Questões Português e Literatura FASA 2018 com Gabarito

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Questões Português e Literatura FASA 2018 com Gabarito

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 01 A 06

É inegável o caráter plural do brasileiro em função da mestiçagem de seu povo, pano de fundo das expressões culturais mais diversas ao longo do território brasileiro. Poderia parecer fácil e sem obstáculos falar a respeito de diversidade em um país mestiço, como o Brasil. No entanto, à qual diversidade nos referimos?

Segundo Sueli Carneiro, líder e ativista de movimentos de direitos dos negros e pertencente ao Conselho Deliberativo da Care Brasil, “o primeiro receio que o debate sobre a diversidade provoca é que se preste à despolitização dos processos de exclusão e discriminação que os ‘diferentes’ sofrem em nossa sociedade, ou seja, a forma pela qual historicamente esse ‘diferente’ vem sendo construído, em oposição a uma universalidade cultural branca e ocidental, supostamente legítima para se instituir como paradigma, segundo o qual a identidade ou a diferença dos diversos povos da terra sejam medidas.”

Essas questões vêm à tona quando falamos de diversidade como sinônimo de diferença. As diferenças físicas, étnicas, culturais, de gênero, etárias são um fato, mas não são o foco da discussão. O ponto crucial do debate sobre diversidade é a percepção, a reflexão e a atuação sobre os mecanismos sociais que transformam as diferenças em desigualdade, a ponto de apagar a realidade da igualdade na diferença.

Propõe-se, portanto, que diversidade seja compreendida como um valor, em que estão implicadas e articuladas as seguintes ideias: de igualdade na diferença, de diferença na igualdade, de diferença socialmente transformada em desigualdade.

Igualdade na diferença significa valorizar a humanidade que provém de todo e qualquer indivíduo, base da ideia de direitos humanos.

Diferença na igualdade define que as peculiaridades das pessoas devem ser reconhecidas, à medida que impliquem adaptações para que sua participação social seja efetivada. Essa ideia está na base do surgimento do conceito de diversidade.

Diferença socialmente transformada em desigualdade visa ao resgate dos direitos humanos e à valorização da diferença como formas de desconstruir a desigualdade. Essa é a base que fundamenta a prática da diversidade como valor.

Por anos viveu-se a hegemonia dos iguais, ficando difícil romper com essa visão e perceber que a diversidade não é problema. A promoção da diversidade como valor é a condição que viabiliza o surgimento do novo. Costuma-se colocar o “diferente” na figura do outro, que se torna um dessemelhante. É necessário que se perceba que todos somos diferentes. “Não há um lugar ‘normal’ de onde se olha a humanidade à procura dos ‘outros’. Somos todos diversos e promover a diversidade é valorizar essa condição” (Políticas da Diversidade em Portugal).

É necessário ir além da constatação de que somos todos diferentes. É preciso localizar e corrigir as distorções minorando ou eliminando os mecanismos produtores de desigualdade.

Não se trata de fazer ufania das diferenças, desconsiderando-se os critérios de competência e 65 habilidades pessoais. Ao contrário, trata-se de detectar aqueles talentos socialmente emudecidos, para que todos ganhem com a convivência e participem da promoção incondicional da diversidade como valor.
A diversidade como valor em uma sociedade inclusiva. Sistema Sorri.
Disponível em: http://sorri.com.br/diversidade_como_valor. Acesso
em: 22 maio 2018. Adaptado.


Questões de:
Português e Literatura
Inglês
Espanhol
História
Geografia
Química
Biologia

QUESTÃO 01
(FASA) Considerando-se o caráter multirracial do Brasil, parecem um despropósito as discussões sobre diversidade, no entanto faz-se necessária uma análise mais apurada desse tema. Por isso, para a ativista Sueli Carneiro, o debate sobre diversidade é

A) indiferente, já que existem políticas assertivas de valorização das diferenças com significativo sucesso.

B) promissor, porque esclarece o quanto já se faz pelos “diferentes” em toda a extensão territorial e se poderá fazer em prol dos desfavorecidos.

C) desnecessário, uma vez que a população brasileira é miscigenada, portanto receptiva às diferenças multiculturais e multirraciais.

D) preocupante, pela possibilidade de perda de uma política de conscientização construída historicamente e implantada na sociedade.

RESPOSTA.

QUESTÃO 02
(FASA) Segundo as ideias expressas no texto, a diversidade deve ser vista como valor, por isso as discussões sobre ela não devem se basear nas diferenças, mas nos mecanismos sociais adotados.

Respeitando-se esse raciocínio, é correto afirmar que ele se justifica porque

A) a construção histórica do “diferente” se dá em oposição à cultura branca e ocidental que se impõe como paradigma referencial para diversos povos.

B) a diversidade e a diferença, embora sejam palavras sinonímias no cotidiano social, detêm, quando contextualizadas historicamente, sentidos distintos.

C) as medidas afirmativas de valorização do diferente reforçam a discriminação e a desigualdade social, na medida em que não consideram as múltiplas diferenças como um direito legítimo do cidadão à igualdade.

D) todos têm direito a expressar suas diferenças, princípio fundamental dos direitos humanos em uma sociedade plural e democrática.

RESPOSTA.

QUESTÃO 03
(FASA) “Por anos viveu-se a hegemonia dos iguais, ficando difícil romper com essa visão e perceber que a diversidade não é problema.” (l. 48-50).

Considerando-se que, segundo o texto, a diversidade é vista como valor e não como problema, infere-se do fragmento destacado que a hegemonia dos iguais está intrinsecamente relacionada, historicamente, às questões

A) religiosas, pelo domínio do catolicismo em relação às demais religiões brasileiras.

B) sociais, pelas diversas e diferentes classes que constituem a pirâmide social brasileira.

C) econômicas, em virtude dos interesses da classe dominante.

D) políticas, visando à manutenção dos interesses capitalistas que imperam no Brasil.

RESPOSTA.

QUESTÃO 04
(FASA) “Temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza.” (Boaventura de Souza Santos, 2006, p. 316)

A passagem do texto que mantém distância interpretativa com o pensamento destacado está em

A) “o primeiro receio que o debate sobre a diversidade provoca é que se preste à despolitização dos processos de exclusão e discriminação que os ‘diferentes’ sofrem em nossa sociedade” (l. 10-14).

B) “Igualdade na diferença significa valorizar a humanidade que provém de todo e qualquer indivíduo” (l. 34-35).

C) “Diferença na igualdade define que as peculiaridades das pessoas devem ser reconhecidas” (l. 37-38).

D) “Diferença socialmente transformada em desigualdade visa ao resgate dos direitos humanos e à valorização da diferença como formas de desconstruir a desigualdade.” (l. 43-46)

RESPOSTA.

QUESTÃO 05
(FASA) "Não se trata de fazer ufania das diferenças, desconsiderando-se os critérios de competência e habilidades pessoais." (l. 63-65).

A palavra “ufania”, no contexto em que está inserida, pode ser substituída, sem comprometer a mensagem, por

A) acirramento.
B) açodamento.
C) apologia.
D) apostasia.

RESPOSTA.

QUESTÃO 06
(FASA) Em relação aos recursos linguísticos de que se apropria o texto para transmissão das ideias, é correto afirmar:

A) As palavras “inegável” (l. 1) e “ mestiçagem”(l. 2) resultam de um mesmo processo de formação: derivação parassintética. Os vocábulos “Segundo” (l. 8) e “primeiro” (l. 10), dentro do contexto em que estão inseridos, configuram-se como numerais ordinais.

B) Na passagem “que se preste à despolitização dos processos” (l. 12), registram-se um verbo pronominal e dois complementos nominais.

C) Em “Diferença na igualdade define que as peculiaridades das pessoas devem ser reconhecidas, à medida que impliquem em adaptações para que sua participação social seja efetivada.” (l. 37-40), a expressão “à medida que” sugere causa.

D) Nas passagens: “valorizar a humanidade que provém de todo e qualquer indivíduo” (l. 34-35) e “É necessário que se perceba que todos somos diferentes.” (l. 53-55), o conector “que” inicia orações subordinadas de diferentes classificações.

RESPOSTA.

TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 07 A 09

Inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?


aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol.
ANTUNES, Arnaldo. Inclassificáveis. Disponível em: <https://
www.vagalume.com.br/arnaldo-antunes/inclassificaveis.html.>.
Acesso em: 22 maio 2018.

QUESTÃO 07

(FASA) Após a análise do poema, considere as seguintes afirmações acerca da intenção poética do eu lírico.

I. enaltecer todas as raças que compõem a humanidade como algo singular e incomparável.

II. desfazer a visão clássica que se tem sobre o povo brasileiro.

III. revelar a grandeza humana, reiterando sua singularidade.

IV. ressaltar a diversidade, desfazendo a problemática do preconceito histórico-político.

V. mostrar a pluralidade de etnias que compõem a raça humana.

São corretas as afirmações:

A) I e III.
B) II e III.
C) III e IV.
D) II, IV e V.

RESPOSTA.

QUESTÃO 08
(FASA) Em relação aos traços estilísticos de que se apropria o eu lírico para sua composição poética, é inobservável, no texto, a

A) quebra dos padrões da norma culta em relação à pontuação.

B) presença de jogo poético ao pluralizar algumas palavras.

C) incorporação de palavras resultantes de neologismos.

D) busca da perfeição poética por meios de uma linguagem excêntrica.

RESPOSTA.

QUESTÃO 09

Operários Tarsila Amaral


(FASA) Comparando-se a imagem destacada, “Operários”, de Tarsila do Amaral e o poema anterior, “Inclassificáveis”, de Arnaldo Antunes, é correto afirmar:

A) Tarsila e Arnaldo pertencem a um mesmo período artísticoliterário: Realismo, que visa à denúncia social.

B) A obra de Tarsila objetiva recriar uma realidade social vigente na Primeira Fase do Modernismo; o poema de Arnaldo busca ressignificar valores históricos arraigados no inconsciente brasileiro.

C) Em “Operários”, observa-se a tríade racial existente no período colonizador: brancos, negros e índios; em “Inclassificáveis”, nota-se uma multirracialidade que compõem a população brasileira.

D) A obra “Operários” distancia-se do poema “Inclassificáveis” tanto na forma de apresentação quanto na sua intenção criadora.

RESPOSTA.

QUESTÃO 10
I. “Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e sofre, e sua!”

II. “Bertoleza também trabalhava forte [...] e apesar disso, tinha de parte quase o necessário para a alforria. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morte na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.”

(FASA) Os fragmentos de texto destacados contêm elementos estilísticos percebíveis que permitem inseri-los em um determinado estilo literário.

Considerando-se a linguagem, a temática e a forma, os excertos, respectivamente, pertencem ao

A) Parnasianismo/Naturalismo.
B) Romantismo/ Barroco.
C) Arcadismo/Romantismo.
D) Parnasianismo/Romantismo.

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