ser encontrada no deboche do narrador de Bandoleiros à sociedade utópica teorizada por Ada e suas colegas, a “Sociedade Minimal”, “um núcleo comunitário mínimo, onde só circulassem suas próprias mercadorias”. Os princípios absurdos da Sociedade Minimal e a ironia com que o narrador se refere a ela podem ser considerados uma crítica à estética minimalista, que extingue o supérfluo e elimina as diferenças.”
Adaptado de: MIRANDA, Adelaide Calhman de. Abscesso na
cidade desencontro, violência e esquecimento em Bandoleiros,
de João Gilberto Noll. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea,
Brasília, v. 14, p. 01-20, 2001. Disponível em: http://
periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/2230/1788

Considerando os excertos de Noll e de Miranda, analise as afirmativas abaixo, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

( ) O trecho de Noll bem representa o estilo prosa poética associado a sua escrita.

( ) Em ambos os textos há dados consistentes sobre a forma particular de circulação de mercadorias nas Sociedades Minimais.

( ) A expressão “princípios absurdos” e a referência à ironia do narrador utilizadas pela crítica literária podem ser identificadas no excerto de Bandoleiros de forma sutil.

( ) Miranda associa a ironia de Noll à ideia de falta de tolerância das pessoas em relação à diferença.

O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

A) F – F – V – V
B) V – V – F – F
C) F – V – V – F
D) V – F – F – V

Resposta.

INSTRUÇÃO: Responder à questão 40 com base nos textos 8 e 9.

QUESTÃO 40
(PUC-RS) Supondo-se que fosse possível uma conversa entre Carlos Drummond de Andrade e João Gilberto Noll, tendo em vista o conteúdo dos textos 8 e 9, qual das alternativas a seguir NÃO seria coerente com o ponto de vista dos autores nos segmentos apresentados?

A) NOLL: O conceito da sociedade minimal de Ada contraria o teu “Resíduo”, porque implica livrar-se de tudo.

B) DRUMMOND: “Se de tudo fica um pouco”, Ada levaria consigo “o insuportável mau-cheiro da memória”, sem que conseguisse abafá-lo, nem mesmo com loção.

C) NOLL: Vivemos em tempos diferentes, meu caro Drummond. Não existem mais essas angústias existenciais que te sufocam. Ada tem toda a razão ao dizer que não levaria qualquer resíduo para sua sociedade minimal, a não ser ela mesma.

D) DRUMMOND: Ora, Noll, essa busca de Ada comprova que, apesar de os tempos serem outros, continuamos vivendo soterrados por nossos resíduos, querendo emergir para uma nova vida: “um botão” ou “uma sociedade minimal”. Lembre-se de que “uma flor nasceu”.

Resposta.

Comentários