UFSC 2020: Com base no Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que

Texto 1
Memes no museu
Um fenômeno em exposição

Senhores paes amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado assinado tia paulinha é verdade esse bilhete

O professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”, disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país. O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.”

Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha. É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes.

A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais, a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...]

Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder. Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet. Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes.

Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes, que explica em que contexto surgiram e que impacto político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200 famílias de memes, séries com o mesmo tema.

O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...]
PAVARIN, Guilherme. Memes no museu. Revista Piauí, ed. 155, ago. 2019.
Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu. [Adaptado].
Acesso em: 2 set. 2019.

QUESTÃO 03
UFSC 2020: Com base no Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:

01. no penúltimo parágrafo do texto, em todas as orações o sujeito é o nome “Chagas”, o qual é retomado pelas formas nominal e pronominal.

02. na frase “Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real.” (linhas 40-41), os dois-pontos são empregados para apresentar um esclarecimento.

04. os termos “oba-oba”, “besteirol” e “balbúrdia” (linha 23) estabelecem uma relação de antonímia com a expressão “algo relevante” (linhas 22-23).

08. na frase “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção” (linhas 20-21), os dois-pontos introduzem uma oração subordinada.

16. no trecho “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” (linha 08), a expressão “É verdade esse bilete” expressa ironia ao estabelecer intertextualidade com o bilhete de um menino à sua mãe.

32. o texto é um exemplar de artigo científico, uma vez que nele se identifica o posicionamento crítico de um pesquisador que é referência em sua área.

QUESTÃO ANTERIOR:
UFSC 2020: Com base no Texto 1, é correto afirmar que

GABARITO:
02 + 04 + 16 = 22

PRÓXIMA QUESTÃO:
- UFSC 2020: Com base nos Textos 2 e 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que

QUESTÃO DISPONÍVEL EM:
Prova UFSC/UFFS 2020 1º Dia com Gabarito

REDAÇÃO DA PROVA:
Redação UFSC/UFFS 2020: Cenário da exclusão escolar no Brasil

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