UNESP 2019: Destinada unicamente à exportação, em função da qual se organiza e mantém a exploração

UNESP 2019: Destinada unicamente à exportação, em função da qual se organiza e mantém a exploração, tal atividade econômica desenvolveu-se à margem das necessidades próprias da sociedade brasileira. No alvorecer do século XIX, essa atividade econômica, que se iniciara sob tão brilhantes auspícios e absorvera durante cem anos o melhor das atenções e dos esforços do país, já tocava sua ruína final. Os prenúncios dessa ruína já se faziam aliás sentir para os observadores menos cegos pela cobiça desde longa data. De meados do século XVIII em diante, essa atividade econômica, contudo, não fizera mais que declinar.
(Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo, 1999. Adaptado.)

A atividade econômica a que o texto se refere está presente em:

(A) A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
(Gregório de Matos, “À cidade da Bahia”.)


(B) Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
(Tomás Antônio Gonzaga, “Lira I”.)

(C) Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho e a rica terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada Serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
(Tomás Antônio Gonzaga, “Lira III”.)

(D) Pescadores do Mondego,
Que girais por essa praia,
Se vós enganais o peixe,
Também Lise vos engana.
Vós ambos sois pescadores;
Mas com diferença tanta,
Vós ao peixe armais com redes,
Ela co’os olhos vos arma.
(Cláudio Manuel da Costa, “Romance I”.)

(E) Aonde levas, Pastora,
Essas tenras ovelhinhas?
Que para seu mal lhes basta
O seres tu quem as guia.
Acaso vão para o vale,
Ou para a serra vizinha?
Vão acaso para o monte,
Que lá mais distante fica?
(Cláudio Manuel da Costa, “Romance IV”.)

QUESTÃO ANTERIOR:
UNESP 2019: Examine o cartum de Mick Stevens, publicado pela revista The New Yorker em 15.02.2018 e em seu Instagram, e as afirmações que se seguem.


RESOLUÇÃO I
A atividade econômica referida por Caio Prado Júnior é a mineração, uma das bases da economia colonial, baseada no trabalho do escravo negro. Tal atividade está referida no excerto da “Lira III” de Tomás Antônio Gonzaga, em particular no tocante à exploração do ouro, como se comprova já nos versos iniciais: “Tu não verás, Marília, cem cativos / Tirarem o cascalho e a rica terra.”

RESOLUÇÃO II
A atividade econômica referida é a mineração. No texto, a passagem inicial “Destinada unicamente à exportação” sugere essa ideia. O poema de Gonzaga retrata a bateia separando a areia e o ouro, aquilo que o texto chama de “cobiça desde longa data”.

GABARITO:
(C) Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho e a rica terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada Serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
(Tomás Antônio Gonzaga, “Lira III”.)

PRÓXIMA QUESTÃO:
- UNESP 2019: Examine a charge do cartunista Angeli, publicada originalmente em 2003, e as afirmações que se seguem.

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